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domingo, 21 de março de 2010

O desejo de Deus


Uma semana antes do natal, um rico empresário visitou seu irmão, um pregador batista e deu-lhe um carro zero km de presente. O pregador sempre mantinha o carro novo na garagem debaixo dos olhos atentos de seu dono. Foi por isso que ficou surpreso quando chegou para pegar o seu carro certa manhã e viu um jovenzinho mal vestido com o rosto encostado numa das janelas do mesmo. O rapazinho não estava fazendo nada suspeito, obviamente apenas admirava o interior luxuoso do veículo.

“Olá, filho” disse o pregador. O menino olhou para ele e disse: “Esse carro é seu patrão?”. “Sim” respondeu Rui. “Quanto custou?”. “Não sei realmente o preço dele”. “Quer dizer que é dono do carro e não sabe quanto custou?”. “Não, não sei. Meu irmão me deu de presente”. Ao ouvir isso, os olhos do garoto se arregalaram surpresos. Ele pensou um pouco e disse depois com um ar de desejo sincero: “Eu queria... Eu queria...” Rui pensou que sabia como ele ia terminar a sentença. Pensou que diria: “Eu queria ter um irmão assim”. Mas ele não disse. O menino olhou para Rui e disse: “Eu queria SER um irmão assim”.

Quando li sobre esse epsódio, fiquei tocado não pelo presente que o milionário deu ao pastor. Apesar do presente caríssimo, creio que para alguém milionário não deve ter sido um sacrifício tão grande assim. O que de fato me causou espanto foi o desejo do menino de ser e não de ter um irmão milionário e desta forma poder ser bênção na vida de seu irmão. Quando na nossa vida a prosperidade não é tão aparente, que tipo de “centro de distribuição” podemos ser na vida das pessoas que nos cercam? Como podemos abençoar quando a nossa despensa está vazia? É possível ajudar quando eu estou precisando de ajuda? É possível buscar ajuda para alguém que sofre quando a minha vida ainda permanece no escuro da dor e do sofrimento?

A MULHER CANANÉIA

O texto de hoje nos fala de um encontro único por pelo menos três motivos. O primeiro é porque nele fica evidente de que a salvação não está limitada apenas ao povo de Israel. Pela primeira vez Jesus faz um milagre à distância fora dos domínios da nação de Israel e por último porque é a primeira vez que Jesus diz não a um pedido por ajuda.

Mateus 15.21-28 nos conta de uma mulher estrangeira que movida pelo sofrimento de sua filha, sai de sua casa e vai ao encontro de Jesus, Sua vida também estava envolvida em sofrimento. Mas o que fez essa mulher para alcançar a cura de sua filha? Vejamos.


Aqui somos apresentados a uma mulher que tinha uma filha com uma necessidade grave e urgente. A menina sofria de uma doença séria. Veja qual foi o diagnóstico da mãe: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada” Mateus 15.22b. A forma como Jesus tratou a situação parece que o diagnóstico da mãe estava errado e que a filha de fato estava era muito doente.

É interessante notar que em sua fala, ela não consegue camuflar o seu próprio sofrimento. Mas imediatamente ela se lembra da razão de se estar ali. Pede pela filha, ainda que tivesse muitos outros problemas pessoais. É óbvio que muito de seu sofrimento estava intimamente ligado ao sofrimento da filha, mas certamente havia outros. Mas, naquele momento não importava, sua busca era por sua filha que sequer a pode acompanhá-la.

Esse fato nos leva a perceber que quando nos envolvemos com o sofrimento alheio, a nossa dor parece diminuir. Por vezes podemos estar passando pelo vale da sombra da morte, a nossa fé pode parecer pequena, a nossa vida parece estar no escuro, mas quando nos dispomos a ajudar pessoas que sofrem, a interceder a Deus por elas, esquecendo-nos por um breve momento de nossa dor, isso agrada a Deus. Basta lembrarmos de que Deus restaurou a sorte do grande Jó, quando ele, deu um tempo em sua queixa e clamou pelos seus amigos.


Quando a mulher estrangeira encontra Jesus, ela começa a clamar em alta voz por ajuda. Seu clamor incomodou a tal ponto que os próprios discípulos pediram a Jesus que a despedisse e a mandasse embora. Ela, no entanto, sabia muito bem o que queria e não estava disposta a desistir. Chegou-se a Jesus, prostrou-se e adorou-o. Em seguida a atitude do Senhor nos causa espanto: “Ele, porém, não lhe respondeu palavra” Mateus 15.23a

È muito difícil entender as razões porque Jesus tomou essa atitude. Ele que sempre acolhe o coração que sofre aliviando sua dor, de repente parece não dar a mínima para o sofrimento dessa mulher estrangeira. Apesar disso, de não entender o que ele fez, temos que admitir, Deus trabalha no escuro. Alguma coisa estava sendo trabalhado na vida dessa mulher fora do alcance dos olhos, na alma. Deus certamente também trabalha quando fica em silêncio. Pode a vida ficar com cara de absurdo, pode o clamor soar sem resposta, mas a Palavra de Deus nos garante: “O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã”.


Diante do silencio de Jesus, essa mulher não desiste. O certo é que depois de viajar não sabemos por quanto tempo ou mesmo com quanto recurso financeiro, essa mulher não estava disposta a desistir, ainda que tivesse que ser humilhada. Ela sabia que precisaria vencer uma série de preconceitos para conseguir falar com o Mestre. Era mulher, e era bem sabido que era desonroso para uma mulher falar em público com um homem que não fosse seu parente. Era estrangeira, e como tal era menosprezada. Todavia, pelo bem de sua filha, ela estava disposta a passar por qualquer dificuldade desde que a menina fosse curada.

