Introdução
A natureza e a missão de Deus
A escolha e o chamado de Abraão
Vida e obra de Jesus: Modelo para a Igreja
O desafio urbano
Uma Igreja missionária
A conversão da Igreja
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A conversão da Igreja

Tradicionalmente, Atos 10 tem sido lido e entendido pura e simplesmente como o relato da conversão do centurião Cornélio. No entanto, este texto nos apresenta não só a conversão deste gentio chamado Cornélio a Jesus e seu evangelho, mas também a conversão da igreja, primeiramente na pessoa de Pedro (At. 10) e depois no agrupamento de seus líderes (At. 11), à vontade de Deus para que homens e mulheres de todas as tribos, povos e raças viessem a fazer parte de seu povo.
Seria este o caso de algumas de nossas igrejas hoje? Estaríamos nós, como igreja, necessitando de conversão à ação e direção missionária do Espírito para que nossos parentes, amigos e vizinhos venham a conhecer a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas? Considerando Atos 10, vejamos três conversões necessárias para uma Igreja desejosa de corresponder com fidelidade a seu chamado onde Deus a tem colocado.
Seria este o caso de algumas de nossas igrejas hoje? Estaríamos nós, como igreja, necessitando de conversão à ação e direção missionária do Espírito para que nossos parentes, amigos e vizinhos venham a conhecer a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas? Considerando Atos 10, vejamos três conversões necessárias para uma Igreja desejosa de corresponder com fidelidade a seu chamado onde Deus a tem colocado.

Os primeiros versos do capítulo 10 de Atos nos apresentam um homem gentio chamado Cornélio. Como todos nós sabemos, os gentios eram considerados pelos judeus como impuros e, conseqüentemente, pessoas distantes da relação e da ação de Deus. Por causa disso, era até mesmo proibido a um judeu relacionar-se com gentios, como Pedro afirma aos da casa de Cornélio: “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” (vs.28)
No entanto, lendo o texto a partir desta perspectiva judaica, a descrição de Cornélio apresentada pelo evangelista Lucas causa surpresa ao afirmar que Cornélio era: “Piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus” (vs.2). Mais surpreendente ainda é o fato de que Lucas nos diz que Cornélio teve uma visão vinda de Deus (vs. 3-6) e diante disto, obedeceu prontamente às ordens de Deus (vs.7-8).
Um importante princípio missionário que podemos apreender deste trecho é o da necessidade de estarmos sempre sensíveis à ação de Deus no mundo e na vida daqueles que nos cercam. Às vezes, somos erroneamente levados a pensar que Deus só cuida e só age na vida dos que estão na igreja, ou seja, Deus é o Senhor da Igreja. No entanto, a Bíblia nos apresenta inúmeras evidências de Deus como Senhor do Universo e que age sobre tudo e sobre todos.
Como tem se dado nossa relação com nossos parentes, amigos e vizinhos envolvidos pela religiosidade brasileira expressa no catolicismo, espiritismo e em tantos outros “ismos” que nos cercam? Sei que fomos educados a enxergá-los como pessoas sob influência exclusiva de Lúcifer e sem qualquer contato com a graça e providência de Deus. Mas será esta uma visão bíblica apropriada? Que tal começarmos a observá-los de forma um pouco mais atenta e procurarmos perceber o cuidado e ação de Deus em suas vidas? Que tal estarmos mais sensíveis a sentimentos e situações geradas por Deus em suas vidas como portas para a apresentação de Jesus? Que tal exercitarmos um coração mais aberto, paciente e sensível para com aqueles que, assim como Cornélio, mesmo que de forma ainda imprecisa e sem considerar a pessoa de Jesus, demonstram desejo na busca de Deus?

Em Atos 10: 11-16 Pedro está orando quando, numa visão, ele é ordenado a comer alimentos que anteriormente eram proibidos pela lei cerimonial judaica. Pedro responde sem vacilar: “De modo nenhum, Senhor, jamais comi cousa alguma comum e imunda.” No entanto, a ordem que se segue é: “Ao que Deus purificou não consideres comum.” Isto nos indica que, apesar da resposta inicial de Pedro ter aparência de fidelidade a Deus era na verdade fidelidade à uma determinada “tradição” a qual, apesar de usada por Deus num determinado momento histórico, havia se tornado agora um empecilho para a missão.
Assim, Pedro é desafiado pelo Espírito a reavaliar o alvo de sua fidelidade: sua tradição ou o Deus de sua tradição? Esta reavaliação conduz Pedro, primeiramente, a compreender a flexibilidade nas “tradições” de expressão da fé e de comunicação de Deus e sua vontade aos homens. Por outro lado, esta flexibilidade viabiliza diretamente seu testemunho no mundo, pois Ele afirma aos da casa de Cornélio: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” (vs.28)
Mas o que esta experiência tem para no ensinar? Como crentes, num mundo em constantes e rápidas mudanças, primeiramente somos convocados a ser fiéis à imutável Palavra de Deus. Por outro lado, precisamos considerar que nossa tarefa é levar esta Palavra imutável a um mundo em constantes e rápidas transformações. Por isso, apesar de comprometidos com a Palavra, precisamos reconhecer a flexibilidade dos métodos usados por Deus, através das quais podemos comunicar e expressar nosso compromisso de fé.
Assim, Pedro é desafiado pelo Espírito a reavaliar o alvo de sua fidelidade: sua tradição ou o Deus de sua tradição? Esta reavaliação conduz Pedro, primeiramente, a compreender a flexibilidade nas “tradições” de expressão da fé e de comunicação de Deus e sua vontade aos homens. Por outro lado, esta flexibilidade viabiliza diretamente seu testemunho no mundo, pois Ele afirma aos da casa de Cornélio: Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo.” (vs.28)
Mas o que esta experiência tem para no ensinar? Como crentes, num mundo em constantes e rápidas mudanças, primeiramente somos convocados a ser fiéis à imutável Palavra de Deus. Por outro lado, precisamos considerar que nossa tarefa é levar esta Palavra imutável a um mundo em constantes e rápidas transformações. Por isso, apesar de comprometidos com a Palavra, precisamos reconhecer a flexibilidade dos métodos usados por Deus, através das quais podemos comunicar e expressar nosso compromisso de fé.

