domingo, 14 de agosto de 2011
Do anonimato à fama
É natural pensarmos em Davi como o menino pastor que derrubou o gigante Golias ou como o rei que foi derrubado pelo adultério com a mulher de Urias. Todavia, seus atos heróicos vão muito além da vitória sobre Golias, bem como seus atos vergonhosos, infelizmente, não se esgotam no adultério de Bate-Seba.
Sua história pré-reinado nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Ele se tornou o homem segundo o coração de Deus porque aprendeu a enxergar o agir de Deus nos bastidores de sua vida.
Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.
Após a unção, Davi voltou para cuidar de seu rebanho. Não é difícil imaginá-lo considerando o que tinha acontecido, dando asas à fértil imaginação, sonhando em ser rei. Davi sabia que nem só de sonho vive o homem. Por essa causa, ele não mudou a forma responsável com que encarava os desafios de cada dia. Não se consumiu pela ansiedade nem se entregou à ociosidade. Boas oportunidades nas mais variadas áreas da vida surgem com relativa freqüência, mas só os preparados as desfrutam. Davi também vivenciou esse processo até o dia em que foi confrontado com uma grande oportunidade.
A Bíblia diz que o Espírito do Senhor se afastou de Saul e este era atormentado por um espírito maligno. Diante disso um de seus oficiais propõe que se chame alguém que toque bem harpa para aliviar o sofrimento do rei. Ao buscar alguém no reino, Davi foi o escolhido.
Mas por que o rei optou por Davi? A descrição oferecida por parte de alguém que o conhecia, estando ele ainda no início de sua juventude, é impressionante: "Conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar harpa. É um guerreiro valente, sabe falar bem, tem boa aparência e o Senhor está com ele". (1 Sm 16.18). A impressão que Davi causava era fascinante. Ele desenvolvera dons, hábitos e atitudes os mais nobres. É praticamente impossível não percebê-los. Esse belo e talentoso jovem é trazido à casa do rei Saul.
Durante um bom tempo, Davi viveu entre o palácio e o campo, ora envolvido em sua atividade de músico do rei, ora cuidando do rebanho de seu pai. Nesse meio tempo, seus irmãos foram convocados para se juntar ao exército e ir para a guerra sob o comando de Saul. Davi não estava entre os soldados por ser ainda muito jovem, pois em Israel os homens de guerra tinham mais de 20 anos.
Outra característica de Davi é que ele não tinha má vontade em fazer qualquer tipo de serviço. Tão logo recebeu de seu pai a tarefa de levar alimentos para seus irmãos, o jovem imediatamente tratou de executar o pedido, não sem antes incumbir alguém de cuidar de suas ovelhas.
Quando Davi chegou ao campo de batalha, procurou inteirar-se do bem-estar dos irmãos e, estando ainda a falar com eles, viu e ouviu a afronta de Golias e percebeu o efeito destruidor que as palavras do lutador causavam. Percebeu, no entanto, que o maior adversário do exército de Saul não era Golias e, sim, o medo.
Lá estava Golias, com seus quase 3 metros de altura, com armadura pesando sessenta quilos, equilibrando-se, da melhor forma possível, sobre a avantajada soberba. Por quarenta dias seguidos Golias afrontou Israel. Para o rei Saul e todo o seu exército, Golias era grande demais, impossível de vencê-lo. Diante de Golias, Saul reconheceu os limites de seu próprio poder. Davi, entretanto, sabia que o poder de Deus não conhece limites e com essa confiança disse à Saul: "Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele". (1 Sm 17.32).
Não é incomum tomarmos conhecimento de atos heróicos praticados por algumas pessoas. O que nem sempre verificamos é o processo que precede esses grandes feitos. Ninguém nasce assim, um herói pronto. Davi não é exceção. Na verdade, Davi ainda criança começou a vencer Golias. Suas experiências de vida lhe trouxeram auto confiança e aprofundaram sua dependência de Deus. Era alguém que sabia aproveitar o tempo livre para aprender coisas novas. Quando o rei precisou de um músico, lá estava ele! Quando Israel precisou de um valente guerreiro, ele estava pronto!
Antes de Golias, Davi já vivenciara lutas desiguais, enfrentara desafios violentos, vencera obstáculos de arrepiar. Para defender o rebanho que pastoreava matou urso e leão usando as próprias mãos. Isso é impressionante, mas impressiona ainda mais observar que o tributo da vitória é dado a Deus: “O Senhor que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará das mãos desse filisteu” (1 Sm 17.37).