Diante de sua insistência, o Senhor resolve falar. “Não se dá o pão dos filhos aos cachorrinhos. Vim para os filhos de Israel e não para os estrangeiros”. Agora era demais! Primeiro ignora, depois ofende? Por bem menos conheço pessoas que diriam: “Olha aqui Senhor. Tudo bem que eu sou mulher estrangeira. Que vim buscar ajuda para minha filha. Mas daí me comparar com cachorro já é demais. O Senhor é muito mal educado. Se não quer me ajudar é só dizer, não precisa me humilhar”. Mas não! Você já parou para ver o que ela disse?

Ela surpreendentemente se humilhou e disse: “Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.” Mateus 15.27. Era o mesmo que dizer: “Tudo bem. Eu sei que não mereço o pão dos filhos, mas me dê nem que sejam as migalhas que caem da mesa deles. Eu sei que o muito sem Deus é pouco demais, mas o pouco sem ele, muito se faz”. Fantástico! Grande! Maravilhoso! Essa mulher surpreende até o Mestre que voltando-se para ela diz: “Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.”

Esta mulher não é daquelas pessoas que aceita o caos como natural. Não era daquelas pessoas que dizem: “Alguma coisa devo ter feito de errado para que essa menina tenha essa doença. Ou talvez, quem sabe, essa não é a minha cruz. Talvez essa seja a vontade de Deus para minha filha e para mim.” Não! Deus não planejou o sofrimento para a vida de ninguém. No seu plano maravilhoso ele planejou a vida abundante, feliz. O pecado é que destruiu tudo aquilo que tocou. Mas, no mundo planejado por Deus o sofrimento humano não foi sequer esboçado por ele. Não temos que aceitar o caos como natural, precisamos levar nossos pesados fardos, humildemente, aos pés daquele que pode mudar a nossa sorte.

CONCLUSÃO

O pastor Rui ficou tão intrigado com aquele menino que disse: “Olhe filho, quer dar uma volta?” O garoto respondeu imediatamente: “Claro que quero!” Os dois entraram no carro, saíram da garage e percorreram vagarosamente a rua. O menino passou a mão pelo tecido macio do assento dianteiro, aspirou o cheiro do carro novo, e tocou o painel. Depois olhou para o novo amigo e pediu, “Patrão, será que podia passar pela minha casa? Ela fica a duas quadras daqui”.

Rui supôs novamente saber o que o garoto queria. Ele pensou que seu desejo era mostrar o carro para alguns dos meninos da vizinhança. Por que não? Pensou. Orientado pelo jovem passageiro, Rui parou na frente de um velho conjunto habitacional.

“Patrão”, disse o menino quando pararam na esquina, “pode ficar aqui apenas um minuto?” Volto já! Rui concordou e o garoto correu para a entrada do prédio e desapareceu. Depois de uns cinco minutos, o pregador começou a imaginar onde o garoto teria ido. Ele saiu do carro e olhou para o alto da escadaria sem iluminação. Enquanto olhava, ouviu alguém descendo devagar. A primeira coisa que viu emergindo das sombras foram duas perninhas finas e tortas. Um momento depois, Rui compreendeu que era o menino carregando outra criança menor, evidentemente seu irmão.

O garoto colocou gentilmente o irmão na porta da calçada. “Viu?” Disse ele com satisfação. “É como eu lhe disse. É um carro novinho em folha. O irmão deu para ele e algum dia eu vou comprar um carro assim para você!”

Como disse, a generosidade deste menino pobre me deixa perplexo. Por que sonhava com uma prosperidade impossível? Para que pudesse gastá-la generosamente com o irmão! Eu gostaria de ser um irmão assim. Essa foi a motivação que desejei que o Senhor colocasse em minha vida. Se Deus vai me cobrir de bênçãos do seu depósito, eu quero ser também um abençoador. Estou convencido de mesmo estando no escuro Deus deseja que sejamos benção na vida de outros que sofrem.

Na verdade o próprio Jesus nos deixou exemplo de como podemos abençoar a vida daqueles que sofrem. Ele abriu mão de todo o conforto e prazer oferecido pelo Pai e se submeteu ao pior tipo de sofrimento para que através de seu sacrifício pudéssemos ter vida abundante. Em meio ao sofrimento ele não exigiu o cumprimento de seus direitos. Não reclamou. Como um cordeiro mudo morre lentamente. Apenas por amor, se dispôs a fazer o maior sacrifício em nosso benefício. Três dias depois ressuscitou e hoje vive para sempre. Que este exemplo nos inspire.

domingo, 14 de março de 2010

Louvor no escuro


A realidade do povo de Deus nunca foi um mar de rosas. Como sabemos, os israelitas foram escravizados no Egito por um longo tempo. Eles sofreram terrivelmente nas mãos daquele povo e foram atormentados com trabalhos pesados, chicotadas dolorosas, opressão, horrível desconforto, morte, etc (Êxodo 2.11). A angústia era tão grande que na história da sarça ardente, Deus disse a Moisés que já havia visto a aflição do seu povo, assim como já havia ouvido o seu clamor (Êxodo 3.7). Meu irmão, você pode imaginar o quão forte não era este clamor? Tenho certeza de que só uma pessoa que já viveu situação semelhante pode compreender a profundidade desta história bíblica. A agonia era indescritível e insuportável.