Nos versos 19-20, encontramos uma ordem de Deus a Pedro: “Estão aí dois homens que te procuram; levanta-te, pois, desce e vai com eles nada duvidando, porque eu os enviei.” No verso 23, encontramos a resposta de Pedro à ordem dada: “No dia seguinte levantou-se e partiu com eles…” O que se segue é o relato da chegada de Pedro à casa de Cornélio, o encontro do apóstolo com um grupo sedento pela mensagem da salvação e, como fruto maior desta aproximação, a manifestação da graça de Deus na vida daqueles homens e mulheres.
Assim como Pedro foi desafiado por Deus à aproximação daqueles gentios, Felipe já havia vivenciado experiência semelhante em relação ao eunuco etíope (At.8:26-40) e Paulo ouviria um varão macedônio em sonho lhe dizer: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At.16:9). Mas o maior exemplo deste desafio à aproximação dos homens e mulheres encontramos na própria vida de Jesus, pois como relata João, “…o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (Jo.1:14). Assim, o apóstolo Paulo nos desafia: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…” (Fp.2:6-7).
Desta forma, se queremos ver a manifestação da graça de Deus na vida de nossos amigos, precisamos nos conscientizar do desafio em termos o mesmo sentimento que houve em Cristo e nos aproximarmos deliberada e intencionalmente deles. Devemos estar atentos às oportunidades para demonstração de interesse e amor genuíno às pessoas. Elas só estarão abertas para ouvir o que temos a dizer quando sentirem o quanto nos importamos de fato com elas.
No entanto, alguns obstáculos têm impedido a aproximação entre os crentes e as pessoas que diariamente os cercam. Gostaria de apontar apenas dois deles para nossa reflexão:
A falsa concepção de santidade. Ser cristão, como é definido por Jesus, implica em ser sal da terra e a luz do mundo (Mt.5:14-16). Mas, como pode o sal ter efeito se permanecer no saleiro? Ou como pode uma lâmpada cumprir seu papel se for mantida numa prateleira com outras lâmpadas? Quando decidimos por ter uma vida missionária, somos convidados a sair de nossa zona de conforto e segurança que são os amigos da igreja, as conversas dos crentes e as atividades da comunidade, e nos envolver com um mundo estranho e perigoso. Mas mesmo assim Jesus orou: “Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal.” (Jo.17:15).
O ativismo religioso. Tenho notado que a maioria dos casos em que as pessoas se convertem, por um tempo pequeno este crente ele ainda goza de certos relacionamentos com amigos, parentes e vizinhos. Porém, após algum tempo de envolvimento com as constantes atividades da igreja, seu círculo de relacionamentos se restringe apenas aos da fé. Isso significa que as agendas de nossas comunidades estão normalmente tão cheias que dificilmente temos tempo para estar com aqueles que não pertencem a ela.
Assim como Pedro foi desafiado por Deus à aproximação daqueles gentios, Felipe já havia vivenciado experiência semelhante em relação ao eunuco etíope (At.8:26-40) e Paulo ouviria um varão macedônio em sonho lhe dizer: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At.16:9). Mas o maior exemplo deste desafio à aproximação dos homens e mulheres encontramos na própria vida de Jesus, pois como relata João, “…o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (Jo.1:14). Assim, o apóstolo Paulo nos desafia: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…” (Fp.2:6-7).
Desta forma, se queremos ver a manifestação da graça de Deus na vida de nossos amigos, precisamos nos conscientizar do desafio em termos o mesmo sentimento que houve em Cristo e nos aproximarmos deliberada e intencionalmente deles. Devemos estar atentos às oportunidades para demonstração de interesse e amor genuíno às pessoas. Elas só estarão abertas para ouvir o que temos a dizer quando sentirem o quanto nos importamos de fato com elas.
No entanto, alguns obstáculos têm impedido a aproximação entre os crentes e as pessoas que diariamente os cercam. Gostaria de apontar apenas dois deles para nossa reflexão:
A falsa concepção de santidade. Ser cristão, como é definido por Jesus, implica em ser sal da terra e a luz do mundo (Mt.5:14-16). Mas, como pode o sal ter efeito se permanecer no saleiro? Ou como pode uma lâmpada cumprir seu papel se for mantida numa prateleira com outras lâmpadas? Quando decidimos por ter uma vida missionária, somos convidados a sair de nossa zona de conforto e segurança que são os amigos da igreja, as conversas dos crentes e as atividades da comunidade, e nos envolver com um mundo estranho e perigoso. Mas mesmo assim Jesus orou: “Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal.” (Jo.17:15).
O ativismo religioso. Tenho notado que a maioria dos casos em que as pessoas se convertem, por um tempo pequeno este crente ele ainda goza de certos relacionamentos com amigos, parentes e vizinhos. Porém, após algum tempo de envolvimento com as constantes atividades da igreja, seu círculo de relacionamentos se restringe apenas aos da fé. Isso significa que as agendas de nossas comunidades estão normalmente tão cheias que dificilmente temos tempo para estar com aqueles que não pertencem a ela.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Uma Igreja missionária
Estatísticas mais recentes apontam para o fato de que a igreja brasileira representa, hoje, uma das maiores forças mundiais em termos de missões. Todavia, ao olharmos para nossas Igrejas somos obrigados a nos perguntar: Nossas Igrejas são verdadeiramente missionárias ou são igrejas com programa de missões? Em princípio, esta preocupação pode parecer estranha para alguns, mas é importante percebermos que “Igrejas missionárias” são bem distintas de “igrejas com um programa de missões”. A confusão talvez resida no fato de que, apesar de toda comunidade missionária ter um certo programa de missões, nem toda igreja com um programa de missões é, essencialmente, uma comunidade missionária.Uma igreja com um programa de missões pode ser descrita como aquela que tem um grupo de pessoas que cuida das coisas relacionadas a missões, uma parte de seu orçamento mensal é dedicado ao sustento de missionários, e até um final de semana por ano está reservado para uma conferência missionária na igreja. Apesar de tudo isso, ela ainda é apenas uma igreja local com um programa de missões, e não uma comunidade missionária. Mas então, como tornar uma igreja local numa comunidade missionária?

Segundo vimos no evangelho de Mateus, podemos afirmar que as últimas palavras de Jesus à comunidade dos discípulos apontam para o que a IGREJA VIRIA A SER na história a partir do comissionamento recebido (Mt. 28:18-20). Contribui também com tal perspectiva o relato de Atos 1:6-8. Nele, Jesus indica que a comunidade de seus discípulos, posteriormente chamada de igreja, seria uma comunidade essencialmente missionária caracterizada pelo testemunho intencional acerca do evangelho do Reino, seja em Jerusalém, como na Judéia e Samaria, como até nos confins da terra.
Desta forma, o engajamento missionário não se caracterizava como um do programas da igreja, mas como sua própria expressão de vida, razão de ser na história e identidade com a pessoa de Jesus Cristo. Assim, missão não é tido somente como algo que a igreja faz, mas principalmente como algo que a igreja é. (Jo.17:18).
Assim sendo, poderíamos dizer que enquanto a adoção de um programa de missões apenas maquia com sofisticação uma igreja local, mas não lhe garante a identidade de “igreja missionária”, a redescoberta da natureza bíblica da igreja como comunidade de discípulos de Jesus em missão no mundo tem algumas implicações diretas.
· Missão deixa de ser mais um dos programas da comunidade para tornar-se sua própria vida e razão de ser, em torno da qual todas as demais atividades devem fazer sentido.
· A definição de sua própria natureza como missionária leva a igreja local a redefinição de seus propósitos, redimensionamento de suas estruturas e atividades e redistribuição de suas finanças.
· O engajamento missionário deixa de ser responsabilidade de alguns para ser marca de todo aquele que é discípulo de Jesus.
Desta forma, o engajamento missionário não se caracterizava como um do programas da igreja, mas como sua própria expressão de vida, razão de ser na história e identidade com a pessoa de Jesus Cristo. Assim, missão não é tido somente como algo que a igreja faz, mas principalmente como algo que a igreja é. (Jo.17:18).
Assim sendo, poderíamos dizer que enquanto a adoção de um programa de missões apenas maquia com sofisticação uma igreja local, mas não lhe garante a identidade de “igreja missionária”, a redescoberta da natureza bíblica da igreja como comunidade de discípulos de Jesus em missão no mundo tem algumas implicações diretas.
· Missão deixa de ser mais um dos programas da comunidade para tornar-se sua própria vida e razão de ser, em torno da qual todas as demais atividades devem fazer sentido.
· A definição de sua própria natureza como missionária leva a igreja local a redefinição de seus propósitos, redimensionamento de suas estruturas e atividades e redistribuição de suas finanças.
· O engajamento missionário deixa de ser responsabilidade de alguns para ser marca de todo aquele que é discípulo de Jesus.

