domingo, 28 de junho de 2009

A cura de lembranças dolorosas


Meu desejo com esta mensagem é que ela seja um intervalo abençoado entre o passado e o futuro de sua vida. Ouvindo os depoimentos das pessoas, suas esperanças e mágoas, estou convicto de que muitos precisam curar suas recordações. Tratar de experiências dolorosas é algo muito complexo e complicado porque em relação ao passado nós não podemos mudar os fatos. Todavia, se não experimentarmos a cura destas experiências, teremos grandes chances de repeti-las. Sem a cicatrização das lembranças dolorosas, nada aprenderemos do passado. Uma vez que não podemos mudar o passado, podemos olhar para ele como lição de vida e desta maneira buscarmos viver melhor.

Mas isso nunca será fácil. Somente com a intervenção do Deus do impossível é que poderemos reconhecer o que aconteceu e em seguida renunciá-lo. Somos tentados a lidar com o passado usando maneiras impróprias. O remorso é uma delas. Muitos de nós o sentimos. Fazemos um retrospecto de nossas ações ou omissões, e a dor oculta do remorso pulsa dentro de nós. “Por que agi daquela maneira?”, “Por que permiti que aquelas palavras escapassem da minha boca?”, indagamos. E inevitavelmente nos condicionamos: “Que direito tenho de ser feliz com lembranças desse tipo?”

Outros sentem pesar pelo passado. O pesar é o sentimento de dor por não poder voltar no passado e agir diferente. Normalmente as pessoas pesarosas dizem: “Ah se eu pudesse estar naquela situação de novo!”, “Eu devia ter feito diferente!”. As faces das pessoas que ferimos, ou que nos feriram, desfilam em nossa mente tornando nossa dor insuportável.

Na verdade, nem o remorso, nem o pesar, funcionam no tratamento de lembranças dolorosas. Só há um jeito de curar as recordações que nos fazem sofrer: Expor a lembrança dolorosa ao Deus do impossível e aceitar o seu tratamento. Essa é a única forma de encontrar alívio. Significa voltar ao passado e superar, de mãos dadas com o Deus do impossível, o que dissemos ou fizemos a alguém, ou o que disseram e fizeram a nós. Foi isso que Samuel fez por Israel.

Samuel foi o profeta mais importante depois de Moisés, e também o último juiz de Israel. Foi ele quem ungiu os dois primeiros reis de Israel, Saul e Davi. No final do período dos juízes, ele se projeta como aquele que cura lembranças, ao ajudar Israel a se arrepender e a aprender com os fracassos do passado. Samuel preparou aquele povo para uma nova era, forçando-o a abandonar as lembranças dolorosas.

Samuel ainda muito jovem assumiu a liderança do povo de Israel num período turbulento quando eles cairam de joelhos, não em adoração ao Deus do impossível, mas diante de Baal e Astarote, deuses dos filisteus. Foram atraídos pelos deuses das nações vizinhas e como presa fácil foram subjugados numa derrota humilhante imposta pelos filisteus. Os exércitos de Israel foram derrotados num lugar chamado Ebenézer. Além da derrota, a Arca da aliança, símbolo da presença de Deus entre o povo, foi tomada. O sacerdote Eli, líder religioso, morreu ao saber que seus filhos haviam morrido na batalha e sua nora quando soube de tudo isso deu a luz prematuramente a um menino. Como expressão da dor que se estabeleceu em Israel, sua mãe lhe deu o nome de Icabode, que significa: Foi-se a glória de Israel. Aquela situação se tornou insuportável e fazer algo para mudar se tornara impossível.


Deus não desistiu de Israel embora eles persistissem no culto a Baal e Astarote, acrescido de um vago compromisso com Deus. A captura da Arca só trouxe problemas aos filisteus. A história nos conta um fato irônico: os israelitas adotaram os deuses filisteus e falharam; os filisteus tentaram obter o poder do Deus do impossível mediante a Arca e falharam! Dentro daquela Arca achava-se a razão do fracasso de ambos: as tábuas da lei, que iniciavam: “Não terás outros deuses diante de mim”. Nem Israel, nem os filisteus poderiam ser bem sucedidos com o Deus do impossível enquanto não se comprometessem com os princípios estabelecidos por ele. Por fim, os filisteus clamaram: “Livremo-nos dessa Arca!”. E ela foi devolvida a Israel.

A devolução da Arca causou uma reação inesperada no povo de Deus. Em vez de alegria, houve um arrependimento nacional. O povo se dirigiu a Samuel para pedir-lhe que oferecesse um sacrifício que expressasse a lamentação deles e o seu anseio pelo poder e livramento das mãos dos filisteus. Samuel foi firme em dizer-lhes que o Senhor só os abençoaria se todos os ídolos de Baal e de Astarote fossem removidos. Samuel sabia que o primeiro passo para um reavivamento em Israel teria que começar com o arrependimento e confissão diante de Deus.

Os filisteus maltrataram os israelitas, isso ninguém podia negar. A derrota em Ebenézer era uma realidade e a sua lembrança era motivo de sofrimento, isso também não tinha como negar. Mas agora, são desafiados a olharem para a parte do erro que lhes cabiam. Eles abandonaram as orientações seguras do Deus do impossível. Princípios orientadores que os preservariam de sofrer foram negligenciados. Por isso, a melhor maneira de se tratar o remorso, sentimento de pesar pelas falhas que cometeu contra outros ou contra si mesmo, é reconhecer nossa parcela de culpa, confessá-la diante de Deus e abandoná-la em suas mãos.



A notícia de que o povo de Israel se ajuntara chegou aos filisteus, que decidiram atacar. Quando os israelitas perceberam a aproximação dos filisteus, entraram em pânico e apelaram a Samuel para que clamasse ao Senhor por socorro. Uma geração inteira havia vivido como escravos nas mãos dos filisteus e morriam de pavor ter que enfrentá-los. A percepção do pecado e a impossibilidade de enfrentar o poderio militar dos filisteus tornaram-nos receptivos ao que Deus sempre estivera pronto a dar-lhes. Samuel sacrificou um cordeiro. Em resposta, o Senhor enviou uma violenta tempestade sobre os filisteus, que fugiram atemorizados. O medo deu lugar a coragem e Israel aproveitou para atacar os filisteus. Estavam consciente de que o Deus do impossível estava com eles e agora não tinham o que temer.

Depois de ganhar a batalha, Samuel pegou uma pedra, colocou-a no meio do povo e a chamou Ebenézer e disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. Não foi por acaso ou por achar bonito o nome que Samuel resolveu chamar aquela pedra de Ebenézer. Essa palavra havia se tornado símbolo de dor e sofrimento para o povo desde que, a mais de vinte anos atrás os israelitas foram derrotados pelos filisteus no lugar chamado Ebenézer. Na roda de amigos israelenses a alegria durava até alguém citar essa palavra. Era uma lembrança dolorosa. Em hebraico, Ebenézer significa “a pedra de ajuda”. Samuel tomou uma recordação amarga, de mais de 20 anos de derrota, e a substituiu por uma lembrança de vitória. Através dos séculos, Ebenézer se associou tanto com a oração de Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor”, que a oração passou a ser quase que sinônimo.

Deus sabe que não podemos agarrar ao presente nem nos entregar ao futuro enquanto as recordações dolorosas do passado não forem resolvidas. Samuel ajudou Israel a lidar com o passado e a prosseguir para o desafio do futuro. Com a expressão “Até aqui” Samuel queria dizer, até diante de um inimigo em que ninguém acreditava ser possível vencer o Deus do impossível nos fez vitoriosos. Através da pedra “Ebenézer”, Samuel traz a memória acontecimentos do passado de Israel que trouxeram muita dor e sofrimento, mas agora com a vitória sobre os filisteus, o Deus do impossível cura a memória do seu povo, cura o seu medo. Ebenézer agora não tem mais a conotação de derrota, dor, sofrimento, mas de grande livramento.

Quando nos deixamos ser tratados pelo Senhor, passamos a viver livres do sentimento de inferioridade, do remorso, do medo e do pesar. Passamos a ser de fato e de verdade pessoas livres porque sabemos que o Deus do impossível é o que vai conosco até mesmo pelo vale da sombra da morte e nos trará de volta sãos e em segurança. Isso significa que posso enfrentar sem medo situações que no passado me fizeram sofrer, porque o Deus do impossível estará comigo e a vitória será certa. Com o Deus do impossível do nosso lado não temos mais o que temer.