Mas houve um basta! A opressão estava prestes a ser interrompida. Deus ouviu as súplicas do seu povo e pessoalmente chamou um homem para falar em favor da libertação dos filhos de Israel: Moisés. Mas Moisés não queria ir ao Egito, ele tinha medo. Mesmo relutante ele aceitou e levou Arão consigo. Aí começou o processo de libertação e o início da longa história que você pode ler no livro de Êxodo.

Vamos abreviar a história. Após as dez pragas terem acontecido, o povo de Deus foi liberto e seguiu em direção ao solitário deserto. Porém, os soldados egípcios vieram atrás deles em perseguição. Num certo momento, os israelitas se depararam com um grande problema à sua frente: a imensidão do mar. Que situação de pavor, que horror, que circunstância desesperadora! Talvez muitos tenham gritado: “Não temos chance alguma!”. Eles estavam cercados, com o mar a frente, e os egípcios atrás. Neste exato momento, os filhos de Israel blasfemaram contra o Senhor e contra Moisés: ...e disseram a Moisés: Foi porque não havia sepulcros no Egito que de lá nos tiraste para morrermos neste deserto? Por que nos fizeste isto, tirando-nos do Egito? Não é isto o que te dissemos no Egito: Deixa-nos, que sirvamos aos egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. (Êxodo 14.11,12)



Mas veio a providência de Deus! A Bíblia relata no livro de Êxodo que se abriu o mar e o povo de Israel atravessou pelo meio, em terra seca. O que eles viam do seu lado eram apenas dois enormes e assustadores paredões d'água. Não nos é possível imaginar a admiração que cada israelita expressava na face. Talvez muitos deles pensaram que estavam tendo visões ou alucinações, devido ao calor ou a situação estressante. Mas não, aquilo era real!

Os egípcios bem que tentaram. Quando eles ansiosamente tentaram atravessar o mar para alcançar o povo de Deus, estes dois paredões d'água despencaram matando todos eles. O relato bíblico poderá ser lido abaixo: E os egípcios os perseguiram, e entraram atrás deles até o meio do mar, com todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros... Nisso o Senhor disse a Moisés: Estende a mão sobre o mar, para que as águas se tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros. Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o mar retomou a sua força ao amanhecer, e o Senhor derribou os egípcios no meio do mar. As águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros, todo o exército de Faraó, que atrás deles havia entrado no mar; não ficou nem sequer um deles. (Êxodo 14.23, Êxodo 14.26-28)

Que prodígio! Neste momento o povo de Israel percebeu a grande maravilha que Deus havia feito por eles, e talvez conheceram um pouco mais do Deus que eles serviam. Mas foi apenas após o milagre que eles caíram em si, e se “ligaram” que deveriam ter crido em Deus antes da bênção. “E viu Israel a grande obra que o Senhor operara contra os egípcios; pelo que o povo temeu ao Senhor, e creu no Senhor e em Moisés, seu servo”. (Êxodo 14.31)

Você sabe o que Moisés e os filhos de Israel fizeram logo após estes acontecimentos? Eles louvaram a Deus. Isto mesmo! Moisés (e todo povo) entoou um cântico que engrandecia a Deus pela vitória sobre o povo inimigo. “Então cantaram Moisés e os filhos de Israel este cântico ao Senhor, dizendo: Cantarei ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro...” (Êxodo 15.1)


Foi um episódio realmente maravilhoso, não foi? Deus mostrou o seu poderio de forma sobrenatural e muito peculiar. Mas este fato não é apenas bonito e maravilhoso, ele nos ensina uma valiosa lição de vida. Para que você entenda melhor desejo te fazer algumas perguntas: O que houve de errado nesta situação? Qual foi o erro que o povo de Israel cometeu e que muitas vezes nos passa despercebido quando lemos este texto? Qual foi a diferença entre o louvor de Moisés e o louvor dos filhos de Israel?

Preste atenção, o povo de Israel só se propôs a entoar um cântico depois que Deus havia livrado eles da mãos do adversário. No entanto, enquanto enfrentavam problemas e estavam em dificuldades, eles insistiam em continuar resmungando e blasfemando contra Deus, na pessoa de Moisés. A verdade é que os israelitas louvaram a Deus somente depois que atravessaram o mar, lá na outra margem. E é precisamente aqui que houve uma grande falha. Antes do milagre, Deus foi aborrecido e entristecido, pois o seu próprio povo duvidou dele ao invés de louvá-lo ou erguer cânticos como fizeram mais tarde. Muitos diziam: “Será que Deus nos tirou do Egito para que perecêssemos no deserto? Melhor tivéssemos ficado no Egito, aonde tínhamos pão e água!”. Alguns preferiram estar de volta ao Egito, terra de escravidão e sofrimento, do que permanecer nas mãos de Deus.

Meus queridos irmãos, quantas vezes executamos o mesmo processo em nossa vida? Quantas vezes agimos como o povo hebreu, duvidando de Deus nas angústias, mas louvando nas alegrias? Quantas vezes “chutamos o balde” dizendo: “Melhor tivéssemos ficado no mundo, aonde não tínhamos lutas como estas...!” ou “Deus não vai operar milagres em nossa Igreja?”. Quantas vezes estamos louvando a Deus só depois que atravessamos o mar, somente depois que o milagre e a provisão terem sido enviadas?