Segundo as palavras de Jesus em Atos 1:6, seus discípulos receberiam o Espírito Santo e então eles seriam testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Desta forma, é pela ação do Espírito que a igreja se move em e para missões, bem como é pela sua capacitação que o evangelho se faz compreendido e eficaz na vida dos ouvintes (Jo.16:7-10). Logo, fazer missões sem o envolvimento com a pessoa do Espírito Santo de Deus resultará numa comunidade com um programa de missões, mas não numa comunidade genuinamente missionária.
Se observarmos o livro de Atos notaremos que o termo “missões” está relacionado à obra do Espírito. É no Seu poder que Pedro prega no pentecostes (At.2:4,14), é pela Sua ação que Pedro e João testificam no templo e diante do Sinédrio (At.4:8), é Sua capacitação que impulsiona os cristãos primitivos a pregar com intrepidez (At.3:31), é Sua presença na vida de Estevão que o suporta diante do martírio (At.6:5), é pelo Seu mover e confirmação que o evangelho chega aos de Samaria (At.8) e aos da casa de Cornélio (At.10), é sob Sua orientação que Paulo e Barnabé são separados e enviados aos gentios (At.13:2),e é sob Sua direção que as viagens missionárias são conduzidas (At.16:7).
Esta breve e superficial visão já é suficiente para nos levar a questionar: Quanto de nossos programas missionários têm a ver com a ação e o mover do Espírito Santo em nosso meio? Temos nós entendido que o verdadeiro comprometimento e envolvimento com a obra missionária só são possíveis através do comprometimento e envolvimento com a obra do Espírito em nossas vidas e no mundo em que vivemos?
Isso nos faz lembrar o popular cântico evangélico que diz: “Como sairemos de Jerusalém se o Espírito Santo não mover os nossos corações? Como iremos à Judéia ou à Samaria a enfrentar poderes maiores que nós? Oh Senhor, tem misericórdia de nós. Oh Senhor, vem com seu poder sobre nós”.

Com a entrada do pecado no mundo, se instalou no homem um senso de irresponsabilidade para com aqueles que lhe cerca. Exemplo disso encontramos na boca de Caim: “Acaso sou eu tutor de meu irmão ?” (Gn. 4:8). Em contra partida, Deus chama Abraão para que nele todas as nações da terra fossem abençoadas (Gn. 12:2,3). Assim, o chamado, antes de ser um mero privilégio para Abraão, era também uma responsabilidade para com o mundo. A mesma ênfase está nas palavras de Jesus quando comissiona seus discípulos para serem responsáveis no fazer discípulos de todas as nações (Mt. 28:19). Jesus ainda indica que o campo missionário de seus discípulos seria tanto em Jerusalém, como em toda Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At. 1:8).
Três são as barreiras mais comuns para que uma igreja assuma esta responsabilidade para com o mundo que lhe cerca. A primeira está relacionada à própria falta de consciência quanto à responsabilidade. Algumas igrejas vivem como ilhas no oceano. Fazem seus cultos, promovem atividades para as mais diversas faixas etárias e organizam confraternizações visando o bem-estar comunitário. Quando se fala do mundo exterior, o sentimento é de perigo e ameaça. O mundo é algo do qual todo crente deve se manter distante.
Outra barreira se relaciona à interpretação errônea de que Atos 1:6 nos diz para que sejamos testemunhas primeiro em nossa própria Jerusalém, depois em nossa Judéia e Samaria, e aí então nos confins da terra. Igrejas e pessoas que pensam desta forma costumam argumentar: Por que vamos enviar pessoas para evangelizar no Japão se aqui mesmo, em nossa cidade, existe tanta gente sem Jesus?
Uma terceira barreira se levanta quando pessoas ou igrejas, desafiadas pela necessidade mundial e bem intencionadas nas suas disposições, acabam por enfatizar tanto a obra “nos confins da terra” que se esquecem de que seu chamado missionário envolve também sua Jerusalém e regiões circunvizinhas. Igrejas induzidas por este pensamento muitas vezes se sentem cumpridoras de seu dever por sustentarem missionários em outras partes do mundo quando seu próprio rol de membros permanece inalterado há anos.
Uma comunidade genuinamente missionária é aquela que assume sua responsabilidade de testemunhar através de sua presença, suas palavras e seu serviço ao mundo que a cerca, tanto em sua própria Jerusalém, como em sua Judéia e Samaria, e até nos confins da terra. Uma igreja missionária marca sua passagem pela história, glorificando assim o nome de Deus, tanto em seu bairro, como no interior de seu país, como também nos confins da terra.
Três são as barreiras mais comuns para que uma igreja assuma esta responsabilidade para com o mundo que lhe cerca. A primeira está relacionada à própria falta de consciência quanto à responsabilidade. Algumas igrejas vivem como ilhas no oceano. Fazem seus cultos, promovem atividades para as mais diversas faixas etárias e organizam confraternizações visando o bem-estar comunitário. Quando se fala do mundo exterior, o sentimento é de perigo e ameaça. O mundo é algo do qual todo crente deve se manter distante.
Outra barreira se relaciona à interpretação errônea de que Atos 1:6 nos diz para que sejamos testemunhas primeiro em nossa própria Jerusalém, depois em nossa Judéia e Samaria, e aí então nos confins da terra. Igrejas e pessoas que pensam desta forma costumam argumentar: Por que vamos enviar pessoas para evangelizar no Japão se aqui mesmo, em nossa cidade, existe tanta gente sem Jesus?
Uma terceira barreira se levanta quando pessoas ou igrejas, desafiadas pela necessidade mundial e bem intencionadas nas suas disposições, acabam por enfatizar tanto a obra “nos confins da terra” que se esquecem de que seu chamado missionário envolve também sua Jerusalém e regiões circunvizinhas. Igrejas induzidas por este pensamento muitas vezes se sentem cumpridoras de seu dever por sustentarem missionários em outras partes do mundo quando seu próprio rol de membros permanece inalterado há anos.
Uma comunidade genuinamente missionária é aquela que assume sua responsabilidade de testemunhar através de sua presença, suas palavras e seu serviço ao mundo que a cerca, tanto em sua própria Jerusalém, como em sua Judéia e Samaria, e até nos confins da terra. Uma igreja missionária marca sua passagem pela história, glorificando assim o nome de Deus, tanto em seu bairro, como no interior de seu país, como também nos confins da terra.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
O desafio urbano
Em Mateus 13 encontramos nas analogias que Jesus apresenta da “árvore que acolhe os pássaros cansados” e do “fermento que leveda toda a massa” duas interessantes estratégias missionária para a Igreja na cidade:


Depois da fundação da primeira igreja no Rio de Janeiro (1862) e da segunda em São Paulo (1865), o presbiterianismo brasileiro cresceu tanto nos seus primeiros 35 anos que levou a Igreja Presbiteriana ser, na virada do século, a maior Igreja Protestante no Brasil.
Alguns fatores contribuíram decisivamente para esta efetividade:
A proximidade da população.
Em 1872 apenas 5,9% da população brasileira estava nas cidades e sob a forte tutela do catolicismo romano. No entanto, mais de 94% da população era rural e marginalizada economicamente. Nesse contexto rural a IPB cresce oferecendo educação em seus templos e espaços comunitários.
A centralidade do trabalho leigo.
O trabalho contava com uma liderança capacitadora que contribuía para o surgimento e treinamento de liderança leiga. No leste de Minas, região onde o presbiterianismo mais cresce, líderes treinados e aprovados foram ordenados sem passarem pela educação teológica formal de um Seminário.
A flexibilidade estrutural.
Tão logo quanto se percebeu a receptividade da mensagem protestante entre a população rural, os esforços e estratégias missionárias foram alteradas. Devido às grandes distâncias, não era possível a organização de igrejas locais com toda estrutura convencional, por isso as comunidades contavam com um mínimo de estrutura e um máximo de relacionamentos.