CONCLUSÃO

Não importa o que você fez ou mesmo o que fizeram com você, importa é como você vai lidar com isso daqui pra frente. Não podemos mudar nada do que aconteceu, mas podemos confiar nas mãos de Deus para que não sejamos derrotados de novo. Olhar para o passado como uma lição de vida, receber o perdão de Deus e enfrentar a dor de mãos dadas com ele é a nossa melhor alternativa para lidar com as lembranças dolorosas. As lembranças não se apagarão, mas não nos trará mais dor. A segurança de seus braços certamente é o melhor lugar para se tratar do sentimento de remorso ou mesmo de pesar.

domingo, 14 de junho de 2009

A bênção impossível


Todos nós precisamos dela. Nascemos por causa dela e não há alegria que dure sem ela. Ela é para a alma o que o oxigênio é para os pulmões e o alimento para o corpo. Ela é base da confiança e da auto-estima. Com ela nos tornamos livres e atraentes; sem ela somos tímidos e ranzinzas. Ela é o que as pessoas mais esperam de nós, porém não a podemos dar enquanto não a recebemos. Quando não a recebemos passamos o resto da vida tentando merecê-la. Contudo, nenhum ser humano pode satisfazer ao nosso ardente desejo por ela. Ela é o bem mais precioso da vida.

O que é esse bem tão desejado? A bênção. Cada um de nós necessita ser abençoado, sentir-se abençoado e por sua vez se tornar um comunicador de bênçãos. Todavia, uma das palavras mais mal interpretadas e mal empregadas é bênção. Significa mais que prosperidade ou bens, sucesso ou realização. Significa ser aceito e ser amado. A bênção de Deus é a certeza de que a ele pertencemos, de que ele tem prazer em nós e de que ele nos escolheu como alvo de seu amor. Ser uma pessoa abençoada é conhecer, sentir aceito, amado e aprovado por Deus.

Esta mensagem é para aqueles que precisam sentir essa bênção, que não conseguem permitir que Deus os abençoe. É para pessoas que apesar de possuir dons, talentos, oportunidades e razoável sucesso nas coisas que fazem não se sentem abençoados. Se nossos pais fracassaram em nos dar afirmação, aprovação e certeza de sermos especiais acharemos difícil permitir que Deus nos abençoe. Essa é a razão porque muitos, embora possuindo uma boa compreensão da fé, não sentem o amor divino e muito menos se apegam a um relacionamento pessoal com Deus.

As pessoas que não se sentem abençoadas se tornam cada vez mais incrédulas, pessimistas e intratáveis em relação ao sentimento dos outros. Acreditam que agindo assim estarão no controle e protegidas de se sentirem magoadas. Ocorre exatamente o contrário com as pessoas abençoadas que se sentem acolhidas e amadas. Tais pessoas são flexíveis, receptivas e dispostas. Mas as não abençoadas se esforçam por obter a bênção dos outros, buscam a aprovação e a estima, mas quando recebem questionam a validade dos mesmos. Elas se tornam competitivas e gostam de estar no controle de tudo. São duras em criticar o trabalho dos outros e vê defeito em tudo porque gostam de chamar a atenção para si como pessoas importantes e indispensáveis. Desejar e duvidar, lutar e resistir, se torna uma estratégia de sobrevivência.

Com o passar do tempo tais pessoas enfrentam o próprio Deus. Ele os deixa imobilizados até que finalmente reclamem a sua bênção. Ele trava uma luta através de circunstâncias adversas para só então fazer o impossível. Ou seja, nos fazer sentir amados e aceitos por ele. Foi exatamente isso o que ele fez por Jacó.



A vida de Jacó forma um perfil de alguém cuja infância não abençoada deu origem a uma barreira que dificultou a aceitação da bênção de Deus. Jacó era irmão gêmeo de Esaú, filho de Isaque e Rebeca. O primeiro a nascer foi Esaú, mas com apenas segundos de diferença, pois Jacó saiu do útero agarrado ao calcanhar do irmão. Foi aí que seu nome teve origem. “Jacó” quer dizer: “Alguém que toma pelo calcanhar, suplantador, trapaceiro”. Desde o início Esaú foi o favorito de seu pai. Ele veio a ser um caçador, um homem do campo. Tal como Isaque, ele gostava da emoção da caça, da liberdade da aventura e do sabor da carne de animais selvagens. Jacó era o favorito de Rebeca. Dizem as Escrituras que ele era um jovem pacato. Todavia, a rivalidade entre os dois irmãos tinha sua origem na preferência dos pais.

O ponto em questão na família de Isaque era qual dos dois filhos teria o direito maior, o direito de primogenitura. Naquele tempo dava-se ao primeiro filho o direito de receber a propriedade e o governo da casa, por ocasião da morte do pai. Mas, de semelhante importância era a bênção do pai sobre todos os filhos. Essa dádiva preciosa de aprovação, afirmação e amor dava a cada filho um senso de identidade e importância para toda a vida. O intenso anseio de Rebeca era o direito à primogenitura, todavia o que Jacó mais desejava era ser aceito e amado por seu pai, ser abençoado. Por isso encontramos os dois, aliados por obter o direito à primogenitura e a bênção de Isaque a qualquer preço.

A trama se intensificou algum tempo mais tarde, quando Isaque percebeu que estava às portas da morte. Chamou Esaú à sua tenda e pediu que ele saísse a caçar e pediu-lhe que trouxesse carne para um prato saboroso. “E traze-me para que eu coma, e te abençoe antes que eu morra” (Gn 27:4). Esaú saiu ao campo, mas Rebeca estivera ouvindo através das finas paredes da tenda. O momento que ela tanto esperava havia chegado! Rápida como um raio ela corre para Jacó, ordena-lhe que mate uma ovelha, prepare o prato saboroso que seu pai desejava e receba a bênção e o direito de primogenitura prometidos a Esaú. Rebeca havia preparado um plano perfeito. Manda que Jacó vista as roupas de Esaú e cobre-lhe o pescoço e as mãos com pele de cabra, de modo que Isaque seja enganado.

O plano dos dois teve êxito. Isaque comeu a saborosa refeição e, depois que suas suspeitas foram desfeitas por meio dos disfarces de Jacó, ele o abençoou. O teor da preciosa bênção nos ajuda a compreender por que era um galardão e tanto: “Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar.” (Gn 27:28-29).

Que grande bênção! Ela é a afirmação que cada filho busca. Quando Esaú retornou a casa, soube do que sua mãe e o irmão haviam feito, e rogou a Isaque uma bênção. “Acaso tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai”, clamou ele com a dor da rejeição. E seu pai o abençoou dizendo: “Você viverá longe de terras boas e longe do orvalho que cai do céu. Você viverá pela sua espada e será empregado do seu irmão. Porém, quando você cumprir o seu tempo de serviço, se livrará dele.” (Gn 27:39-40).

Assim, um ressentimento profundo tomou conta de Esaú, acentuando ainda mais a rivalidade, o ódio e a inveja entre os dois irmãos. Esaú planejou matar o irmão tão logo Isaque viesse a falecer. Por medo de perder o filho querido Rebeca envia Jacó para casa de Labão, irmão de Rebeca, e assim Jacó teve sua vida poupada. Mal sabia ela que esta seria a última vez que veria seu amado filho.



Jacó partiu para a terra de Labão sentindo-se não abençoado como sempre. Ele estava sentindo-se derrotado e amargurado. Embora ele recebera a bênção de Isaque. Estava ciente de que era uma bênção obtida de maneira fraudulenta. É como qualquer amor forçado, que deixa tanto o que dá como o que recebe vazios. Jacó saiu de casa sem o sentimento de que seu pai tinha prazer nele. Tudo o que possuía era a lembrança do que tinha feito a Esaú e de como seus pais falharam em dar-lhe afirmação e confiança íntima. O resultado foi um homem manipulador, astuto e insensível.

Ao chegar na casa de seu tio Labão Jacó é recebido com alegria. Jacó se apaixonou por Raquel, a filha mais nova de Labão e se dispôs a trabalhar sete anos para Labão para que esse o permitisse casar com ela. Labão aceitou, mas não gostou da idéia da filha mais jovem se casar antes da mais velha. Completados os sete anos, Jacó exigiu sua amada Raquel. Labão ofereceu uma festa de casamento e, tarde da noite, enviou Lia, a filha mais velha, para a tenda de Jacó, em lugar de Raquel. A festa deve ter tido bebedeira mais que suficiente, pois Jacó não percebeu a troca até de manhã, com o casamento já realizado. Estranha ironia, assim como enganou seu pai, agora é enganado pelo seu tio.

Jacó ficou furioso. Labão enganara melhor que Jacó, o enganador. Labão convenceu-o a trabalhar mais sete anos, antes que ele pudesse se casar com Raquel. Jacó deu um duro pela mão de Raquel. Todavia “Serviu Jacó sete anos; e estes lhe pareceram como poucos dias, pelo muito que a amava”(Gn 29:20). Depois dos quatorze anos Jacó ainda serviu Labão por mais seis anos. Durante estes últimos anos Labão tentou enganar Jacó em relação ao seu salário. O acordo deles consistia em que Jacó viesse a possuir todas as ovelhas malhadas, salpicadas e negras entre os cordeiros e cabras. Labão maquinou outra trapaça. Tomou todos os cordeiros e cabras que pertenciam a Jacó e escondeu em algum lugar distante. Assim Jacó teve de partir do nada novamente, mas desta vez com algo mais que a astúcia contra Labão, o Senhor era com ele. Quando acasalou os animais brancos de Labão, nasceram malhados e salpicados. Ao ver isso Labão mudou o salário de Jacó e aconteceu o contrário. Os animais malhados e negros davam a luz animais brancos. Por umas dez vezes Labão mudou o acordo, mas o Deus do impossível continuou agindo e enriquecendo a Jacó.