O que tornava Davi diferente dos demais soldados de Israel era o conhecimento que tinha de Deus. Da perspectiva de Davi, a pergunta não era: “Quem somos nós para enfrentar esse Golias?”, mas sim: “Quem é esse Golias para afrontar nosso Deus?”. Seus olhos não se detinham no tamanho do desafio, mas na grandiosidade do poder de Deus. Saul olhava para o gigante e esse se agigantava. Davi por sua vez, olhava para Deus e o gigante ficava insignificante. O que focamos expande-se. Os olhos de Davi eram treinados para ver a grandeza de Deus, ao mesmo tempo em que desenvolvia com responsabilidade os talentos recebidos.
A notícia sobre Davi chegou até aos ouvidos de Saul. Imediatamente o rei mandou chamar o menino. Saul então ofereceu sua própria armadura a Davi, que depois de vesti-la desistiu da mesma. Mas o que levou Saul a oferecer sua armadura ao jovem músico? Se sua armadura era eficiente, por que ele mesmo não a usava? Se havia alguém em condições físicas para enfrentar Golias, de igual para igual, era Saul. O profeta Samuel o descreve como sendo o mais alto israelita de sua época.
Davi, após abrir mão da armadura de Saul, caminhou até o riacho, pegou cinco pedras lisas e foi ao encontro de Golias, enquanto o exército de Israel tinha a respiração sufocada pelo suspense. Ao vê-lo Golias zombou de Davi dizendo: “Por acaso sou um cão para que você venha contra mim com pedaços de pau? " E o filisteu amaldiçoou Davi invocando seus deuses, e disse: "Venha aqui, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo!” 1 Sm 17.43-44
Mas Davi estava consciente de que a batalha não era entre ele e Golias, mas entre Deus e Golias. Por essa razão ele respondeu: “Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou. Hoje mesmo o Senhor o entregará nas minhas mãos, e eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Todos que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e ele entregará todos vocês em nossas mãos”. 1 Sm 17.15-17
Confiante, levantou-se e colocou uma pedra na funda. Girou a funda até ficar invisível. Em seguida a pedra voou até a testa de Golias derrubando-o desmaiado no chão. Davi corre até ele, toma a espada de Golias e cortou seu pescoço separando a cabeça do corpo. O exército de Israel explodiu em alegria.
A coragem e a vitória de Davi produziram gigantescas ondas de motivação no exército de Israel, arrasando por completo a arrogante resistência das fileiras inimigas. Tendo restaurada a confiança, os soldados ficaram valentes e, motivados, cada um queria também matar um gigante. O medo mudou de lado. Esqueceram que suas armas eram bem mais primitivas do que as dos filisteus, esqueceram que eram sempre derrotados. Agora, tomados de motivação, perseguiam e destruíam os inimigos. Na proporção que a confiança crescia os gigantes encolhiam. Foi um dia que marcou definitivamente a história de Davi.
Pr. Ronaldo
domingo, 7 de agosto de 2011
Desprezado por homens, escolhido por Deus
É natural pensarmos em Davi como o menino pastor que derrubou o gigante Golias ou como o rei que foi derrubado pelo adultério com a mulher de Urias. Todavia, seus atos heróicos vão muito além da vitória sobre Golias, bem como seus atos vergonhosos, infelizmente, não se esgotam no adultério de Bate-Seba.
Para retratar esse grande personagem bíblico, mais de 65 capítulos do Antigo Testamento e não menos de 50 citações no Novo Testamento foram escritos mapeando sua vida e só Deus sabe quantas poesias foram produzidas e registradas de forma anônima no livro de Salmos. É impressionante perceber como a história de Davi conquistou o mundo. A estátua de Davi em Florença na Itália, por exemplo, esculpida em mármore por Michelangelo, com 5,16 metros de altura e pesando mais de cinco toneladas, atrai milhares de pessoas que pagam para admirar tão monumental escultura. Ainda hoje, crianças nascem em todo o mundo e são registradas com o seu significativo nome.
Antes de se tornar rei de Israel, Davi passou por momentos de descrédito e desconfiança até mesmo por sua família. Sua história pré-reinado nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Ele se tornou o homem segundo o coração de Deus porque aprendeu a enxergar o agir de Deus nos bastidores de sua vida.
Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.