Começando na década de 30, o Brasil vive um rápido processo de urbanização. Se em 1920 apenas 10,7% de sua população estava nas cidades, em 1991, chega a mais de 75%.

Interessante notar que durante o processo de urbanização do Brasil, o crescimento da IPB se apresenta inversamente proporcional a esta realidade. Como vemos no gráfico, enquanto na década de 1917 a 1927 o crescimento da IPB era superior a 80%, na década de 1947 a 1957 seu crescimento foi de aproximadamente 30%. Desde então, nunca mais a IPB alcançou o mesmo índice de crescimento.
Interessante destacar que o estilo do presbiterianismo urbano se torna justamente o oposto do perfil que levou a IPB a ser, na virada do século, a maior denominação de missão no Brasil. Além disso, as mesmas características abandonadas pela IPB na cidade, foram aquelas que levaram as Assembléias de Deus e as Igrejas Batistas ao rápido desenvolvimento nas áreas urbanas.

A tensão entre pastores nacionais e missionários estrangeiros contribuiu para uma falsa distinção entre os conceitos “igreja” e “missão”. Com a finalidade de amenizar as tensões entre nacionais e estrangeiros foi criado, em 1917, o Plano Brasil. De acordo com o plano, enquanto as “missões” eram responsáveis pela expansão em áreas distantes e pouco populosas, a “Igreja” era responsável pela manutenção dos trabalhos já estabelecidos nas cidades.
Desde então, a obra missionária foi sempre vista como algo a ser feito em lugares distantes. A relação da igreja local urbana com missões se restringe, quando muito, a orações, contribuições financeiras e envio de jovens aos “campos missionários”. Assim, a igreja urbana quase sempre se vê apenas como um suporte para aqueles que “fazem missão”, mas não como uma comunidade em missão.

Tendo em vista que o crescimento presbiteriano inicial se deu na região rural do país, por um lado, pouquíssimos homens correspondiam às exigências mínimas para adentrar num curso de formação teológica. Cerca de 85% da população era analfabeta. Por outro lado, para aqueles que vinham do interior para o Seminário, a formação teológica de nível superior tornava-se uma rota de ascensão social para a classe média minoritária brasileira.
Assim parece que treinar obreiros profunda e eficazmente sem que estes se tornem indivíduos profissionais do púlpito se caracteriza como um dos grandes desafios urbanos de nossos dias.


A árvore que acolhe os pássaros - ACOLHER
Cercada por pessoas cansadas e feridas, a igreja local deve assumir seu papel como lugar de restauração de forças físicas, emocionais e espirituais na cidade. Projetos variados podem ser criados em ordem de assistir às pessoas que vivem na cidade. O alvo destes projetos pode ser a assistência de grupos tais como Homens, mulheres e crianças de rua, Mães solteiras, Desempregados, Divorciados, Vítimas de violência, Viciados em drogas, Alcoólatras, Sem-terras, Deficientes, etc.
O fermento que leveda toda a massa - INFLUENCIAR
Este tipo de ação distingue a igreja local de qualquer instituição assistencial. Enquanto o “acolher” lida com os sintomas, o “influenciar” ataca as causas da opressão e injustiça presente na cidade. A igreja deve incentivar seus membros a se envolverem na sociedade com o firme propósito de serem ali LUZ e SAL. Jovens, homens e mulheres precisam ser conscientizados de que, onde quer que estejam eles estão ali como cidadãos do Reino.
Mas, como a Igreja Presbiteriana do Brasil tem se portado no decorrer da história?
Cercada por pessoas cansadas e feridas, a igreja local deve assumir seu papel como lugar de restauração de forças físicas, emocionais e espirituais na cidade. Projetos variados podem ser criados em ordem de assistir às pessoas que vivem na cidade. O alvo destes projetos pode ser a assistência de grupos tais como Homens, mulheres e crianças de rua, Mães solteiras, Desempregados, Divorciados, Vítimas de violência, Viciados em drogas, Alcoólatras, Sem-terras, Deficientes, etc.
O fermento que leveda toda a massa - INFLUENCIAR
Este tipo de ação distingue a igreja local de qualquer instituição assistencial. Enquanto o “acolher” lida com os sintomas, o “influenciar” ataca as causas da opressão e injustiça presente na cidade. A igreja deve incentivar seus membros a se envolverem na sociedade com o firme propósito de serem ali LUZ e SAL. Jovens, homens e mulheres precisam ser conscientizados de que, onde quer que estejam eles estão ali como cidadãos do Reino.
Mas, como a Igreja Presbiteriana do Brasil tem se portado no decorrer da história?

Depois da fundação da primeira igreja no Rio de Janeiro (1862) e da segunda em São Paulo (1865), o presbiterianismo brasileiro cresceu tanto nos seus primeiros 35 anos que levou a Igreja Presbiteriana ser, na virada do século, a maior Igreja Protestante no Brasil.
Alguns fatores contribuíram decisivamente para esta efetividade:
A proximidade da população.
Em 1872 apenas 5,9% da população brasileira estava nas cidades e sob a forte tutela do catolicismo romano. No entanto, mais de 94% da população era rural e marginalizada economicamente. Nesse contexto rural a IPB cresce oferecendo educação em seus templos e espaços comunitários.
A centralidade do trabalho leigo.
O trabalho contava com uma liderança capacitadora que contribuía para o surgimento e treinamento de liderança leiga. No leste de Minas, região onde o presbiterianismo mais cresce, líderes treinados e aprovados foram ordenados sem passarem pela educação teológica formal de um Seminário.
A flexibilidade estrutural.
Tão logo quanto se percebeu a receptividade da mensagem protestante entre a população rural, os esforços e estratégias missionárias foram alteradas. Devido às grandes distâncias, não era possível a organização de igrejas locais com toda estrutura convencional, por isso as comunidades contavam com um mínimo de estrutura e um máximo de relacionamentos.

Começando na década de 30, o Brasil vive um rápido processo de urbanização. Se em 1920 apenas 10,7% de sua população estava nas cidades, em 1991, chega a mais de 75%.

Interessante notar que durante o processo de urbanização do Brasil, o crescimento da IPB se apresenta inversamente proporcional a esta realidade. Como vemos no gráfico, enquanto na década de 1917 a 1927 o crescimento da IPB era superior a 80%, na década de 1947 a 1957 seu crescimento foi de aproximadamente 30%. Desde então, nunca mais a IPB alcançou o mesmo índice de crescimento.
Interessante destacar que o estilo do presbiterianismo urbano se torna justamente o oposto do perfil que levou a IPB a ser, na virada do século, a maior denominação de missão no Brasil. Além disso, as mesmas características abandonadas pela IPB na cidade, foram aquelas que levaram as Assembléias de Deus e as Igrejas Batistas ao rápido desenvolvimento nas áreas urbanas.