Depois de longos vinte anos, Deus ordenou a Jacó que voltasse a sua terra natal. E assim, Jacó, suas esposas, filhos e com grande prosperidade deixaram secretamente a Labão. Labão quando descobriu de sua fuga, foi atrás para matá-lo, mas o Deus do impossível o impediu.


Livre de Labão, Jacó podia agora dedicar-se à próxima tarefa que tanto temia. Ao pensar no encontro com Esaú, o pânico se apoderou dele e trouxe-lhe à memória recordações do que havia feito a seu irmão, bem como todas as sensações que sentira, quando criança, de não ser abençoado. Outra vez o velho manipulador vem a tona. Por alguns momentos ele cedeu à antiga natureza em vez de exercer sua nova fé no Deus do impossível. Jacó enviou mensageiros adiante para garantir a Esaú que dispunha de enormes rebanhos para recompensá-lo.

Até onde foi com o plano de preparar um presente espetacular para Esaú, Jacó demonstra que ainda fazia uso de meios manipuladores. Ele dividiu seus rebanhos em pequenos grupos, bem como toda a sua família. À sua frente enviou mensageiros com ricos presentes e os instruiu dizendo: “Quando vires Esaú diga-lhe: Eis que teu servo Jacó vem vindo atrás de nós e oferece-lhe estes presentes”. Em seguida ele expõe sua intenção com tal plano: “Eu o aplacarei com o presente que me antecede, depois o verei; e me aceitará a presença”(Gn 32:19-20). Aí está de novo. Aceitação. Jacó tinha necessidade de ser aceito e amado e espera ter isso através de Esaú. O que ele não percebia era que apenas Deus era capaz de dar-lhe esse presente maravilhoso. Quando aceitamos a dádiva da aceitação de Deus, ficamos livres de manipular situações e pessoas para ser aceito e amado.

Na noite que antecedeu o encontro com Esaú, as Escrituras diz em Gn 32:24-32 que um homem entrou em luta corporal com Jacó durante toda a noite. O que Jacó não soube durante toda aquela noite fria e escura, era que aquele a quem ele estava lutando era o próprio Deus do impossível. Ao aproximar o dia Jacó se deu conta que estava lutando com Deus, então ele o abraça e lhe diz: “Não te deixarei ir enquanto não me abençoares”. Esta era a sua maior carência desde a infância. Contudo, é curioso perceber que desde que saíra de casa, Deus o estava abençoando maravilhosamente, todavia Jacó não se sentia abençoado, por isso o estranho pedido. A pessoa que não se sente abençoada, não somente tem um pavio curto como também uma memória curta. Pessoas como Jacó não conseguem perceber o quanto são abençoados e ficam surpresos quando alguém vem e lhes mostra o quanto de fato o são. E mesmo assim atribuem ao acaso e rejeitam ver o cuidado de Deus em suas vidas.

A atitude do Senhor foi impressionante. Primeiro Deus toca a coxa de Jacó e ele passa a mancar, para que jamais se esquecesse da luta travada naquela noite. Em seguida mudou o nome de Jacó (enganador) para Israel (Príncipe de Deus) como um sinal de que Deus o amava e o aceitava. É surpreendente que Jacó, agora Israel, pergunte pelo nome daquele com quem lutara. “Dize, rogo-te, como te chamas?” A resposta de Deus foi uma pergunta que pôs fim a todas as indagações de Israel. “Por que perguntas meu nome?” De fato, depois de todas as vezes que Deus interferiu a seu favor e falou com ele, já devia saber. Em seguida ele deu a bênção que Jacó desejava, porque é sua natureza abençoar. Jacó nada fez para merecê-la ou ganhá-la. Na realidade, por toda a sua vida até aquela noite fria ela já havia feito tudo o que podia para negá-la.

Daquele dia em diante Israel já não exigia de ninguém o ser aceito e amado, ele havia recebido a bênção. O manipulador teimoso se tornara disposto a aceitar e a demonstrar amor a quem Deus colocasse em seu caminho. Quando a luta chegou ao fim e o sol da manhã ergueu o véu da noite, Israel levantou os olhos e viu que Esaú se aproximava. A Escritura não menciona nenhuma manifestação de medo em Israel. A luta com o Senhor havia efetuado uma transformação. É uma cena comovente. Esaú, com graça notável, correu ao encontro de Israel e atirou-se ao seu pescoço, beijando o irmão, e as lágrimas escorriam de ambos. Em seguida, Israel disse algo que revela a expressão de um coração abençoado: “Vi o teu rosto como se tivesse contemplado o semblante de Deus; e te agradaste de mim” (Gn 33:10).

Em todas as gerações as pessoas vêm sofrendo por não se sentirem aceitas e amadas. É notório em alguns esse sentimento e em outros encontra-se encoberto, mas se manifesta de formas sutis. Em outros ainda, esse mal aparece numa conduta arrogante. Atravessamos a vida à procura de um pai, mãe, irmã ou irmão mais velho substituto, ou de uma autoridade que nos diga, afinal, que estamos ok.

Não somos capazes de lembrar se nossos pais algum dia nos disse que nos amava. Fomos duramente advertidos por quem deveria nos abençoar dizendo: “Meus atos deveriam ter-lhe assegurado que eu o amo. Sempre cuidei de você e supri suas necessidades. Isso não está bom?”. Quem sabe você é uma daquelas filhas que o pai negara a afirmação sadia que toda menina precisa para começar a sentir a alegria de ser mulher. Seus pais foram um complexo nervoso de repressões e temores? A Igreja te foi apresentada apenas como uma instituição de “não faça isso, não faça aquilo”? É provável então que esteja perguntando: “O que fazer quando não se sente amável, quando todos os sentimentos interiores acerca de si mesmo resistem à possibilidade de permitir que Deus ou alguém mais o ame?”.

O que é lutar com Deus? É uma luta com o passado e uma batalha que há de decidir quem vai assumir o governo no futuro. O Senhor deseja tornar-nos dispostos a ser, e dispostos a buscar e fazer a sua vontade mediante a força dele para os resultados que ele espera. Você sabe como é isso? Você já reviveu o passado, com cada fracasso a desfilar diante dos olhos da sua mente? Você já levantou no meio da noite em estado de pânico e se ajoelhou perante o Senhor, perturbado pela preocupação? Então saiba, como eu já sei, o que é ter o Senhor a batalhar pelo domínio de sua vontade até que você permita que ele perdoe o passado e assuma o governo do seu futuro.

domingo, 7 de junho de 2009

Um desafio de fé


O que você está realizando que não possa concluir sem uma intervenção de Deus? Muitos de nós passamos a vida dentro dos estreitos limites de nossos talentos e capacidade. Tomamos o maior cuidado para manter todas as coisas sob o nosso controle. Na realidade, vivemos como se não precisássemos de Deus. Nosso medo de arriscar nossas vidas nas mãos de Deus nos mantém longe do que ele tem planejado a nosso respeito.

O meu propósito com esta série de mensagens é despertar você para ousar mais nas mãos de Deus. Desejar ir além do que a sua mente possa imaginar. Ter experiências com Deus jamais imaginadas e experimentar o que significa se relacionar com o Deus que não conhece o significado da palavra impossível. Quanto mais vivo a aventura da fé e compartilho com outros o que estão descobrindo acerca de Deus, mais convicto me torno de que o Senhor nos ama e se importa mais com nossos interesses que nós mesmos. Em tempo e a tempo ele invade os nossos problemas com poder sobrenatural. Há ocasiões em que ele de fato nos conduz a desafios e oportunidades, a fim de nos maravilhar com o que ele é capaz de fazer com as nossas impossibilidades.

Você já pediu a Deus que o ajude a encarar, sem medo, o desafio que ele mesmo propôs a você? Seja abandonar um vício, perdoar uma pessoa, testemunhar a sua fé, assumir um trabalho, abrir mão de um emprego, ter filhos, ou fazer algo para a glória dele e que para você é tremendamente difícil. Isso é importante. Deus opera o impossível quando nos colocamos em suas mãos para realizar exatamente aquele plano que ele nos confidenciou ao coração, normalmente algo grande.

Abraão, o amigo de Deus, aprendeu essa importante lição. Ele não obteve facilmente sua amizade com Deus. Sua amizade foi conquistada através de sua obediência a algumas ordens difíceis e aparentemente absurdas. Todavia, ao obedecer, Abraão testemunhou grandes intervenções divinas em sua vida. Não é a toa que ele é chamado de o pai da fé.