No ano 1020 a.C., um bebê, como muitos outros, nasceu. Poucas pessoas deram atenção ao menino de cabelo ruivo nascido na casa de um pastor chamado Jessé, que morava perto do humilde vilarejo de Belém. Este oitavo filho (1 Sm 17.12), nascido no anonimato, torna-se-ia uma das mais atraentes e visíveis figuras da história. Seus pais deram-lhe o nome de Davi, que significa “amado de Deus”.
Cerca de 16 anos depois, num dia comum em que nada indicasse, para a maioria dos contemporâneos do jovem pastor, qualquer sinal de singularidade, Davi como de costume, estava no campo com sua harpa e cajado. Enquanto cuidava das ovelhas de seu pai, escrevia, tocava e cantava louvores a Deus a quem a cada dia aprendia a admirar e confiar.
Então, naquele dia comum, o profeta Samuel visita a casa dos pais de Davi. O velho profeta chegou àquele lugar em obediência à voz de Deus para realizar um ato que marcaria profundamente a história do povo de Israel. A ordem divina recebida foi de encher um chifre de azeite, ir à casa de Jessé e consagrar um de seus filhos como rei de Israel.
A viagem de Ramá a Belém deu a Samuel tempo suficiente para pensar sobre o reinado do primeiro rei de Israel, Saul. Os israelitas haviam exigido um rei que os governasse. O rei Saul, por falta de submissão a Deus, havia sido rejeitado por ele, ainda que, por vários anos, continuasse a reinar sobre Israel. Samuel lembrava-se das Palavras de Deus que teve de dizer ao infiel rei: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor seu Deus lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel. Mas agora seu reinado não permanecerá; o Senhor procurou um homem segundo o seu coração e o designou líder de seu povo, pois você não obedeceu ao mandamento do Senhor”. 1 Sm 13.13-14
Podemos imaginar que, mergulhado em tão penosas considerações, Samuel não conseguia disfarçar a tristeza, a dor no coração, o nó na garganta. Com tais pensamentos, as lágrimas correram pelo rosto do velho profeta. Dessa forma, Samuel chega ao vilarejo de Belém e convida Jessé para oferecer sacrifícios ao Senhor. A família, relativamente numerosa, estava reunida e em suspense. O jantar feito às presas para a recepção do amado profeta já estava pronto. Finalmente estavam todos à mesa, ou melhor, nem todos.
Os olhos de Samuel observava cada filho de Jessé. Ficou impressionado com Eliabe. Afinal, além de ser o filho mais velho, era o mais alto, mais forte e confiante, como um rei deve ser. Já estava se levantando para ungir o rapaz quando o Senhor o interrompeu dizendo: “Samuel, não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração". (1 Sm 16.7)
Samuel teve que engolir seco essa verdade e imediatamente passou a considerar os demais filhos de Jessé. Olhou para Abinadabe, e depois para Samá, e tendo olhado para todos, Deus ainda permanecia calado. Samuel sabia que estava na casa certa, mas algo estava errado. Então perguntou a Jessé: “Estes são todos os filhos que você tem?”. Então, Jessé coça a cabeça e diz: “Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas”. Samuel disse: “Traga-o aqui; não nos sentaremos para comer até que ele chegue”. 1 Sm 16.11b
Para os hebreus, o filho mais jovem, diferente de nossa cultura, era considerado o menos importante na hierarquia familiar e por isso se ocupava com o pior serviço da família. E cuidar de ovelhas era algo indesejável. Mas isso não era motivo para impedir a participação do caçula nas comemorações da família. Então, por que Jessé não trouxe seu filho caçula para aquele jantar visto que a ordem de Samuel, desde o início, era para que ele reunisse todos os seus filhos? Teria sido um filho não-planejado, não-desejado? Era um incômodo e mesmo vergonhoso tê-lo por perto? O fato dele ser um poeta e músico contrariava seu pai por desejar que ele fosse outra coisa? O que Davi quis dizer quando declarou: “Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá.” Salmo 27.10. Sentia-se rejeitado?
Ao dar a ordem para que buscassem Davi, fico imaginando o clima que ficou na casa de Jessé até a chegada do caçula indesejado. Apesar da demora do banquete, a fome de todos, principalmente dos rapazes, tinha diminuído consideravelmente. Ninguém podia comer antes da chegada do menino de 16 anos. Algum tempo depois, entra Davi ainda cheirando a ovelha. O obediente profeta então ouve a voz de Deus: “É este! Levante-se e unja-o” 1 Sm 16.12. Sem entender e sem questionar, abriu o recipiente de óleo e despejou a fragrância com cheiro suave na cabeça de Davi diante de semblantes surpresos de todos os presentes.