A tensão entre pastores nacionais e missionários estrangeiros contribuiu para uma falsa distinção entre os conceitos “igreja” e “missão”. Com a finalidade de amenizar as tensões entre nacionais e estrangeiros foi criado, em 1917, o Plano Brasil. De acordo com o plano, enquanto as “missões” eram responsáveis pela expansão em áreas distantes e pouco populosas, a “Igreja” era responsável pela manutenção dos trabalhos já estabelecidos nas cidades.
Desde então, a obra missionária foi sempre vista como algo a ser feito em lugares distantes. A relação da igreja local urbana com missões se restringe, quando muito, a orações, contribuições financeiras e envio de jovens aos “campos missionários”. Assim, a igreja urbana quase sempre se vê apenas como um suporte para aqueles que “fazem missão”, mas não como uma comunidade em missão.

Tendo em vista que o crescimento presbiteriano inicial se deu na região rural do país, por um lado, pouquíssimos homens correspondiam às exigências mínimas para adentrar num curso de formação teológica. Cerca de 85% da população era analfabeta. Por outro lado, para aqueles que vinham do interior para o Seminário, a formação teológica de nível superior tornava-se uma rota de ascensão social para a classe média minoritária brasileira.
Assim parece que treinar obreiros profunda e eficazmente sem que estes se tornem indivíduos profissionais do púlpito se caracteriza como um dos grandes desafios urbanos de nossos dias.

Falar em rápido crescimento da taxa de urbanização do Brasil durante as últimas décadas é também falar do aumento de taxas relacionadas a criminalidade, violência, prostituição, desemprego, miséria, abandono de crianças, desabrigados, epidemias e doenças emocionais.
Na cidade, o pecado humano se torna mais visível e a corrupção da sociedade mais presente. Assim, a missão da igreja urbana deve gerar não só a conversão dos cidadãos, mas também produzir a transformação das estruturas de opressão e de injustiça que os envolvem.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A natureza e a missão de Deus

Vivemos num mundo científico no qual estamos sempre procurando respostas baseadas na relação de "causa e efeito". Desta forma, não são poucos os cristãos que olham para o primeiro capítulo de Gênesis tentando comprovar cientificamente que o mundo foi criado por Deus em resposta a tantas idéias em relação ao início da vida, tais como o surgimento do mundo através de uma explosão ou mesmo através do desenvolvimento das espécies.

Seria o objetivo central do relato de Gênesis a refutação da argumentação científica? Visava o escritor original responder ao homem do Séc. XX? O que pretendia o autor com seu relato? Se observarmos atentamente o primeiro capítulo de Gênesis e entendermos para quem foi escrito inicialmente, perceberemos a missão de Deus naquelas palavras, pois o relato da criação confronta toda visão de mundo da época declarando que apenas um Deus criou todas as coisas e, portanto, é o Rei do universo.
Assim, ao declarar no verso 2 que o Espírito de Deus pairava por sobre as águas e no verso 6 que Deus fez separação entre águas e águas o autor coloca Yam - Águas (deus babilônico) como sujeito ao Deus Criador mesmo antes da fundação do mundo.
Da mesma forma, ao citar no verso 3 que disse Deus: Haja luz; e houve luz, sendo que o Shemesh - Sol (deus egípcio), lua e estrelas só viriam a ser criados no quarto dia (1:14-19), o autor revela a insignificância destes astros adorados pelos povos vizinhos.
E ainda, ao mencionar a criação da porção seca a qual chamou Deus Terra (1:9-10) e a ordem de Deus para que esta fosse produtiva e sua conseqüente obediência (1:11-12), o autor revela que a fertilidade não é produzida por Baal (deus cananeu), mas pelo próprio Deus criador de todas as coisas.
Assim, ao declarar no verso 2 que o Espírito de Deus pairava por sobre as águas e no verso 6 que Deus fez separação entre águas e águas o autor coloca Yam - Águas (deus babilônico) como sujeito ao Deus Criador mesmo antes da fundação do mundo.
Da mesma forma, ao citar no verso 3 que disse Deus: Haja luz; e houve luz, sendo que o Shemesh - Sol (deus egípcio), lua e estrelas só viriam a ser criados no quarto dia (1:14-19), o autor revela a insignificância destes astros adorados pelos povos vizinhos.
E ainda, ao mencionar a criação da porção seca a qual chamou Deus Terra (1:9-10) e a ordem de Deus para que esta fosse produtiva e sua conseqüente obediência (1:11-12), o autor revela que a fertilidade não é produzida por Baal (deus cananeu), mas pelo próprio Deus criador de todas as coisas.

Entendido dentro de seu contexto original, Gênesis 1 ganha uma profunda força missiológica, pois entendemos que o objetivo primeiro do autor era afirmar que Deus é o Criador de tudo e de todos, portanto, o único Deus digno de ser adorado. Desta forma, o primeiro capítulo de Gênesis representa um verdadeiro desmascarar dos falsos deuses como Yam (Águas), Baal (Fertilidade da Terra), Shemesh (Sol), entre outros, reverenciados pelos povos contemporâneos de Israel.
Na história do Povo de Israel podemos ver por inúmeras vezes o embate entre Deus contra os deuses dos povos vizinhos. Ao tornar as águas do rio Nilo em sangue, Deus mostrou claramente ser maior que o deus babilônico yam “águas” (Gn 1.2, 6 e 10; Ex 7)
Ao determinar 3 anos de seca no reinado do rei Acabe (adorador de baal), Deus deixou claro que a fertilidade da terra não é produzida por baal, mas pelo próprio Deus (Gn 1.1 e 11; 1 Rs 17.1 e 18.1)
Ao deter o sol na guerra contra os amorreus Deus não deixou dúvidas quanto ao seu poder sobre o deus egípcio shemesh “sol” (Gn 1.16; Js 10.14)
Diante de tudo isso, o alerta de Deus para seu povo era: “Guarda-te não levantes os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, sejas seduzido a inclinar-te perante eles e dês culto àqueles, coisas que o SENHOR, teu Deus, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.” Dt 4:19

Restaurar o ser humano – Sendo Deus o criador de tudo e de todos, seu plano redentor na história da humanidade se torna uma ação de direito e não uma agressão a um mundo existente. O projeto de redenção é iniciativa do próprio criador em resgatar sua criação e, em especial, o ser humano criado por Ele, segundo Sua própria imagem e semelhança, para viver em intima relação com Ele. “Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes?” (Is 45.9)
Reinar sobre as nações – Sendo Deus o Criador de tudo e de todos, não quer ser reconhecido apenas como Rei de Israel ou da Igreja, mas sim como Rei das nações e Senhor de todas as coisas criadas. Em Seu eterno e soberano propósito, Deus planejou todas as coisas para que na consumação da história Sua glória encha todas as coisas e toda língua confesse ser Ele o Senhor. (Fp 2.11)
Sendo Deus o Criador de tudo e de todos, o ponto de partida para a evangelização não é a negação dos deuses e crenças que envolvem a vida das pessoas, mas a revelação daquele que é soberano sobre tudo e todos.
Reinar sobre as nações – Sendo Deus o Criador de tudo e de todos, não quer ser reconhecido apenas como Rei de Israel ou da Igreja, mas sim como Rei das nações e Senhor de todas as coisas criadas. Em Seu eterno e soberano propósito, Deus planejou todas as coisas para que na consumação da história Sua glória encha todas as coisas e toda língua confesse ser Ele o Senhor. (Fp 2.11)
Sendo Deus o Criador de tudo e de todos, o ponto de partida para a evangelização não é a negação dos deuses e crenças que envolvem a vida das pessoas, mas a revelação daquele que é soberano sobre tudo e todos.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Vida e obra de Jesus: Modelo para a Igreja

A intenção de Jesus era que sua vida e obra se tornasse modelo para compreensão da igreja sobre o seu papel no mundo. Desta forma, gostaria de sugerir três características básicas do ministério de Jesus, as quais devem moldar a vida e a missão da comunidade que se diz enviada ao mundo por Ele.