Abrão era conhecido como o filho de Terá e vivia na cidade de Ur dos Caldeus. Sua família, bem como toda a população de Ur era idólatra e adoravam a lua dentre tantos outros deuses. Esta pode ter sido a razão por que Deus o tirou, bem como a sua família, dos laços desta civilização próspera e sofisticada. Deus provocou um sentimento de desconforto em Terá que o induziu a partir de Ur com seu filho Abrão, impelindo-os em direção à terra de Canaã. Viajaram ao longo do vale do Eufrates até Harã.

Em Harã, anos mais tarde, o mesmo Deus que orientou Terá a mudar-se de Ur apareceu a Abrão, deixando-o em pânico. O Senhor tinha grandes planos para Abrão, e este talvez vivesse toda uma vida de amizade com Deus antes de perceber que o Senhor proveria para cada passo do caminho. “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12:1). Os riscos que o Senhor nos desafia a assumir são sempre para o nosso bem, mesmo que pareçam assustadores. O Senhor prossegue: “De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção: abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:2-3).

É uma promessa e tanto, mas agir baseado nela exigia risco. Nela, e somente nela, Abrão se apoiava. Até porque ele já estava com 75 anos e Sarai, sua melher, com nada menos de que 65 anos. Como poderiam acreditar que poderiam gerar filhos naquela idade? Como abandonar toda a família e partir para uma terra que nem sequer sabiam onde? Que endereço deixariam para os parentes e amigos? Enfrentar uma viagem de mudança naquela idade confiando apenas numa promessa divina? Esse plano parecia de fato condenado ao fracasso, era simplesmente impossível de se realizar. Mesmo assim, apesar da pouca orientação que possuía, ele partiu, e nos anos seguintes conheceu a amizade e fidelidade de Deus. Muitos anos foram necessários para que Abrão amadurecesse nessa amizade, confiasse nela, mediante a prova da sua realidade em épocas de dúvida e desespero.

Após a morte de Terá, Abrão deixou a segurança de Harã e seguiu para Canaã. Os altares que construiu ao longo do percurso falam de sua crescente fé em Deus, a qual o capacitava a assumir novos riscos. Contudo, quando a fome atingiu Canaã, ele se dirigiu ao Egito. Aí Abrão revelou o outro lado de sua personalidade, o lado tímido que reagia contra o risco, que não confiava. No Egito, Abrão ordenou a Sarai que dissesse ser sua irmã, uma mentira decorrente da sua falta de fé na promessa de Deus. Sarai era linda, e Abrão temia que os egípcios, para ficarem com ela, o matassem. O próprio Faraó, atraído pelo encanto de Sarai, conduziu-a ao seu lar e conferiu honras a Abrão, que supunha ser irmão dela. Mas o Senhor tinha outros planos. Enviou pragas contra Faraó e toda a sua casa, até que a verdade viesse à tona. Abrão quase frustrou o plano de Deus de torná-lo pai de multidões. Por pouco ele e Sarai não escaparam com vida.

E você? Já sabe qual é o desafio de fé que Deus tem para realizar em sua vida? Já se perguntou a razão pela qual você faz o que faz? Por que Deus te trouxe a vida exatamente nesse período da história e te deu a família que você tem? Por que razão você é cercado exatamente pelas pessoas que hoje fazem parte da sua vida? Ou você pensa que a razão de sua vida é apenas ganhar dinheiro, ter um diploma e ser um profissional bem sucedido? Sua vida foi projetada por Deus para fazer diferença além do túmulo, sabia? Você tem uma tarefa, um desafio maior do que a própria vida. Deus não te colocou aqui por acaso ou coincidência. Ele deseja fazer algo grande em sua vida e através dela na vida de muita gente. Algo que você jamais poderá fazer sozinho, algo que para você é impossível. E nesse aspecto somente ele poderá te ajudar.


Mas entre receber uma promessa e vê-la cumprida é algo que pode demandar muito tempo. No caso de Abrão não foi diferente. Mais de 10 anos depois que recebera a promessa de ser pai, ele já estava com seus 85 anos e Sarai com 75 e continuavam sem filhos porque Sarai era estéril. Isso levou Abrão a um dilema. Como poderia ser pai de multidões sem um filho? Seria o herdeiro um dos filhos de seus empregados nascido em sua casa? Não. Em vez disso o Senhor prometeu a Abrão o que parecia impossível. Ele e Sarai teriam um filho. Abrão achou muito difícil de acreditar em tal coisa. Durante todo aquele período Deus não falou mais nada, não explicou o aparente atraso e tudo parecia que ele havia esquecido de sua promessa. Foram anos difíceis e longos para Abrão e Sarai.

10 anos se passaram e Sarai perdeu a paciência. Ela insistiu com Abrão para que engravidasse Hagar, sua serva egípcia. Outra vez expõe-se a dificuldade de nosso herói em acreditar na espantosa promessa de Deus. Aquela certamente era uma prova de Deus para Abrão antes de lhe dar o filho tanto desejado. Todavia, o que lemos? “E Abrão anuiu ao conselho de Sarai” (Gn 16:2b). Um erro lamentável que levou Abrão e Sarai a agir com incredulidade para com a promessa de Deus. Ismael nasceu da relação não abençoada de Abrão e Hagar. Como sempre se constata na revelação clara e gradual do Deus do impossível, alguns de nossos heróis tiveram de ver a realização do plano de Deus para suas vidas adiadas porque não souberam permanecer firmes em sua fé. Todavia, é preciso lembrar que o Senhor jamais se esquece de quem escolheu, nem volta atrás em suas promessas e planos a nosso respeito.

13 anos depois do deslize de Abrão e Sarai, o Senhor voltou a estaca zero com eles. Ele visita Abrão e renova sua promessa, e desta vez dá novos nomes a Abrão e Sarai. Abrão será Abraão, pai de multidões, e Sarai será Sara, mãe de nações. Além da nova visão sugerida pelos novos nomes, o Senhor, a fim de encorajar novamente a Abraão, adota um nome definitivo para si mesmo: El Shaddai, que significa Deus Todo-poderoso, aquele que não conhece o impossível. Como se tudo isso não bastasse, o poderoso El Shaddai propõe uma aliança e promete abençoar a Abraão e a sua posteridade para sempre. A garantia dessa bênção seria que dali a um ano Abraão e Sara teriam um filho.

Ao ouvir a promessa do Deus do impossível, Sara que estava à porta da tenda riu. Isso entristeceu o Amigo. Era desejo de Deus que eles rissem com ele em puro deleite e alegria pelo que ele estava prestes a fazer, e não rissem dele ou de sua promessa. Lute com Deus até apropriar-se de suas promessas, mas jamais ria-se dele! Ele é um Amigo bom demais para isso. Quando Isaque nasceu, Sara aprendera a sua lição. Assim se expressou em louvor e gratidão: “Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso, vai rir-se comigo... Quem teria dito a Abraão que Sara amamentaria um filho? Pois na sua velhice lhe dei um filho” (Gn 21:6-7). Quem, senão o Deus do impossível! Isaque tornou-se um rapaz bonito e estimado. Seus pais nutriam um profundo amor por ele, não apenas por terem finalmente um filho, mas porque agora a promessa impossível se cumpriu. Isaque era mais que a alegria, era a esperança de Abraão, era a sua vida!


Agora, entre no coração de Abraão e veja o pânico quando o Senhor lhe pediu o impossível como prova de sua fé. Podemos sentir as punhaladas de dor em cada palavra da ordem do Senhor: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (Gn 22:2). O que significava essa ordem? A angústia de Abraão era inexplicável. “Por quê, Deus? Por quê?” ele deve ter clamado, sentindo-se completamente arrasado. “Meu filho, Deus? Como se cumprirá sem Isaque a tua promessa de que serei o pai de multidões?” Nenhum pedido poderia ser pior.

Já tentei meditar nessas perguntas vindas do íntimo da alma de Abraão. Penso nas épocas de crise, em que tive de abrir mão do governo de minha família, da profissão e mesmo do futuro, e me vi forçado a perceber que eles não são meus, mas um dom de Deus. Doença, dificuldades, desapontamentos despertaram-me para o fato de que não posso me apoderar com avareza das dádivas da vida. Com o passar dos anos de amizade com Deus, vi-me obrigado a entregar os pontos, uma rendição decisiva à idéia tola de que eu possuía alguma coisa por causa de meu direito ou trabalho árduo.

O ponto em questão é: Quem é o nosso Isaque? Quem em sua vida disputa com Deus o primeiro lugar? O que você possui ou realizou que disputa com Deus o significado de sua vida? É freqüente, durante uma crise, perceber que Deus não recebe de nós a máxima lealdade ou energia na vida diária. Falsos deuses não são apenas ídolos nos templos; eles invadem nossos lares, identificam-se em diplomas nas paredes de nossos escritórios e estabelecem-se nos alvos e planos de nosso controle sobre nosso destino. Mas devemos aprofundar-nos a fim de perceber o que Deus pretendia ao conduzir Abraão por essa prova dolorosa. Fé é risco. É a crença de que Deus proverá no momento certo, exatamente aquilo de que precisaremos em tempos difíceis.