Os textos bíblicos, geralmente, são ricos em detalhes quando focalizam as reações dos que são chamados por Deus para uma atividade especial. Entre muitos chamados, há reações evasivas: “Não posso! Não sei falar! Não sou importante!”, e por aí afora. No entanto, a Bíblia não relata nenhuma atitude por parte de Davi. O jovem não fez nenhuma declaração. Ele apenas se ajoelhou e recebeu a unção de Deus a quem ele já servia. Não houve qualquer discurso. Até nesse aspecto, Davi foi diferente.
O período compreendido entre sua unção e o momento em que se tornou efetivamente rei sobre todo o Israel foram de mais ou menos 30 anos. Esse período foi marcado por momentos alegres, de vitórias, mas também de algumas dificuldades e derrotas. À semelhança de tantos outros, Davi também teve o seu longo e difícil tempo de espera, aprendizagem e amadurecimento.
Os vencedores não nascem prontos. Deus os molda no forno da vida com imenso amor. Eles são libertos por sonharem os sonhos de Deus e prisioneiros do mesmo sonho até que Deus o realiza através deles. Não foi diferente com Davi. Ele também conheceu o árduo caminho marcado por pedras e espinhos.
Após a unção, o jantar finalmente foi servido. Enquanto todos engoliam a comida, Davi, mais preocupado com as ovelhas, logo voltou ao campo para encarar seus leões de cada dia. Em nenhum momento vemos Davi exigir tratamento diferente de sua família. Ele sequer questiona ao profeta sobre quando deverá começar a reinar. Simplesmente confia que todas as coisas está nas mãos de Deus e que a seu tempo ele cumprirá os seus propósitos. Afinal de contas não foi ele que disse: “tu és a minha esperança, ó Soberano Senhor, em ti está a minha confiança desde a juventude.” Salmo 71.5
“Eu, eu mesmo, falei; sim, eu o chamei. Eu o trarei, e ele será bem sucedido em sua missão.” Isaías 48:15
Pr. Ronaldo
Pr. Ronaldo
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Davi

É natural pensarmos em Davi como o maior rei de Israel de todos os tempos, ou como o pastor que derrubou um gigante, ou ainda como o poeta apaixonado que compôs cânticos que tocam a alma humana, ou mesmo como o homem segundo o coração de Deus. No entanto, um homem assim não nasce pronto.
Antes de se tornar rei de Israel, Davi passou por momentos de descrédito e desconfiança até mesmo por sua família. Sua história pré-reinado nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Ele se tornou o homem segundo o coração de Deus porque aprendeu a enxergar o agir de Deus nos bastidores de sua vida.
Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.
Você deseja algo mais na vida? Gostaria de saber quais são os planos de Deus em relação a você, e melhor, ter uma visão do lugar para onde ele o está conduzindo? Então não deixe de participar de nossos encontros aos domingos às 19h30 na IP Betânia.
Mensagens:
07/08/2011 Desprezado por homens, escolhido por Deus
14/08/2011 Do anonimato à fama
21/08/2011 Perseguido pela realeza
04/09/2011 Protegido no campo minado
11/09/2011 Perdendo o brilho
18/09/2011 O homem segundo o coração de Deus
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Fracassos

Segundo o dicionário Aurélio, virada é “a última etapa de uma competição quando o perdedor reage e passa a vencedor”. Todavia há uma virada muito mais importante que a virada de um competidor em uma competição esportiva. É uma virada de ânimo, uma virada de situação, uma virada de atitude.
Essa feliz mudança, de perdedor a vencedor, quase impossível, existe. E quero encorajá-lo a acreditar nela e a desejá-la ardentemente. Essa série de mensagens tem o propósito de abastecer a sua alma de confiança em Deus porque acredito que a pessoa que serve a Deus é indestrutível até que Deus tenha concluído sua obra nele, por isso, exponha-se ao toque de Deus e deixe de ser um perdedor e torne-se um vencedor.
Uma das causas de desânimo na vida de muitas pessoas são os fracassos. Quer um exemplo disso? Então acompanhe comigo a leitura de Lucas 22.54-62.