No princípio do evangelho de João encontramos uma das mais impressionantes declarações de toda a Bíblia: “o Verbo se tornou carne e habitou entre nós”. (Jo 1.14). Em outras palavras, o Deus missionário se tornou um dentre nós (Mt 1.22-23).
Deus se fez homem, nasceu numa pequena vila chamada Belém, foi criado dentro dos valores culturais judaicos por uma família de Nazaré, mais tarde andou pelas ruas empoeiradas das vilas e povoados da Palestina, esteve cercado por pessoas dos mais variados tipos, encontrou espaço para ouvi-los, participou de suas festividades populares e religiosas e compartilhou de suas dores e sofrimentos. O Deus encarnado estava sempre lá, se envolvendo com a história daqueles que o cercavam. Por não evitar as pessoas, as situações e os lugares, Ele sabia como anunciar sua mensagem e como agir de forma que suas palavras e suas ações fizessem sentido aos corações de seus contemporâneos.
O texto de Fp 2.5-8 desafia a igreja a pensar na encarnação de Jesus como um modelo a ser imitado. Através de sua encarnação, Jesus renuncia seu status de “ser igual a Deus”. Como conseqüência direta desta renúncia, Jesus abre mão de sua imunidade expondo-se a tentações, limitações físicas, desgastes emocionais, dificuldades financeiras, decepções, dores, entre outras coisas. Renunciando a estas coisas Jesus escolheu ser entre nós aquele que serve e não o que é servido (Lc 22.27). Ele decidiu identificar-se com homens e mulheres em suas necessidades visando oferecer-lhes o caminho divino. Encarnação fala de aproximação do mundo e das pessoas, do seu cheiro e de seu gosto, de sua dor e de seu sofrimento. Foi este o modelo deixado por Jesus para nós como igreja. Ele não sobrevoou o mundo dos homens, ele viveu entre nós. Ele não sentiu o cheiro deste mundo, ele teve este cheiro. Ele não presenciou nossa dor, ele a sentiu (e como sentiu!).
Sei que tal proximidade e identificação da igreja com os homens e mulheres gera em muitos certa preocupação. O medo destes é de que ao aproximar-se do mundo dos homens e mulheres que lhe cercam, a igreja acabe por perder sua própria identidade. É bom lembrarmos que Jesus, em sua tarefa, envolveu-se com os pecadores, não com seu pecado. A igreja, em sua história, muitas vezes participou dos pecados dos pecadores (orgulho, egoísmo, cobiça), afastando-se, porém, dos pecadores. Assim como Cristo aproximou-se de nós, tomando nossa forma, a fim de nos reconciliar com o Pai, nós como igreja devemos nos aproximar do mundo que nos cerca, identificando-nos com os homens e mulheres que nele vivem, com o propósito de fazermos diferença em suas vidas.

De acordo com o evangelista Marcos, Jesus inicia seu ministério afirmando: “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Desta forma, a proclamação verbal do reino torna-se uma marca essencial e um valor inegociável na missão de Jesus. Desde o início de seu ministério encontramos a afirmação “Daí por diante passou Jesus a pregar…” (Mt 4.17). Mais tarde, ele envia seus discípulos ordenando “pregai que está próximo o reino dos céus” (Mt 10.7).
Por um lado, o anúncio verbal do reino de Deus é feito como boas novas. Jesus descreve o reino como um tesouro de valor inestimável diante do qual tudo o que um homem possui se torna dispensável (Mt 13.44). Por outro lado, o anúncio verbal do reino em Jesus está associado à ênfase de que aqueles que abraçam estas boas novas não estão somente debaixo dos benefícios do reino, mas também debaixo do chamado para o arrependimento e para a obediência. Isto implica na reorientação completa da vida à luz das prioridades e valores do reino. De acordo com Jesus, se alguém quer segui-lo “a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz” (Lc 9.23).
Como Igreja precisamos nos posicionar com humildade diante das injustiças, mentiras e cultura pecaminosa de nossos dias sem, contudo, nos esquecer de apresentar sinais do reino em nosso estilo de vida. Se em Romanos 14.17 encontramos que o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo, onde estão os cristãos engajados na luta pela justiça em nossa cidade? Onde estão os cristãos defensores e mobilizadores da paz em nossos bairros violentos? Onde estão os cristãos promotores de uma alegria real na vida das tão sofridas famílias de nossas ruas?
Como Igreja precisamos renovar nosso compromisso com o anúncio verbal do Reino e com a manifestação do Reino em toda sua inteireza, a fim de que o crescimento do Reino em nossa cidade seja percebido não só nas estatísticas do IBGE, mas na vida daqueles que se dizem cidadãos do Reino e das Igrejas que chamam Jesus por Senhor, nas mais diferentes esferas e frentes de nossa sociedade.