Com o coração e mente, imagine-se escalando o monte Moriá em companhia de Abraão e Isaque. O rapaz gostava de estar com o pai e estava eufórico em ir com ele a um sacrifício. Mas atente para a preocupação com o cordeiro para o sacrifício, que se transforma em pânico enquanto eles, com dificuldade, caminham mais morro acima. “Meu pai!” disse Isaque. “Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22:7). Isaque confiava em seu pai, porém Abraão confiava ainda mais em Deus, e respondeu comovido: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (Gn 22:8). E persistiram na caminhada sem que Isaque obtivesse sua resposta.

Atreva-se a imaginar o que se passou entre pai e filho quando alcançaram o topo do Moriá, e Abraão, quase impulsivamente edificando o altar, preparando a lenha, e então começa a amarrar o filho. Sinta o íntimo de Abraão, quando os seus olhos se deparam com os olhos incrédulos de Isaque. E então o momento fatal se aproxima. Abraão retira sua faca para imolar o filho. No momento em que ele estava para cortar a garganta de Isaque, o Senhor clama: “Abraão, Abraão!” Nem um segundo a mais, nem a menos. Abraão quando ouve, arremessa a faca para longe como se dizendo: “Eu sabia que virias! Eu sabia que proverias uma saída!” E continuou: “Não estendas as mãos sobre o rapaz, e nada lhes faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste teu filho, teu único filho” (Gn 22:12).

Após o momento de extrema intervenção, Abraão olhou para cima dos ombros e notou atrás de si, entre os arbustos, um carneiro preso pelos chifres. De fato, Deus havia providenciado um substituto para Isaque. Depois de sentir a angústia de Abraão, deixe agora a sua imaginação captar a alegria dele. Ele ofereceu o carneiro em vez do filho, e chamou o lugar de “Jeová Jireh”, que significa “O Senhor proverá”. A história de Abraão nos prende não somente por causa de seu drama, mas principalmente porque ela revela a nossa mais profunda necessidade de confiar em Deus em ocasiões de alto risco e nos reanima com os feitos grandiosos do Deus do impossível.

Acima de tudo, nossa atenção se volta para outro monte não muito distante do Moriá, o Calvário. Ali Deus fez o que era na realidade impossível. Ele deu o seu próprio Filho como sacrifício pelos pecados de todos os povos, em todas as gerações. O que ele não exigiu de Abraão, exigiu de si mesmo, oferecendo Jesus para que pudéssemos conhecer o seu supremo amor e perdão. Amém.

terça-feira, 2 de junho de 2009

As crianças


Neste último domingo do mês encerraremos esta série de mensagens “Eu, a patroa e as crianças” falando um pouco sobre os filhos. É curioso observar que a palavra “filho” e seus derivados aparecem 51 vezes no livro de Provérbios. Esta palavra só aparece menos do que “sabedoria” e “coração”. Essa curiosidade a respeito do livro de Provérbios tem uma relação muito forte com o propósito do livro, alertar os filhos a guardar no coração a sabedoria bíblica.

Filhos, segundo a Bíblia, são um presente de Deus para a vida dos pais. Todavia, com um presente tão precioso vem também uma responsabilidade enorme. Ou seja, cabe aos pais educá-los e treiná-los para a vida, quando se tornarão adultos e por sua vez farão o mesmo com seus filhos.

Segundo a sabedoria bíblica a responsabilidade (não a preocupação) dos pais tende a diminuir na medida em que os filhos crescem. Por esta razão eles devem e precisam ser treinados a assumir responsabilidades. É certo que tem filho que, mesmo depois de ter recebido a melhor orientação e educação de seus pais, optam ainda por ser tolo. Como conseqüência, os pais sofrem e derramam lágrimas.

Existem dois papeis importantes de responsabilidade dos pais. Trata-se do ensino (que visa a formação do caráter) e a disciplina (que visa a correção dos desvios de conduta). Mas como um pai deve educar o seu filho? Para responder esta questão abramos nossas Bíblias em Deuteronômio 6:4-9.

“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.” (vs. 4)
“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” (vs. 5)
“Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;” (vs. 6)
“tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (vs. 7)
“Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos.” (vs. 8)
“E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.” (vs. 9)



“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;” (vs. 5 e 6)
Olhando para este texto somos informados de que uma boa educação começa com o exemplo dos pais. É preciso amar a Deus, ser comprometido com os seus princípios para assim termos autoridade no ensino para com os nossos filhos. Isso porque nossos filhos aprendem muito mais nos observando do que nos ouvindo.

Observem que o apelo de Deus não é simplesmente para o cumprimento de uma série de regras, mas para uma relação amorosa com ele. Isso já altera a forma de ensinar nossos filhos. Devemos ensiná-los de que por amarmos ao Senhor, seguimos a sua orientação. A obediência sem amor não gera respeito, gera ódio, repulsa. Por isso, o maior desafio de um pai despertar o coração de seu filho para amar a Deus, assim como ele o faz.

Quando Alexandre estava assentado em seu sofá assistindo o noticiário da Tv, seu filho pequeno, de 7 anos de idade, subiu por traz do sofá e disse ao pai: “Pai, quando eu for maior que o senhor, o que vai fazer para eu te obedecer?”. Alexandre respondeu: “Filho, você vai me obedecer enquanto me amar”. Sabe querido, a obediência que devemos ensinar nossos filhos é aquela que é praticada como fruto do amor. Uma pessoa que obedece apenas pelo medo do castigo, mais dias, menos dias, ela se rebela.



“tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (vs. 7)
Educar um filho é algo que demanda muito tempo e esforço diário. Por esta razão, quando da decisão de gerar um filho, os pais devem assentar e pensar sobre suas prioridades pessoais e familiares. Com o passar dos anos percebo que existem muitos sonhos e desejos que teremos de deixar para trás para focarmos em alguns sonhos e desejos mais importantes. A Bíblia deixa claro que é de responsabilidade dos pais a educação dos filhos, não podemos terceirizar isso. A sabedoria popular acha um absurdo uma mulher abrir mão de uma carreira profissional, para se ocupar intencionalmente com a educação de seus filhos.

Quando nos casamos, Cida e eu decidimos que enquanto nossos filhos dependessem em tudo de nós, nossa família seria sustentada apenas com o meu trabalho, enquanto ela se dedicaria ao cuidado dos nossos filhos. Foi uma decisão fácil de ser tomada quando nos casamos, mas quando ela se engravidou, bem, aí não foi tão fácil assim. Todavia, mantemos nosso acordo, e hoje podemos afirmar que esta foi a melhor decisão que tomamos na vida.


“Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (vs. 8 e 9)

Aqui somos orientados que a educação precisa ser feita com base na Palavra de Deus. A base daquilo que dissemos ser o certo e ou errado é a Bíblia. É importante orientarmos nossos filhos, em tudo, com base na Palavra de Deus. Até os 6 anos de idade seus filhos ainda estão maleáveis nas suas mãos. Nesse período eles passam a maior parte do tempo com os pais e são grandemente influenciados pelos mesmos.

Lembro-me com saudades, quando Rômulo e Cyntia ainda brincavam juntos no quintal de casa. Tínhamos o costume de memorizar um versículo bíblico por semana. Colocávamos o versículo escrito em cartazes nas portas e paredes de nossa casa e na hora do almoço líamos juntos. Num determinado dia, Rômulo e Cyntia brigaram e ela entrou em casa chorando dizendo “Se alguém diz que ama a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.’” (1 João 4:20). Em seguida Rômulo entrou atrás dizendo “Tá bom Cyntia, me desculpa.” E ambos voltaram a brincar.

Dos 7 aos 11 anos você tem a última grande chance de manter seu filho ao seu lado. Nesse período eles começam a ser influenciados também por amigos. Aqui você precisa ter atitudes intencionais para influenciar seu filho. É o período que ele mais te observa e te imita. Suas atitudes poderão marcá-lo para o resto da vida. Quando eu estava nessa faixa de idade e eu me lembro bem de algumas atitudes intencionais de minha mãe que até hoje marcam a minha vida. Nós éramos pobres, mas me lembro bem de que todo primeiro domingo do mês, minha mãe pegava quatro envelopes de dízimo e colocava 1 cruzeiro em cada um e escrevia nossos nomes. Naquele domingo, quando do recolhimento dos dízimos e das ofertas, minha mãe levava o dízimo dela e atrás de si, seus quatro filhos estavam cada um com o seu envelope nas mãos. Naquele tempo, querendo ou não ir à Igreja, minha mãe nos levava a todos os cultos, nem que fosse pelo puxar “carinhoso” de nossas orelhas. Você tem atitudes intencionais de abençoar seus filhos? Ou você é daqueles pais que além de não dar bom exemplo, usam os filhos como sendo uma boa desculpa para ficar em casa.