Deus deseja que nós o louvemos em todas as situações de nossas vidas! Nós devemos aprender a erguer cânticos nas situações mais adversas, onde parece que não há mais saída, e Deus irá em nossa frente para derrotar o problema. Devemos seguir o exemplo de Moisés, que ao contrário do restante do povo hebreu, permaneceu fiel ao Senhor nos tempos de aflição. É óbvio que é extremamente difícil fazer isto, ainda mais em circunstâncias onde parece não haver saídas, porém não é impossível. Se você estiver com dúvidas leia a história do aprisionamento de Paulo e Silas.

Muitas vezes nós temos extrema facilidade para entristecer a Deus diante dos pequenos problemas que encontramos. Por exemplo, não é difícil encontrar cristãos reclamando da igreja que é tradicional demais, do pastor que é mente fechada, da equipe de louvor que não tem entrosamento, dos estilos dos cânticos que são lentos ou rápidos demais, dos líderes chatos, e até mesmo encontramos irmãos irritados com Deus. São estes irmãos que louvam de forma errada, somente de um lado do mar! Têm disposição para louvar a Deus só em tempo de fartura, mas quando se deparam com um incômodo qualquer, blasfemam contra o Senhor! É realmente triste encontrar um grande número de pessoas nestas circunstâncias.
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Há um cântico baseado em um salmo, que quero compartilhar com você: Em todo o tempo eu te louvarei, ó Senhor, sempre estará nos meus lábios o teu louvor.. Que bom seria se este cântico fosse uma verdade nas nossas vidas. As coisas seriam bem diferentes, você não acha? Sabe o que foi que Moisés respondeu ao povo, enquanto eles caíam em reclamações sem fim? “Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que ele hoje vos fará; porque aos egípcios que hoje vistes, nunca mais tornareis a ver; o Senhor pelejará por vós; e vós vos calareis.” (Êxodo 14.13,14)

CONCLUSÃO

Meus queridos irmãos, eu os desafio a terem sempre em seus lábios um cântico de agradecimento e louvor ao Senhor. Não louvem a Deus apenas no lado bom da vida, mas se voltem para Deus em tempos difíceis também. Não devemos estar questionando a Deus o porquê de termos determinados problemas e aflições, mas devemos estar prontos a declarar: "Cristo, tu és meu refúgio, em quem posso confiar... coloco a minha confiança em Ti!", "O meu descanso e o meu socorro vem de Ti...", "Minha fortaleza é o Senhor...", "Te agradeço por me libertar e amar, por ter morrido em meu lugar te agradeço...".

Com certeza, Deus se alegrará em ver que você é fiel nos dois lados do mar, nos dois lados da vida! Aí é só esperar o milagre dele: “...os filhos de Israel caminharam a pé enxuto pelo meio do mar; as águas foram-lhes qual muro à sua direita e à sua esquerda. Assim o Senhor, naquele dia, salvou Israel da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar.” (Êxodo 14.29,30)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O raio-x de Deus


Você já deve ter ouvido falar de Susan Boyle. Ela é uma cantora amadora escocesa que tornou-se famosa por sua aparição em 11/04/2009 no popular show de calouros na TV, no Reino Unido. Desempregada e solteira com 47 anos, por causa de sua aparência, foi considerada atrasada e retardada ao longo de sua vida. Cuidava de sua mãe no afastado vilarejo de Blackburn.

No momento em que subiu ao palco para tentar a sorte, esta simpática interiorana com seu jeito tímido e desengonçado, arrancou da platéia debochados risinhos de desdém e descrédito. Desprovida de qualquer sinal de beleza, disse aos jurados que seu sonho era tornar-se uma cantora profissional, e sempre quis apresentar-se para uma grande platéia, mas nunca lhe foi dada tal oportunidade.

Desprezada pelos jurados e por toda a platéia, enfrentou a vergonha e o deboche, e começou a cantar.

Clic aqui e assista a apresentação de Susan Boyle pelo YouTube


O sucesso de Susan foi tão grande que em poucas semanas foram mais de 100 milhões de acessos ao vídeo de Susan Boyle no YouTube. Ela virou um fenômeno na internet. A dona desse vozeirão tornou-se celebridade de uma hora para outra.

Sua simpatia e principalmente sua voz conquistaram fãs pelo mundo todo, dentre muitas celebridades, como Barack Obama, Demi Moore. Foi um choque ver alguém com aquela aparência cantando tão divinamente? Para a maioria, foi. Menos para Deus.


O profeta Samuel foi obrigado a engolir essa verdade quando o Senhor o enviou ao rancho do criador de ovelhas, Jessé, para ungir o novo rei de Israel. Jessé tinha sido abençoado com sete filhos de bela aparência, e um irmãozinho “insignificante” que pastoreava o rebanho nos montes. Quando o mais velho foi apresentado a Samuel, o idoso profeta se aprumou na cadeira e fez um sinal de aprovação com a cabeça. Ali estava um bom material para o trono! Que magnífica espécie de homem! Que ar majestoso! Seus ombros eram largos, seu sorriso mostrava dentes brancos e brilhantes! Salve o chefe! A mão de Samuel devia ter-se dirigido para o óleo da unção quando a voz do Senhor o deteve: “Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”.

Deus sabe que há mais numa vida do que uma boa aparência e ele sabe que aquilo que você vê não é necessariamente o que obtém. Nossa cultura é mais obcecada pelo exterior do que a do primeiro século. Gastamos bilhões por ano em cosméticos, roupas de grife, calçados esportivos “certos”, produtos para os cabelos, salões de bronzeamento e centros de regime, tudo para nos dar uma boa aparência.