De acordo com os relatos do Novo Testamento, a missão de Jesus sempre se encontra intimamente relacionada à presença e ação do Espírito Santo de Deus. Foi pelo Espírito Santo que Jesus: 1) foi concebido (Mt 1.18); 2) foi confirmado como filho de Deus (Mt 3.16-17); 3) foi guiado para o deserto para ser tentado (Mt 4.1); 4) revelou os segredos do reino (Mt 16.17) e 5) foi levantado dentre os mortos (Rm 8.11). Portanto, não podemos falar acerca da missão de Jesus sem falar da presença e do ministério do Espírito Santo.
Em suas últimas palavras (At 1.8) Jesus promete o Espírito que haveria de capacitar e impulsionar a Igreja no exercício da missão. Foi sob a ação do Espírito que: 1) os discípulos anunciaram o evangelho em Jerusalém (At 2.4,14); 2) em Samaria (At 8.5,14-17); 3) Felipe deixou Samaria para evangelizar no deserto (At 8); 4) Pedro foi ao encontro de Cornélio (At 10); Paulo e Barnabé foram separados e enviados na primeira missão oficial entre os gentios (At 13.1,2). As viagens missionárias foram conduzidas (At 16.7).
Com base nessa verdade precisamos reconhecer que a missão, muito antes de tarefa da igreja, é obra de nosso próprio Deus no mundo. Parece-me então que a confiança no Espírito Santo como capacitador e articulador da missão deve nos levar como Igreja a um constante espírito de humildade e questionamento interior: A motivação final das atividades que realizamos é a missão de Deus? Diante dos projetos para crescimento da Igreja temos nos deixado tomar pelo excesso de confiança em nós mesmos? Em meio a muitas atividades, perdemos de vista o fato de que a obra não é nossa, mas de Deus? Nossa eficiência demonstrada em números é sempre sinônimo de fidelidade à voz do Espírito?
O desafio aqui lançado não pode ser confundido com um simples “não ter programas”, “não ter estratégias”, ou mesmo “não estabelecer metas”. Muito pelo contrário. Vemos o apóstolo Paulo planejando sua ação missionária com destino a Roma e estabelecendo igrejas de forma estratégica no mundo de então. No entanto, o perigo está em confundirmos os mecanismos de análise de eficiência das técnicas e estratégias gerenciais com a avaliação de fidelidade diante da missão dada por Deus.
No ministério de Jesus, muitas vezes diante de multidões, o Espírito direciona a atenção de Jesus a um marginalizado à beira do caminho com o qual os líderes das massas não queriam qualquer associação pelos prejuízos com a imagem (João 9). No desenvolvimento da igreja em Atos dos Apóstolos, o mesmo Espírito que direciona os esforços dos discípulos para Samaria e faz ali uma tremenda obra, numericamente falando, conduz Filipe para um lugar deserto para evangelizar um só homem. Assim, a lógica do Espírito não é a mesma dos programas e estratégias gerenciais que usam como critério de medição a “eficiência”. O Espírito trata-nos a partir da “fidelidade”.
Em suas últimas palavras (At 1.8) Jesus promete o Espírito que haveria de capacitar e impulsionar a Igreja no exercício da missão. Foi sob a ação do Espírito que: 1) os discípulos anunciaram o evangelho em Jerusalém (At 2.4,14); 2) em Samaria (At 8.5,14-17); 3) Felipe deixou Samaria para evangelizar no deserto (At 8); 4) Pedro foi ao encontro de Cornélio (At 10); Paulo e Barnabé foram separados e enviados na primeira missão oficial entre os gentios (At 13.1,2). As viagens missionárias foram conduzidas (At 16.7).
Com base nessa verdade precisamos reconhecer que a missão, muito antes de tarefa da igreja, é obra de nosso próprio Deus no mundo. Parece-me então que a confiança no Espírito Santo como capacitador e articulador da missão deve nos levar como Igreja a um constante espírito de humildade e questionamento interior: A motivação final das atividades que realizamos é a missão de Deus? Diante dos projetos para crescimento da Igreja temos nos deixado tomar pelo excesso de confiança em nós mesmos? Em meio a muitas atividades, perdemos de vista o fato de que a obra não é nossa, mas de Deus? Nossa eficiência demonstrada em números é sempre sinônimo de fidelidade à voz do Espírito?
O desafio aqui lançado não pode ser confundido com um simples “não ter programas”, “não ter estratégias”, ou mesmo “não estabelecer metas”. Muito pelo contrário. Vemos o apóstolo Paulo planejando sua ação missionária com destino a Roma e estabelecendo igrejas de forma estratégica no mundo de então. No entanto, o perigo está em confundirmos os mecanismos de análise de eficiência das técnicas e estratégias gerenciais com a avaliação de fidelidade diante da missão dada por Deus.
No ministério de Jesus, muitas vezes diante de multidões, o Espírito direciona a atenção de Jesus a um marginalizado à beira do caminho com o qual os líderes das massas não queriam qualquer associação pelos prejuízos com a imagem (João 9). No desenvolvimento da igreja em Atos dos Apóstolos, o mesmo Espírito que direciona os esforços dos discípulos para Samaria e faz ali uma tremenda obra, numericamente falando, conduz Filipe para um lugar deserto para evangelizar um só homem. Assim, a lógica do Espírito não é a mesma dos programas e estratégias gerenciais que usam como critério de medição a “eficiência”. O Espírito trata-nos a partir da “fidelidade”.
quarta-feira, 25 de março de 2009
A escolha e o chamado de Abraão

A história de Israel tem seu início em Gênesis 12:1-3 quando Deus escolhe e chama Abraão com a finalidade de fazer, a partir dele, uma nova e grande nação. Embora esta promessa tenha colocado Abraão e seus descendentes num papel de grande visibilidade e importância na história da salvação, uma análise mais cuidadosa do evento que envolve sua eleição e chamado pode nos oferecer uma visão mais precisa acerca dos propósitos de Deus para com esta nova e grande nação que viria a surgir.

Primeiramente, a eleição e o chamado de Abraão são inteiramente frutos da ação graciosa de Deus. Como Hedlund observa, sendo Abraão um arameu de ascendência pagã (Gênesis 11:26-29) e originário de uma família idólatra (Josué 24:2), ele não poderia ter qualquer mérito na escolha de Deus.[1] Abraão e seus descendentes deveriam lembrar-se constantemente que sua eleição e chamado não se baseavam em seus próprios méritos, mas na iniciativa de Deus em amá-los e chamá-los dentre as nações (Deuteronômio 7:6-8). Como Berkouwer afirma, “esta imerecida eleição excluía desde o princípio toda autoconfiança e toda pretensão dela derivada.”[2]
[1] Roger E. Hedlund, The Mission of the Church in the World (Grand Rapids: Baker Book House, 1991), 37
[2] G. C. Berkouwer, Studies in Dogmatics: The Church (Grand Rapids: Eerdmans, 1976), 403

Em segundo lugar, uma vez que a eleição e o chamado de Abraão apontam para a graça de Deus, esta eleição e este chamado são para ser entendidos não como um mero privilégio, mas como uma responsabilidade para com as nações da terra.[1] A eleição é um chamado para o serviço e envolve o dever de testemunhar entre as nações.[2] Abraão e sua descendência foram comissionados para ser canal pelo qual outras nações seriam abençoadas. O mesmo Deus que abençoa Abraão também o comissiona para ser o instrumento de sua benção a todas as famílias da terra. Portanto, a eleição e o chamado não poderiam ser entendidos por Abraão e sua descendência como benefícios para seu próprio conforto e satisfação, mas para o serviço às nações junto a missão de Deus na história humana. Enfatizando isso, Newbigin escreve:
"Aqueles que são escolhidos para serem portadores das bênçãos, são escolhidos em favor de todos… Novamente deve ser dito que eleição é para responsabilidade e não para privilégio… A Bíblia está cheia de referências ao propósito de Deus em abençoar todas as nações… há um processo de seleção: poucos são escolhidos para serem portadores do seu propósito; eles são escolhidos, não para benefício próprio, mas em favor de todos." [3]
Assim, podemos afirmar que a eleição e o chamado do povo de Deus no Velho Testamento têm sua base no propósito intencional, universal e missionário de Deus na história da humanidade.[4] Apesar de que o modo através do qual Israel viria a ser usado é desenvolvido ao longo da história da salvação, em Gênesis 12 podemos encontrar em forma embrionária a natureza e propósito do povo de Deus no mundo.
[1] Blauw, 23, e Hedlund, 37
[2] Verkuyl, 94
[3] Lesslie Newbigin, The Open Secret (Grand Rapids: Eerdmans, 1995), 32-34. Ênfase do autor.
[4] Por “propósito universal de Deus” não quero dizer “salvação universal” sem a necessária resposta e compromisso de fé. Refiro-me aqui à intenção de Deus em levar a mensagem de reconciliação para todas as nações da terra.