Acima dos 12 anos, bem, é hora de colher o que plantou. Por um período eles dirão que você já está velho e ultrapassado, estão altamente influenciados pelos amigos, mas cabe a você segurar as rédeas. Outra preocupação que tenho é que percebo que muitos pais de nossos dias estão mais dispostos a buscarem seus filhos na boate nas madrugadas do que os motivar a ir à Igreja. O que é que estamos plantando no coração de nossos filhos e quais serão os resultados em suas vidas?

CONCLUSÃO

Quero encerrar esta série te chamando a atenção para aquele que é o melhor Pai do mundo. No papel de filho, ele foi exemplar. Obedeceu a seu Pai, mesmo diante da morte. Como Pai, ele nos ama e nos orienta a como sermos felizes na terra. Por isso ele é o melhor exemplo para cada um de nós. Se você hoje está no papel de pai, tire de seu filho o direito de ser rebelde pedindo-lhe perdão por erros cometidos em sua educação. Se o seu papel é de filho, que tal hoje, perdoar seus pais e oferecer perdão. O Pai dos céus nunca falhou com você e ele te convida a perdoar seus entes queridos. Lembre-se de uma frase de autor, para mim, desconhecido: “Não importam o que fizeram de você, mas sim o que você vai fazer com o que fizeram por você”. Se você é mãe, não pense somente no sucesso profissional, na carreira ou na aposentadoria, pense nos filhos. Na educação de seus filhos no futuro. E que Deus nos abençoe a todos.

domingo, 17 de maio de 2009

Eu


Antes de começarmos a palestra de hoje quero fazer uma advertência para os homens. Faça agora, sua mulher se comprometer de que estará aqui no próximo domingo. Porque se ela disser “não sei querido”, sai agora. Caso contrário você vai ficar em desvantagem. Isso porque hoje a palestra vai pegar para o seu lado. E aí não é justo a coisa pegar para o seu lado hoje e no domingo que vem você não poder reagir. Outra coisa fique bem atento, no próximo domingo pouco antes de sair, ela sofrer algumas indisposições, dor de cabeça, telefonemas repentinos, fica esperto. Hoje eu vou falar sobre os homens, domingo que vem sobre as mulheres.

Quero alertar vocês de duas coisas importantes. O primeiro alerta é que os ensinos que vou colocar aqui não são popularmente corretos, mas biblicamente fiel. Não tenho o compromisso aqui de ser politicamente correto, mas de expor a Palavra de Deus com fidelidade, e espero que você me entenda. O segundo alerta: Eu vou dar algumas ilustrações para ajudar no entendimento do ensino bíblico, mas cuidado, não se apegue a eles, esteja atento aos princípios que eles estão tentando esclarecer. Dito isso, deixe-me apresentar para você a visão de Deus para o casamento e depois você decide o que vai fazer.

A Bíblia não fala que o homem em nenhum lugar é superior a mulher. Ambos têm a mesma essência, mas foram criados para exercerem funções diferentes. O movimento feminista dos anos 70 surgiu como uma resposta a opressão masculina, mas partiu para o outro extremo, a mulher tem assumido funções que Deus deu ao homem e pior, homens tornando-se cada vez mais seres efeminados. Não é de se estranhar que hoje já estamos ouvindo notícias como “mulheres preferem homens com traços femininos” (Jornal Hoje). Essa inversão de funções pode ser vista dentro de nossos próprios lares, homens ocupados com afazeres domésticos, usando brincos e roupas coladinhas de cor rosa e trejeitos femininos, enquanto as mulheres saem de casa com a responsabilidade de sustentar a família.

Conta-se de que num congresso cristão o dirigente usando o texto da ressurreição da filha de Jairo fez o seguinte comentário: “Irmãos, assim como Jesus ressuscitou a filha de Jairo dizendo ‘Talita cume, levanta e anda’, nós também precisamos ressuscitar o nosso lado feminino. Por muitos anos nós o reprimimos e isso tem de acabar. Por isso, peço que escrevam uma oração pedindo a Deus que ressuscite em você o seu lado feminino.” Um nordestino que estava no congresso, sentindo-se extremamente desconfortável com aquela situação, escreveu: “Talita cume, eu não sei se você existe, mas se existe, tá amarrado”.

Quero apresentar para vocês três desafios que a Bíblia apresenta aos homens. Vejamos.



Em Efésios 5:23 lemos: “o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja”. Ser o cabeça nada mais é do que assumir a liderança de sua casa. Todavia temos dificuldade com isso porque o modelo de liderança a que fomos educados é o modelo militar. A alguns anos, era comum os homens chegarem em casa, assentar no sofá e gritar com a mulher: “Mulher, o que tem pra comer?”, e em seguida ao filho: “filho, tira o sapato do pai” e encerrar dizendo a filha: “Maria, traz o jornal para o pai”. Todavia, não é esse o modelo de liderança a que o homem deve exercer.

A liderança que o homem deve exercer é a liderança personificada em Jesus. Jesus substituiu o exercício do poder (capacidade de impor sobre os outros a sua vontade) pela autoridade (capacidade de levar as pessoas a segui-lo por causa de seu exemplo e respeito). Segundo Jesus, líder é aquele que serve. O líder tem um compromisso sério em suprir as necessidades de sua família (materiais, físicas, emocionais, espirituais) e não necessariamente as vontades. Cabe ao homem a tarefa de prover todos os recursos para a manutenção de toda a sua família. É do suor do rosto de Adão que deveria sair o sustento para a sua família.



Em Efésios 5:25 encontramos o segundo desafio para o homem: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Mediante nossos problemas na terra, JESUS TOMOU A INICIATIVA de resolver os nossos problemas. Veio ao mundo e morreu por nós. Diante de Deus a responsabilidade dos erros da família é do homem. Quando Adão e Eva pecaram, Deus procurou Adão e não Eva. Disse Deus a Adão: “Onde você está? O que você fez Adão?” Adão respondeu: “Eu? o Senhor tá brincando né? A mulher que Tu me destes, pergunte pra ela.” Mesmo que Adão quisesse se esquivar de sua responsabilidade, diante de Deus ele continuava sendo o responsável pelos seus erros, e também pelos erros de sua família.

Isso não significa que o homem deve camuflar os erros da família, mas sim, deve assumir as responsabilidades no momento de crises no lugar da família. Se seu filho quebra a vidraça do vizinho, além de corrigi-lo, o homem deve pagar o conserto da janela. Se a mulher comprou e não pagou, a responsabilidade também é do marido. Cabe a ele administrar bem a sua casa. Aconteça o que acontecer, a responsabilidade é sempre do homem diante de Deus.

Certa vez meu filho ainda pequeno chegou para mim dizendo: “Pai, posso sair com meus amigos, a mãe disse que por ela tudo bem.” Fiquei chateado e acabei por ter uma conversa muito séria com minha esposa. Apesar de ser da responsabilidade do homem tudo aquilo que acontece com seus filhos, é importante que as mulheres entendam que esse tipo de comportamento acaba por colocar os filhos contra o pai, quando poderia dizer aos seus filhos que após conversar com o marido, a decisão será tomada.


O terceiro e último desafio se encontra em Efésios 5:25, 28, 33. Nesse pequeno texto o verbo que mais se repete é AMAR. 1 x se referindo ao amor de Cristo para com a Igreja; 1 x se refere ao homem amando a si mesmo; 3X se refere ao homem amando a sua mulher. Isso deixa muito claro que mulheres foram feitas para serem amadas. Mulheres merecem, carecem, querem, precisam se sentir amadas. Todavia, não se trata de um amor geral, mas dinâmico, e que precisa ser demonstrado de maneira específica.

No livro “As 5 linguagens do amor” o autor descreve que existem formas de demonstrar amor diferente, de pessoa para pessoa. São elas: 1) Qualidade de tempo – Trata-se de separar tempo para ouvir o ser amado com atenção e sem qualquer interferência; 2) O toque físico – São pessoas que não se contentam em palavras de carinho, precisam ser abraçadas e beijadas; 3) Dar e receber presentes significativos – Para essas pessoas elas ao receberem presentes entendem que são tão amadas que o doador se lembrou delas quando estava distante; 4) Formas de servir – Pessoas que são amadas quando você se dispõe a fazer algo para ajudá-las no seu serviço diário; 5) Elogios sinceros – Pessoas que necessitam de palavras de afirmação e de elogios sinceros para se sentirem amadas.

Diante disso, tudo o que o marido precisa fazer é descobrir o jeito que a esposa se sente amada, e dedicar-se a isso. Observe sua esposa. Se ficar difícil de saber a sua linguagem de amor, pergunte pra ela. Se de repente você descobrir que ela tem duas linguagens, você tem muito trabalho pela frente. Mas se te acontecer que ela tem as cinco, então eu vou orar por você.