Todavia, o próprio Davi, o jovem esquecido pelo pai, pelos irmãos, por Samuel, mas não pelo Senhor, disse: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirigi-me pelo caminho eterno” (Salmo 139.23-24). Davi reconheceu que aquilo que impressiona as pessoas, não impressiona a Deus.
Só porque uma casa tem um jardim bem tratado e placas e quadros cristãos na entrada, isso não significa que a família lá dentro não está se deteriorando. Só porque você se ocupa com as atividades da igreja, carrega uma Bíblia no painel de seu carro, ouve emissoras cristãs, e sabe falar como um cristão, isso não significa que corrigiu todas as falhas estruturais profundas e provavelmente perigosas em sua alma.



O Senhor sabe o que está em nossa vida que não deveria estar, e o que não está mas deveria estar. Ele vê o que se encontra oculto. Enquanto outros talvez avaliem a nossa vida pelas medidas externas à luz brilhante do dia, o Senhor está ocupado no escuro, trabalhando nas áreas escondidas que os outros não podem ver.

Isso me consola pelo menos de duas formas. Primeiro, é encorajador lembrar que o Senhor vê os pontos positivos em meu coração, que ninguém mais observa ou nota. O nosso mundo não considera os valores, compromissos e fidelidade como prioridades absolutas, mas Deus considera. O mundo não vê aquelas decisões angustiosas tomadas em segredo, mas ele vê. O mundo não vê as vitórias em minha vida mental, mas ele vê. O mundo não toma conhecimento de minha fidelidade a uma promessa sussurrada, mas ele toma. As coisas ocultas significam tudo para ele. Ele vê através do sorriso amarelo da minha vida para dar crédito ao relacionamento real e comprometido com ele.

O segundo consolo é que o seu Espírito me ajuda a identificar as áreas em minha vida que necessitam de polimento e ajuda antes de se tornarem problemas sérios. Ele trabalha em mim! Há ocasiões em que sinto que ele me deixou no escuro e penso que não poderei achá-lo. De repente, ouço uma batida, um som, e sinto algum movimento nas áreas mais profundas do meu espírito. Ele parece surgir repentinamente dos lugares mais extraordinários na minha vida. Então ele me conta o que encontrou e o que precisa ser feito.

Assim como aconteceu com Susan, o valor de nossas vidas não está naquilo que é visível, mas no invisível. A parte essencial de nossa vida é a oculta, a parte que parece estar no escuro. Essa parte só Deus vê. Essa parte só ele inspeciona. Não posso imaginar Deus como um cardiologista vestido de branco com uma prancheta nas mãos. Mas, de certo modo, é isso que ele faz. E faz isso com excelência. Mediante uma visita pessoal, ele investiga e faz consertos responsáveis em nossa vida. Você sabe que tipo de lanterna ele está usando nos lugares escuros e ocultos, rastejantes, da sua vida? É a Palavra de Deus.

“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” (Hebreus 4.12-13)

Os pedaços mais difíceis da minha vida são aqueles em que não vejo Deus trabalhar em mim. Mas ele está trabalhando, pois afirma isso. Ele pode estar verificando os pontos pouco notados em minha vida, para certificar de que posso enfrentar os estresses e tormentas que sabe que virão. Não fique desanimado quando não conseguir ver grande atividade em sua vida, que todos possam notar e admirar. A beleza física pode esconder uma grande falha no caráter. Mas o bom e sólido conserto feito na parte interna do coração é o que dará garantia da resistência com o passar do tempo e da eternidade. É o tipo de trabalho que Deus valoriza mais do que tudo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O propósito divino


A metamorfose, processo em que a lagarta se transforma numa borboleta sempre me fascinou. Um grupo de pesquisadores estudou certa vez cem lagartas que estavam prestes a sair do casulo. Em lugar de permitir que elas se esforçassem, os observadores cortaram delicadamente o casulo e as libertaram. Depois disso, colocaram os insetos sobre uma mesa e tentaram fazê-los voar. Mas nenhum conseguiu. Nenhum.

O pequeno estudo mostrou que o período de esforço e luta através das paredes do casulo é que dá às asas da borboleta forças para voar. O próprio esforço, todos os movimentos de empurrar e debater-se do inseto para libertar-se da prisão, é que torna a sua nova vida possível. Sem o conflito, não há força.

A maioria de nós pode identificar-se com esses períodos sombrios de luta. Nos sentimos abatidos, frustrados e confinados. Ficamos cansados de lutar e labutar, imaginando o que Deus está querendo fazer em nossas vidas. É mais ou menos nessa hora, quando estamos em meio a alguma perplexidade penosa ou enorme decepção, que algum cristão bem intencionado se aproxima e sussurra um certo versículo da Escritura em nosso ouvido.

Você pode imaginar que versículo é esse? No geral, o que eles sussurram é o versículo de que menos gosto na Bíblia, Romanos 8.28. Aposto como alguém já o mencionou para você algumas vezes também. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Francamente, não quero escutar esse versículo quando estou sofrendo. Não quero ouvi-lo quando estou triste. Não quero ouvi-lo quando as circunstâncias puxam o meu tapete e me deixam confuso e desorientado, caído de costas no chão.

É bom lembrarmos de que quando Paulo escreveu isso ele já havia passado por muitas situações de sofrimento, perseguição e tristeza. Uma olhada mais de perto para a vida deste grande homem de Deus não é difícil identificar estas “coisas” que segundo ele cooperaram para o seu bem. Por causa do evangelho fora preso várias vezes, espancado, apedrejado e ouviu coisas que não teve coragem de registrar.

Mas qual foi o benefício, o prêmio, o bem que Paulo recebeu depois de ter passado por todo esse sofrimento? Pelo que sabemos Paulo não se tornou um homem rico e bem sucedido em sua vida. Então como entender que todas as coisas de fato cooperam para o bem daqueles que amam a Deus?