Em terceiro lugar, a eleição e o chamado de Abraão são manifestações da graça de Deus para com um povo, mas visando todos os povos da terra e não somente aos povos vizinhos de Israel. O contexto no qual Gênesis 12 está inserido, nos oferece um significado amplo e universal para o ato de Deus. Como Carriker demonstra, em Gênesis 12 encontramos a resposta de Deus para a dispersão humana (Gênesis 11:1-9), a qual é também o clímax da história universal (Gênesis 1-11).[1] Assim, podemos concordar com Blauw ao afirmar que toda a história de Israel nada mais é do que a continuação do interesse de Deus para com as nações, e portanto, a história de Israel pode ser entendida somente a partir do problema não resolvido na relação entre Deus e todas as nações.[2]
Desta forma, ao eleger e chamar Abraão, Deus não está lidando apenas com um homem ou um povo, mas com toda a criação e com toda humanidade. Através da escolha de Abraão, Deus está traçando o caminho para redimir todas as nações da terra. Como Verkuyl afirma que através de Israel, Deus prepara o caminho para alcançar Seus objetivos de abraçar o mundo. Escolhendo Israel, como um segmento de toda a humanidade, Deus nunca tira seus olhos das outras nações; Israel é a minoria chamada para servir à maioria.[3]
Desta forma, ao eleger e chamar Abraão, Deus não está lidando apenas com um homem ou um povo, mas com toda a criação e com toda humanidade. Através da escolha de Abraão, Deus está traçando o caminho para redimir todas as nações da terra. Como Verkuyl afirma que através de Israel, Deus prepara o caminho para alcançar Seus objetivos de abraçar o mundo. Escolhendo Israel, como um segmento de toda a humanidade, Deus nunca tira seus olhos das outras nações; Israel é a minoria chamada para servir à maioria.[3]
[1] Timóteo Carriker, Missão Integral (São Paulo: Editora Sepal, 1992), 45
[2] Blauw, 19. O Deus que escolheu Abraão em Gênesis 12 é o mesmo único e poderoso Deus que no princípio criou os céus e a terra (Gênesis 1,2), que criou o homem à sua própria imagem como o centro de toda a criação (Gênesis 1,2), que prometeu, depois da queda humana, que um descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3), que enviou o dilúvio sobre a terra, que estabeleceu uma aliança com Noé e seus descendentes (Gênesis 5-10) e que dispersou as nações em Babel (Gênesis 11). De acordo com Blauw, a ligação entre o que é conhecido por Urgeschichte (Gênesis 1-11) e a origem de Israel (Gênesis 12) é convincentemente demonstrada por Gerhard Von Rad em Old Testament Theology Vol I (New York: Harper & Brothers, 1962), 136-175.
[3] J. Verkuyl, Contemporary Missiology: An Introduction (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), 91-92
quarta-feira, 18 de março de 2009
Introdução
Alguns autores distinguem o termo “missão” e “missões”. Enquanto o primeiro refere-se à atividade do Pai, do Filho e do Espírito Santo no mundo (Missio Dei), o segundo se refere ao engajamento da igreja nesta “missão” (Missio Ecclesiea) Desta forma, “missão” não tem como sua fonte a “igreja”, mas o Deus trino.
O documento final da conferência de Willingen (1952) já afirma: “O movimento missionário do qual somos parte, tem sua própria fonte no Deus trino.” Mas segundo Verkuyl, a igreja demonstra estar engajada com a missão de Deus na história da humanidade quando, em comunhão com Cristo e direcionada pelo Espírito Santo, demonstra os frutos do amor a Deus e aos homens.[1]
Mas existe possibilidade da Igreja não estar engajada com a missão de Deus no mundo? Segundo o documento final da conferência de Cidade do México “não há participação em Cristo sem participação em sua missão”.[2] Logo, igreja sem missão não é definitivamente Igreja.
[1] J. Verkuyl, Contemporary Missiology: An Introduction (Grand Rapids: Eerdmans, 1978) 4
[2] Op.cit., 4

‘Missão’ descreve tudo o que a igreja é enviada ao mundo para fazer. ‘Missão’ abrange a vocação dupla de serviço da igreja, para ser ‘sal da terra’ e a ‘luz do mundo’.[1]
Aqui, a visão de “missão” de Stott não demonstra preocupação com a distinção entre o conceito no singular e plural. Sua preocupação maior é quanto ao conteúdo da missão. Por dupla vocação devemos entender o pensamento de Lausanne de que a evangelização e a responsabilidade social são dois braços da missão da Igreja.[2]
[1] Carriker, 4.
[2] Ver Lausanne, Evangelização e Responsabilidade Social, (São Paulo: ABU e Visão Mundial, 1983).

Missão tem a ver com atravessar fronteiras…
As fronteiras podem ser étnicas, culturais, geográficas, religiosas, ideológicas ou sociais.
É a tarefa da igreja em movimento, a igreja que vive para os outros, a igreja que está preocupada não somente consigo mesma, mas se vira ‘às avessas’ para o mundo[1]… Missão ocorre onde a igreja, no seu desenvolvimento total com o mundo e compreensividade de sua mensagem, dá testemunho por palavra e ação na forma de um servo, com referência à descrença, exploração, discriminação e violência, mas também com referência à salvação, cura, libertação, reconciliação e retidão…
Evangelização é mais que um mero segmento de missão… é antes, uma dimensão essencial de missão. É o âmago da missão cristã para o mundo…[2]
[1] Dietrich Bonhoeffer diz que “a igreja só é igreja quando o é para os de fora.”
[2] Carriker, 4-5.
A missão acontece entre a igreja, o evangelho e o mundo. Nesse sentido, somos convidados a repensar nossa visão tradicional que, sutilmente, pressupõe o evangelho como algo que a igreja tem e não como uma força que atua tanto na igreja como no mundo. Apesar da proclamação verbal do evangelho ser responsabilidade exclusiva da igreja, a ação poderosa que faz com que corações estejam preparados para o evangelho transcendem, em muito, a ação da igreja.
Exemplo disso podemos observar nos relatos de Atos 8, no encontro entre Filipe e o oficial etíope, e em Atos 10, no episódio envolvendo Pedro e Cornélio. Em ambos os casos, antes mesmo de Filipe e Pedro chegarem onde aqueles gentios se encontravam, o poder para salvação já trabalhava naquelas vidas. A proclamação verbal do evangelho foi precedida pela ação poderosa do Espírito Santo preparando aqueles corações para receberem a mensagem da salvação.

Assim sendo, em cada momento histórico e contexto cultural a Igreja deve avaliar-se não somente em relação ao mundo, mas também em relação ao Evangelho. Em certas situações a Igreja pode ter não somente se afastado do mundo, mas também do Evangelho. Em outros momentos, ela pode estar mais envolvida pelo mundo do que pelo Evangelho. Ou ainda, a igreja pode estar envolvida pelo evangelho em atitude de avanço na direção do mundo.
Desta forma, a prática da missão não é algo que tem o poder de transformar somente o mundo, mas também a igreja. Em Atos 10, tradicionalmente entendido como a conversão de Cornélio, parece-me que o primeiro a converter-se a ação de Deus foi Pedro. Assim também, quando a igreja passa a refletir sobre sua responsabilidade para com o mundo, pode vir a concluir que necessita, primeiramente, se render novamente ao evangelho.
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