CONCLUSÃO

Quero encerrar dado algumas dicas para todos:
Dica para as moças: Não troque a dor da solidão pela dor de estar casada com um marido que não tem compromisso com a visão de Cristo. É melhor sofrer a solidão do que as dores de um mau casamento.

Dica para os rapazes: Decida amar a sua futura esposa, atual namorada, como Cristo amou sua Igreja. Comece hoje tomando uma decisão de ser igual a Cristo para depois procurar uma esposa.

Dica para as mulheres: Pense em maneiras de facilitar o serviço de seu marido. Tornem-se amáveis, dignas do amor do marido (ande arrumadinha, use bons perfumes, use um tom de voz amigável, pegue mais leve, deixe de ser rabugenta e ranzinza)

Dica para os homens: Bem ou mal casados. Pensem em como manter e revitalizar o casamento e a família: 1) Assumam a liderança de sua casa; 2) Assuma as responsabilidades dos erros de sua esposa e filhos; 3) Ame sua esposa e sua família; 4) Eduque sua família nos caminhos do Senhor.

domingo, 10 de maio de 2009

O casamento


Na semana passada introduzimos este tema “Eu, a patroa e as crianças”. Apresentei o mal que o divórcio causa na vida familiar como sendo a principal razão que me levou a abordar tal tema. Apresentei também os meus objetivos com o mesmo.

Hoje falarei sobre o caminho de um homem com uma mulher chamado “casamento”. Por mais difícil que pareça se relacionar com uma pessoa completamente diferente de nós, o certo é que não estamos dispostos a abrir mão deste relacionamento porque não fomos criados para a solidão. Todavia, bem sabemos que duas pessoas vivendo juntas o resto de suas vidas sempre foi difícil demais. A Bíblia nunca disse que seria fácil. Vejamos por exemplo o texto de Provérbios 30: 18 e 19.

O autor de Provérbios diz que não conseguia entender o caminho de um homem com uma mulher. E de fato, isso é muito difícil. Todavia, gostaria de me arriscar e apresentar para nossa meditação três visões acerca do casamento. As duas primeiras são muito usuais em nossos dias. Todavia, somente a última a ser apresentada é capaz de salvar nosso casamento. Vejamos.



Essa visão é grandemente influenciada pelos contos de fada, filmes e novelas com suas carruagens, bailes e castelos. Interessante, não sabemos nada do que aconteceu, por exemplo, com a Branca de neve e o príncipe depois que se casaram. Você não sabe, mas eles quase se divorciaram por causa da influência dos sete anões no relacionamento deles. Você já parou para pensar como foi a vida da cinderela, 30 anos depois, quando já tinha 5 filhos e o corpinho dela já não era mais de princesa e o príncipe por perder o trono tornou-se obeso e deprimido? Isso ninguém conta, pelo contrario, estas histórias sempre quando chegam ao auge da paixão normalmente terminam com a frase “e viveram felizes para sempre”.

Da mesma maneira, não são poucos que entram num casamento pensando apenas que serão felizes para sempre e que nunca terão problemas. Tais pessoas quando casam, normalmente acabam por optando pelo divórcio porque, com pouco tempo de casados, descobrem que o casamento não é só um mar de rosas. Essa visão tem contribuído muito para o aumento de divórcios. A revista Época (jun 2004) diz que o divórcio cresceu 55% na última década. Diz ainda que os casais vivem em média 3 anos e depois se divorciam. Hoje, o terceiro motivo de stress é o divórcio que perde apenas para morte do cônjuge e morte do filho.

Outra característica desta visão é o que a Psicóloga Regina Polit chama de “Geração Imediatista”. Segundo ela, a nossa geração é tendenciosa ao divórcio porque não aprendeu a lidar com suas frustrações e principalmente com seus problemas. Quando enfrentam problemas no casamento abandonam a relação. É uma geração que quer ter a intimidade conjugal, mas com a liberdade de solteiro. Tais pessoas quando casam, menosprezam os sentimentos e a vida do cônjuge e dos filhos, se divorciam afirmando sempre o seguinte: “eu tenho o direito de ser feliz”. Estas pessoas são aquelas que se divertem com a relação sexual, como se estivessem lidando com um brinquedo. E como diz a Bíblia “Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz isso por brincadeira.” Pv 26:18-19.


Pessoas com esta visão afirmam que Adão estava certo quando disse que seu erro foi por causa da “mulher que tu me deste” (Gn 3:12). Devido as dados estatísticos sobre o divórcio, é comum ouvirmos frases como da Socióloga da família Maria Leandro: “O casamento dura enquanto dura o amor sentimental.”; do Filósofo americano Arthur Shopen haoer: “Casar significa duplicar as suas obrigações e reduzir pela metade os seus direitos”; do Dramartugo Irlandês Jorge Bernatchau: “Matrimônio não é loteria, na loteria algumas vezes se ganha” ou ainda de internautas: “Casamento é bom, o problema é que dura”.

Depois de ouvir uma abordagem bíblica sobre o casamento, certa moça enviou um email para o seu pastor dizendo: “As pessoas que estão casadas dizem: Pra que casar? Você não sabe como a sua vida é boa como está? Fique só namorando esse é o melhor da vida. Ainda mais você que é independente, ter um homem que vai querer mandar em você, que vai te privar da sua total liberdade, pode não ser um bom negócio.”

De igual forma, um rapaz também enviou um email dizendo: “Ouço de homens, amigos meus, dizendo: Por que casar? É melhor ficar solteiro! Posso conhecer várias mulheres diferentes, não ter compromisso com ninguém, ficar galinhando. Ela mora na casa dela e eu moro na minha casa. Saímos na semana para namorar, ir a night, fazer amor e saborear as delícias dos prazeres”.

As pessoas que deram tais conselhos com certeza não sabem nada sobre o casamento planejado por Deus. Podemos perceber nestes conselhos uma imaturidade tão presente em nossos dias. Pessoas com idade adulta, mas com comportamento de adolescentes em formação. Estas pessoas ainda não se deram conta de que são adultos e como tais deveriam ser maduros e responsáveis. Todavia tais pessoas preferem se vestir e falar como adolescentes. Enquanto no passado era comum encontrar uma menina calçando o sapato da mãe, hoje acontece o contrário, são os pais se vestindo como os filhos vivendo uma eterna adultecência.

Outra característica desta visão são as uniões informais. Tais pessoas preferem se unir informalmente afirmando que casar no papel dá azar. Quando ouve falar de casamento eles dizem: “Casamento? Tô fora! Eu tenho um amigo que morou junto por dez anos, quando ele se casou, trinta dias depois se divorciou.” Esse é um mito que as pessoas citam para justificar o relacionamento informal. Todavia, por trás deste mito, o que na maioria dos casos constatamos é que existe o medo da responsabilidade de encarar o casamento. Isso certamente não é a vontade de Deus.


Por último, quero apresentar-lhes a visão realista acerca do casamento. Quando Deus criou a mulher e deu ao homem, veja o que disse Adão em Gênesis 2.23: UAU! “Essa sim é osso dos meus ossos e carne da minha carne,” ou seja, os dois eram feitos da mesma essência, todavia com funções diferente e que se completam.

No vs. 24 ainda lemos: “se tornarão uma só carne” (NVI). O nosso problema consiste em que se por um lado nós necessitamos da companhia do outro, por outro lado nós temos grandes dificuldades em desenvolver uma relação saudável e duradoura com o outro. Sozinhos, somos infelizes, mas casados há um caminho difícil a seguir. Por isso, alguns optam por divorciar.

Todavia, temos uma necessidade de uma testemunha ocular, um companheiro(a) nas alegrias, nas tristezas, no prazer e na dor, no sucesso e na derrota. No livro de Walter Trobisch, Amor, um sentimento a ser aprendido, ele conta uma lenda que ilustra bem esse problema. Ele escreve:

Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo mais nada sólido para construir a mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a mulher e a entregou ao homem como sua companheira. Após uma semana, o homem voltou e disse: Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala sem cessar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo. Facilmente fica emburrada e fica às vezes muito tempo ociosa. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela.

Depois de uma semana o homem voltou ao Criador e disse: Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu sempre penso nela: em como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se achegava a mim. Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir. Por favor, devolva-me ela. Está bem, disse o Criador. E a devolveu.

Mas, três dias depois, o homem voltou e disse: Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe, tomá-la de novo! Não consigo viver com ela! E o Criador respondeu: Mas também não pode viver sem ela, não é mesmo? E virou as costas para o homem e continuou o seu trabalho. O homem desesperado disse: Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela. E o Senhor arremata: Achei que, com as tentativas, você já tivesse descoberto. Amor é um sentimento a ser aprendido: É tensão e satisfação - É desejo e hostilidade - É alegria e dor - Um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A sua própria beleza e o seu próprio fardo. Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá sempre que abdicar alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa. Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade. É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o silêncio pelo sorriso. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do amor
.”