A verdade é que Romanos 8.28 não passa da metade de um pensamento. Romanos 8.28 não ajuda ou encoraja muito a não ser que você o ligue com a outra metade do pensamento, com Romanos 8.29. Todas as coisas COOPERAM, desde que você saiba o objetivo dessa cooperação! Nós somos chamados “segundo o seu propósito”, mas qual é esse propósito? O versículo 29 esclarece: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

O que Deus está fazendo em minha vida? O que ele está fazendo na sua? Ele só pretende uma coisa, uma única coisa. Ele está tornando você e eu mais parecidos com Jesus para unirmos em uma só família, santa, perfeita e feliz na eternidade. Esse novo ser que ele está formando em nós é um trabalho como de um pintor. É algo que leva tempo, é preciso dar atenção aos mínimos detalhes, visto que é uma obra definitiva.

Ele não está pretendendo fazer cinco, quinze, ou vinte coisas. Seu propósito não é fazer de você um pai ou mãe, esposa ou marido, filho ou filha melhor. Seu propósito não é transformar você na melhor secretária, policial, professor, pedreiro ou cirurgião do mundo. Ele não está trabalhando no escuro para lhe dar posição, prosperidade e paz.

Ele está usando seu poder e sua vontade com um só propósito, conformar você e eu, seus filhos adotivos, à imagem do Senhor Jesus. Ele pode agradar-se em ajudar você a tornar-se uma mãe, pai, médico, jogador de futebol, ou professor da escola dominical maravilhoso, mas não é isso que pretende. Seu grande objetivo em sua vida, a razão dele deixar você na terra, é torná-lo mais e mais parecido com Jesus.

Se não fosse isso, por que ele não nos poupa os sofrimentos e pesares no momento de nossa conversão nos levando para o céu? Ele quer que nos tornemos maduros em Cristo, realizados e completos. Por que Deus não dominou imediatamente a Terra Prometida quando os israelitas atravessaram o rio Jordão? Por que havia ainda inimigos a serem enfrentados? Por que havia ainda terra não cultivada? Por que havia ainda animais selvagens a serem expulsos das matas?

Deus sabia então (como ele sabe agora) que é o exercício da fé e a dependência do seu poder e libertação que produzem maturidade e força em nossas vidas. De fato, é exatamente isso que nos conforma a Cristo. Calebe, aos oitenta anos, teve de enfrentar o desafio dos inimigos a serem vencidos. Ouça suas palavras registradas no livro de Josué; elas são clássicas: “Eis, agora, o SENHOR me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e, já agora, sou de oitenta e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os enaquins e grandes e fortes cidades; o SENHOR, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu.” (Josué 14.10-12).

Gigantes enormes e terríveis na terra? Deixe que eu cuido deles. Montanhas a escalar e cidades fortificadas a conquistar? O que estamos esperando? Traga a minha espada e vamos! Mesmo na velhice, Deus continua trabalhando em você. Ele continua trabalhando sua vida através de desafios e provações. Ele continua trabalhando de dia e de noite para torná-lo cada vez mais parecido com Jesus. No que diz respeito ao propósito de Deus para a sua vida, você jamais se “aposenta”.

Abraão não era nenhum rapazinho de vinte anos quando enfrentou sua maior prova. Já estava bem velho quando recebeu ordem para sacrificar Isaque, seu filho amado. Josué já tinha idade quando ficou de pé na porta de sua casa e disse aos anciãos de Israel: “Vocês podem ir para onde quiserem e fazer o que quiserem, mas eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). Quer você tenha 9 ou 99 anos, Deus ainda desejará que tome posições impopulares, tome decisões difíceis, e enfrente corajosamente os ventos frios da adversidade. Através de cada momento de dor e de luta, ele está tornando você semelhante ao seu Filho Jesus.

Por que estou repetindo este pensamento? Por que não podemos perder a perspectiva! Se você estiver se apegando apenas a Romanos 8.28, pode perder de vista o propósito de Deus. Todas as coisas cooperando para o bem? Como pode ser isso? Não diga tal absurdo! O que é “bom” nesta tragédia, provação ou luta? Se não ler o versículo 29, vai tatear no escuro. Mas, se souber que ele vai usar isto ou aquilo para torná-lo semelhante ao Salvador, então terá consolo no fato de que nada em sua vida é desperdiçado, nenhum esforço, dor, momentos de angústia, ou lágrimas jamais perderá em algum lugar no espaço.


Mas, e se eu achar que nada está acontecendo em minha vida? Se não puder ver como ele está me tornando mais como Jesus? Em algum ponto você tem de decidir, posso crer na Palavra de Deus? Paulo disse: “SABEMOS que todas as coisas cooperam para o bem”. Sabemos. Não “achamos”. Não “esperamos”. Não “supomos”. Não “sentimos” ou “experimentamos”. Sabemos.

É bom você manter a palavra “sabemos” em seu vocabulário espiritual. Quando não sentir que Deus está trabalhando no escuro por sua causa, e se achar tateando no escuro, você vai precisar de algumas coisas gravadas em sua alma. Penso ser essa a razão de Paulo escrever na escuridão de um calabouço romano: “Por isso estou sofrendo estas coisas, todavia não me envergonho; porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” (2 Timóteo 1.12).