Quando você se casa com alguém, você se casa com a pessoa toda. Não dá para escolher apenas as partes que você aprecia. É preciso entender que no casamento haverá momentos difíceis de lidar, mas que comparados com a alegria e o prazer da companhia do outro vale a pena. Na verdade, o sofrimento de fato faz parte do amor. O casamento será muito difícil se você optar pela amargura, mas um caminho prazeroso se você optar pelo amor.


Olhando para Gênesis 2 podemos ver que Deus nos criou para a felicidade. Mas no capítulo 3 Adão e Eva resolvem não levar Deus a sério e tentam levar a relação por conta própria e aí começou o problema. Isso pode ser observado na vida das famílias da Bíblia a partir de Gênesis 4. Ao olhar para as famílias de Adão, Noé, Abraão, Isaque e Jacó você volta para casa animado e olha para seus filhos e diz “eles não são tão maus assim”; olha para sua esposa e diz “querida, muito obrigado, porque você é muito mais honesta do que muitas mulheres bíblicas” e você olha para seu marido e diz “querido, você heim! bem melhor do que Abraão”

Apesar do grande estrago que vemos a partir de Gênesis 4 Deus não abandonou a idéia de fazer-nos feliz em família. Em Cristo, a felicidade pode ser real baseada no amor e não na paixão. O que sustenta uma família, um casamento feliz não é o sentimento de paixão, mas atitudes de amor. Cantares 8:7 diz “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.” Que Deus nos abençoe.

O amor é muito mais que um sentimento. É uma decisão de promover (através de atitudes) o bem estar do outro, a felicidade do outro. Se amor fosse só sentimento de estar enamorado, de gostar de alguém, de estar apaixonado, Jesus não teria dito que eu preciso amar o meu inimigo. Amor é atitude, muito mais do que sentimento. E a atitude, chamada amor, é a base para um casamento feliz. Mas, você pode estar se perguntando, mas como posso amar uma pessoa tão diferente de mim? Para isso, preciso que você volte no próximo domingo quando abordaremos este assunto.

domingo, 3 de maio de 2009

Introdução


Hoje estamos iniciando esta série de mensagens “Eu, a patroa e as crianças”. Procuraremos olhar para os conceitos e desafios de nossa cultura que ameaçam nossas famílias de extinção. Nada mais seguro do que voltarmos nossa atenção para Aquele que projetou a relação conjugal e familiar, buscando respostas sobre como ter uma relação conjugal estável e uma família verdadeiramente feliz.

De início leiamos Mateus 19.3-11: “Alguns fariseus chegaram perto dele e, querendo conseguir alguma prova contra ele, perguntaram: Será que pela nossa Lei um homem pode, por qualquer motivo, mandar a sua esposa embora? Jesus respondeu: Por acaso vocês não leram o trecho das Escrituras que diz: “No começo o Criador os fez homem e mulher”? E Deus disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa.” Assim já não são duas pessoas, mas uma só. Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu. Os fariseus perguntaram: Nesse caso, por que é que Moisés permitiu ao homem mandar a sua esposa embora se der a ela um documento de divórcio? Jesus respondeu: Moisés deu essa permissão por causa da dureza do coração de vocês; mas no princípio da criação não era assim. Portanto, eu afirmo a vocês o seguinte: o homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, se tornará adúltero se casar com outra mulher. Os discípulos de Jesus disseram: Se é esta a situação entre o homem e a sua esposa, então é melhor não casar. Jesus respondeu: Este ensinamento não é para todos, mas somente para aqueles a quem Deus o tem dado.”

Nesta passagem ao ser questionado sobre o divórcio, Jesus defende que Deus não projetou a separação conjugal. Ele fez o homem e a mulher com um plano de torná-los felizes uma ao lado do outro. Todavia, ao olharmos para nossa cultura, parece-nos que este plano foi perdido a muito tempo, bem como a esperança de encontrá-lo. Na verdade, talvez nem queiramos encontrá-lo. Por isso mesmo, quero apresenta-lhes as razões pelas quais resolvi falar sobre esse tema.


Primeira razão – Crescente aumento no número de divórcios. Segundo pesquisas que realizei na internet, a cada 3 minutos acontece um divórcio e para cada quatro casamentos realizados hoje, acontece um novo divórcio. Se divórcio pudesse ser comparado a uma enfermidade, poderíamos afirmar que a nossa sociedade vive uma verdadeira epidemia. Há alguns anos o divórcio era visto como algo muito prejudicial. Hoje é algo esperado por quem está se casando.

Segunda razão – A drástica mudança de comportamento nas separações. Nos anos oitenta de cada dez pessoas que buscavam ajuda para salvar o casamento, nove eram mulheres. Hoje a situação mudou. De cada dez pessoas que desejam salvar o casamento, nove são homens. Isso pode ter razões sócio-econômicas e ou emocionais. A busca pela independência financeira e sonhos pessoais leva muitas pessoas a abortarem a relação.

Terceira razão – A banalização do divórcio. Divórcio nos anos oitenta era tema que causava terremoto na família e Igreja. Hoje se tornou comum. Segundo a Bíblia o divórcio é permitido mediante a infidelidade conjugal ou quando uma pessoa se converte a Cristo e o seu cônjuge aborta a relação.


1ª vítima: Aquele que é rejeitado. Estes passam anos tentando descobrir onde fracassaram, trazendo sobre si a culpa mesmo quando ela não existe. O risco de suicídio é 290% mais alto entre as pessoas divorciadas do que entre as casadas. Entre as pessoas que sofrem de qualquer tipo de distúrbio psiquiátrico 44% são divorciados e 52% são pessoas não casadas que moram juntas e mantêm uma relação marital.

2ª vítima: Aquele que rejeita – se torna cada vez mais tendencioso a se divorciar outras vezes. Quem passa por um divórcio tem duas vezes mais chances de se divorciar num novo relacionamento. A cada dez casais casados pela segunda vez, quatro se divorciam novamente, e pior, a cada dez casais que se casam pela terceira vez, apenas dois permanecem casados.

3ª vítima: Os filhos – Estes certamente são os que mais sofrem com o divórcio. Criança que vive o divórcio se torna muito propenso a se divorciar quando casarem. Os meninos têm duas vezes mais a possibilidade de acabar na prisão do que os outros meninos, independente da condição sócio econômica. Ainda, a probabilidade de uma filha sofrer abuso sexual de seu padrasto é pelo menos sete vezes maior que as chances de sofrer abuso por parte do pai biológico.


Eu sei que entre nós existem muitos casais que já estão numa segunda ou terceira tentativa. É provável também que existam aqui, aqueles que estão pensando em se divorciarem. Todavia, quero dizer-lhes que o meu objetivo com este tema é:

Primeiro objetivo - Alertar casais sobre o perigo que ronda seus casamentos e desafiá-los a investir intencionalmente na sua relação. Isso porque o divórcio não escolhe idade. Pode você estar casado a uma semana, ou há várias décadas, se não investir intencionalmente no seu casamento, suas possibilidades de passar por um divórcio e destruir sua família são muito grandes.

Segundo objetivo - Apoiar aqueles que foram vítimas do divórcio a reconstruírem suas vidas, libertando-se do passado para viver o plano de Deus. Olhar para o casamento não como um peso, mas como um prazer. Ajudar a entender o que aconteceu e lutar por dias melhores. Todavia, precisarei que você venha nos próximos domingos para que eu possa detalhar melhor sobre esse assunto.

Terceiro objetivo - Encorajar os jovens a um relacionamento saudável e uma visão crítica da cultura nociva de nosso tempo. Casar é muito bom e é algo que deve ser desejado e buscado. Todavia, para que um casamento dê certo, é preciso levar em consideração os princípios seguros da Palavra de Deus.


Por hoje, para encerrar convido você a ler comigo a oração de Paulo que está registrada em Efésios 3.14-21: “Por esse motivo, eu me ajoelho diante do Pai, de quem todas as famílias no céu e na terra recebem o seu verdadeiro nome. E peço a Deus que, da riqueza da sua glória, ele, por meio do seu Espírito, dê a vocês poder para que sejam espiritualmente fortes. Peço também que, por meio da fé, Cristo viva no coração de vocês. E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor, para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade. Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente, peço que vocês venham a conhecê-lo, para que assim Deus encha completamente o ser de vocês com a sua natureza. E agora, que a glória seja dada a Deus, o qual, por meio do seu poder que age em nós, pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos! Glória a Deus por meio da Igreja e por meio de Cristo Jesus, por todos os tempos e para todo o sempre! Amém!”

Pode ser que você já procurou todo tipo de ajuda para salvar o seu casamento e até agora nada resolveu. Talvez não são mais terapias, aconselhamentos, que podem mudar a situação. Vocês certamente precisam da ação de Deus para mudar a situação. Ele sim, como diz o apóstolo Paulo, pode fazer muito mais do que nós pedimos ou até pensamos. Que tal voltar nas próximas semanas ara ouvir o que ele tem a dizer a vocês? Que Deus nos abençoe.