As circunstâncias gritavam para Paulo: “Você está sozinho no escuro. Está abandonado na prisão. Seu corpo foi tão espancado que não pode mover um único músculo sem sentir dor. Você não tem nada no banco como resultado do seu trabalho. Vai morrer sem mulher e filhos para chorarem por você. Foi esquecido pela maioria de seus amigos. Sua execução está por um fio”. Paulo, no entanto, sentado na escuridão da cela, com sentimentos que iam provavelmente da esperança à tristeza, ao medo, à depressão, disse: “Ouçam, pode haver muitas coisas que eu não sei nem compreendo, mas sei isto. Sei em quem tenho crido. Conheço aquele a quem entreguei a minha vida. Sei que ele é capaz de tomar aquilo que lhe entreguei no escuro e fazer com que tudo coopere para o bem no dia claro”.

É no escuro que ele faz com que você se pareça mais com Jesus. Você talvez diga: “Nada de bom acontece no escuro. É nessa hora que as casas são roubadas e pessoas são violentadas”. Nada disso. Algo bom acontece no escuro. Deus está fazendo a sua maior obra. Formando em você a imagem radiante e bela de seu Filho. Embora você não possa ver ou compreender, é isso que ele está fazendo.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Deus trabalha no escuro


Era noite quando resolvemos voltar para casa. Vínhamos da cidade de Pingo Dágua/MG onde havíamos realizado um gostoso culto.

Estávamos todos (Cida, seu irmão Dodô, minha irmã Rony, a pequena Kely, nossa sobrinha, meu filho Rômulo e eu) em meu Passat 79 na estrada empoeirada e escura que cortava a reserva florestal. Nosso carro sempre ‘resolvia’ dar problema em circunstâncias adversas. Naquela noite não foi diferente.

Depois de andarmos uns 30 Km, ele resolveu entrar em pane total. Além dos faróis, as luzes internas apagaram por completo. A mata perigosa por ter muitos animais selvagens nos impedia de sair para tentar ‘reanimar’ o nosso meio de transporte. Naquele momento o medo começou a fazer parte da nossa experiência, principalmente quando nos lembramos das muitas histórias de pessoas que foram assaltadas por ladrões oportunistas.

Não levou muito tempo para que eu decidisse orar e pedir a proteção divina. “Senhor” disse eu, “está escuro aqui e o carro não quer ligar. Precisamos chegar em casa pois há criança conosco. Ninguém sabe que estamos parados aqui no meio desta mata escura. Mas Senhor, tu sabes onde e como estamos, socorre-nos”.

Terminada a oração, fomos nos ajeitando para passar a noite ali, quando vimos um outro carro vindo no sentido contrário com faróis alto. Um misto de esperança e medo tomou conta do meu coração. O carro parou bem de frente ao meu, faróis ligados, quase nada dava pra se ver. Fixei os olhos e vi que era de quatro portas. Elas se abriram e desceram homens armados. Agora o medo era ainda maior. Um deles bateu no vidro da porta, mas a maçaneta estava emperrada e não tive outra escolha a não ser abrir a porta.

“Boa noite rapaz” disse o homem. “somos da guarda florestal, o que aconteceu?”. Ufa! Respirei aliviado. Expliquei tudo e eles arrumaram o meu carro velho e me disseram: “Podem ir. Se o carro parar novamente, não desçam. Estamos indo a Pingo Dágua e voltaremos logo.” Assim fomos embora e chegamos em casa com uma certeza – Deus atendeu a nossa oração. Em nosso perigo, em nosso medo e isolamento, no escuro, Deus estava trabalhando a nosso favor.


Você já trabalhou à noite? É um pouco estranho.

É levantar no fim do dia e ir para a cama ao nascer do sol.

É tomar leite, café com pão quando a maioria das pessoas está sentada comendo arroz com feijão.

É um mundo diferente do dia.

Na cidade, o trânsito diminui, o ar fica mais frio, e os compradores retardatários somem gradualmente na escuridão. Fora da cidade, nos bairros, a vizinhança fica silenciosa, as calçadas vazias.

Você pode ouvir um cão a dois quarteirões de distância, latindo para o que quer que amole cães à noite.

A maioria das janelas fica às escuras. A maioria dos carros está na garagem. A maioria das pessoas já dorme. Mas, nem todos. Não os que trabalham de noite.

É um policial numa ronda, percorrendo as ruas escuras, durante uma forte chuva.

É um jovem pai trabalhando numa padaria, assando pães para alimentar os que estão dormindo, único emprego que encontrou para sustentar a família.

É uma turma de bombeiros, com o equipamento pronto, esperando o telefone tocar.

É uma mãe esquentando o leite para seu filhinho que chora por causa da fome.

É uma enfermeira, que corre de um lado para o outro para socorrer pessoas feridas.

É o trabalho noturno.

É possível que alguns de nós não pensemos muito nesses homens e mulheres que trabalham enquanto dormimos. Eles estão trabalhando todas as noites, do mesmo jeito. Seus olhos estão abertos e alertas enquanto os nossos se fecham para o descanso merecido. Eles estão colocando as roupas de trabalho enquanto vestimos o pijama. Estão em algum lugar “lá fora” todas as noites frias, e por incrível que pareça, nós precisamos deles mais do que pensamos.

Mas, eu conheço outra pessoa que trabalha no escuro.


Já pensou nisso? Ele está ocupado enquanto você dorme. Ele está trabalhando enquanto você sonha. Ele está completamente ligado, enquanto sua TV desligou automaticamente. O Salmista explica assim: “Não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel” Salmo 121:3-4.

Este é o Deus que se move fora do nosso campo de visão e se ocupa com tarefas além do nosso entendimento. Seus olhos observam o que não podemos ver e suas mãos trabalham habilmente onde só podemos tatear. Este é o Deus que se estende, que pensa, planeja, molda e vigia, controla, sente e age, enquanto estamos inconscientes debaixo de um lençol e um cobertor.


Mas, não pense que Ele está lá fora cuidando de buracos na rua, ou mexendo em moléculas de hidrogênio nas galáxias distantes. Deus trabalha no escuro por você. Ele fica ocupado a noite inteira pensando em você. Seu interesse por você não diminui quando o dia se vai, de jeito nenhum! Ele está ocupado por sua causa, mesmo quando você não percebe, mesmo quando você não está fazendo absolutamente nada. Quando se trata da sua vida, ele jamais deixa de observar, dar, dirigir, guardar e planejar. “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais”. Jeremias 29:11.

E eu? Eu sei que ele está trabalhando. Sei que ele está no seu posto. Inúmeras vezes, porém, não tenho a mínima idéia do que ele está fazendo. Para ser franco, há ocasiões em minha vida em que ele não parece estar fazendo muita coisa. Fixo os olhos nas trevas sombrias de minha frustração, tristeza ou confusão e não posso ver nada, talvez, penso eu, meus olhos não enxergam bem no escuro.

Algumas vezes, você, assim como eu, talvez se veja dizendo: “Deus parece estar fazendo horas extras, trabalhando nos feriados e nos fins de semana por outras pessoas. Mas se ele está atuando em minha vida, é o mesmo que colocar um cronômetro em uma pedra de gelo. É como acompanhar um soro se acabar gota a gota em um leito de hospital. É tão devagar que não consigo perceber se alguma coisa está realmente acontecendo”.

Muitas vezes, em minha vida, tudo parece um tédio sem fim, enquanto a vida de outros é uma grande aventura. Outros falam de Deus fazendo isto ou aquilo, ensinando-lhes verdades profundas, dando-lhes canções à noite e murmurando palavras de sabedoria e consolo. Mas, para mim, tudo continua mais ou menos escuro e quieto.

Você está lutando com um vício, desejando a libertação, mas ainda não conseguiu.

Você tem se esforçado para consertar seu casamento, mas inutilmente.

Você esperou meses, talvez anos, pela volta de um filho pródigo; todavia, seu quarto continua vazio e vago o seu lugar na mesa.

Você entregou seus negócios a Deus da melhor maneira que pôde, mas enfrenta agora a sombra impiedosa da falência.

Você tem vontade de dizer “Se Deus está trabalhando em minha vida, certamente não consigo ver isso”.

Quando você acorda de manhã, quando abre os olhos, sua mente pode apegar-se a este pensamento: Deus trabalhou a noite inteira em meu favor.


Davi voltou a esta verdade básica repetidas vezes em seus turbulentos anos como fugitivo: “Deito-me e pego no sono”, escreveu ele. “Acordo, porque o Senhor me sustenta... Em paz me deito e logo pego no sono, porque Senhor, só tu me fazes repousar seguro” Salmo 3:5; 4:8.

Mas, entenda. Mesmo que não apareçam cartazes com os dizeres “em construção”, nem sinais de máquinas pesadas em ação, nem o som de martelo celestial como fundo, o Arquiteto e Construtor Mestre está sempre trabalhando ativamente em nós.

Policiais, mães e enfermeiras não são os únicos que trabalham de noite. Deus também faz. Ele vem agindo assim há séculos. Sua linha do tempo parece caminhar muito lentamente, mas ele está trabalhando em seu favor. Deus conhece as suas lutas e se move entre elas. Deus conhece o seu sofrimento e monitora cada segundo dele. Deus conhece o seu vazio e procura enchê-lo de um modo que supera qualquer dos seus melhores sonhos. Deus conhece os seus ferimentos e cicatrizes, e sabe como produzir uma cura mais profunda do que você pode imaginar.

Para falar a verdade, essa é a idéia que esta série de mensagens quer transmitir. Trata-se apenas de um modo simples de dizer, “Deus está mais ocupado em sua vida do que você jamais poderá ver ou saber”. Em outras palavras, Deus trabalha no escuro em seu favor.

Mesmo quando nada parece estar se movendo na sua alma;
Mesmo quando a situação parece fora do controle;
Mesmo quando você se sente sozinho e com medo;
Mesmo em Pingo Dágua.
Mesmo agora.

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Ron Mehl (adaptado)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Deus trabalha no escuro


Às vezes você tem a impressão de que Deus não está trabalhando em sua vida?

Com freqüência, sentimos que Deus está trabalhando de maneira bem mais rápida na vida de outros do que na nossa. Especialmente quando atravessamos períodos difíceis, pode parecer que embora outros tenham sido ricamente abençoados, nossa vida permanece completamente vazia.

Todavia, embora não pareça, Deus está continuamente atuando em sua vida. De fato, ele geralmente faz grandes obras em nossa vida no escuro, esperando para revelar suas obras-primas no dia claro. Portanto, se você às vezes se sente deixado no escuro, se quer saber o que está havendo quando nada parece acontecer em sua vida, ou se quer compreender por que seu Pai algumas vezes estende a mão e apaga a luz, então você não deve perder nenhuma das palestras desta série.

Palestra 1 – Deus trabalha no escuro (14/02)
Palestra 2 – O propósito divino (21/02)
Palestra 3 – O raio-X de Deus (28/02)
Palestra 4 – Ele se esqueceu de mim? (07/03)
Palestra 5 – Louvor no escuro (14/03)
Palestra 6 – O desejo de Deus (21/03)