"Então, prendendo-o, levaram-no para a casa do sumo sacerdote. Pedro os seguia à distância. Mas, quando acenderam um fogo no meio do pátio e se sentaram ao redor dele, Pedro sentou-se com eles. Uma criada o viu sentado ali à luz do fogo. Olhou fixamente para ele e disse: "Este homem estava com ele". Mas ele negou: "Mulher, não o conheço". Pouco depois, um homem o viu e disse: "Você também é um deles". "Homem, não sou! ", respondeu Pedro. Cerca de uma hora mais tarde, outro afirmou: "Certamente este homem estava com ele, pois é galileu". Pedro respondeu: "Homem, não sei do que você está falando! " Falava ele ainda, quando o galo cantou. O Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra que o Senhor lhe tinha dito: "Antes que o galo cante hoje, você me negará três vezes". Saindo dali, chorou amargamente."
Pedro, o discípulo de Jesus, tinha louváveis intenções. Ele era dedicado a Cristo. Até veio a tornar-se um dos principais líderes da Igreja Primitiva. Todavia, se olharmos para a sua “ficha”, certamente iremos ficar desconfiados dele. Qualquer pessoa em sã consciência de maneira alguma chamaria um homem como ele para tomar conta de sua família ou negócio. Ele não apresentava ser alguém bem sucedido, era muito instável.
Na Galiléia, ele tentou andar sobre a água e, em seguida, foi para o fundo do mar. Na última ceia rejeitou ter os pés lavados por Jesus e depois pediu um banho completo. Na hora mais difícil de Jesus ele dormiu um pesado sono. Quando prenderam Jesus ele partiu para cima de um soldado e cortou-lhe a orelha com uma espada para depois dar no pé o mais rápido que pôde.
Pedro não queria fracassar, mas fracassou. Na verdade, assim como ele, ninguém quer fracassar, mas todos nós, em algum momento, nos sentimos ameaçados pelo fracasso. Já fiz vários casamentos, mas nunca ouvi ninguém dizer que o seu plano era arruinar a vida de seu cônjuge. Já batizei muitas crianças, mas nunca ouvi dos pais que eles estavam dispostos a fazer de seu filho a pior expressão de ser humano que conheciam. A maioria de nós planeja exatamente o contrário. Planejamos uma caminhada de sucesso, sem cair em nenhuma armadilha que possa nos levar ao fracasso. Todavia, as armadilhas existem e quando você menos esperar elas aparecerão. Olhando para a experiência de Pedro te convido a examinar duas armadilhas comuns que podem nos levar ao fracasso.

Pedro teve muitas experiências com o Senhor. Além das manifestações públicas de Jesus, Pedro também participou de alguns momentos exclusivos apenas na companhia de Tiago e João. Na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração e no Getsêmani, quando Jesus orava numa noite interminável antes de ser preso e crucificado, Pedro viu tudo isso bem de perto. Além disso, todas as vezes em que Jesus foi ameaçado de morte, Pedro permaneceu firme ao lado de Jesus. Sua confiança era tanta que jamais fracassaria em sua fé que ele chegou a dizer a Jesus: "Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei! " Mateus 26:33
Todavia, quando Pedro resolveu seguir Jesus de longe, todas aquelas experiências não o pouparam de negar a Jesus por três vezes seguidas. Isso me faz lembrar de alguns momentos, dos mais tristes que já vivi em minha vida pastoral. Momentos em que pessoas que “vivenciaram experiências maravilhosas com Deus, como poucos, estavam confusas e descrentes com o fracasso do seu casamento ou seu fracasso pessoal por causa de algum pecado acariciado em seu coração.
Por isso, não dependa das experiências para impedi-lo de fracassar. Suas experiências não farão isso por você. Ilustração: Evailton numa lanchonete em Acesita, cabisbaixo e decepcionado consigo mesmo enquanto dizia: Bem disse Paulo, a carne é fraca.

Pedro certamente amou muito o Senhor Jesus. Quando Jesus encontrou com Pedro depois de ter ressuscitado ele lhe fez uma pergunta três vezes. Disse ele: “Pedro, tu me amas?”. Pedro respondeu que sim e na última vez chegou a dizer: "Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo". João 21.17.
O amor de Pedro não começou depois que Cristo ressuscitou. Começou bem antes, quando ele o conheceu lá no início do ministério de Cristo. Mas, o que nos chama a atenção é que nem o amor que Pedro sentia por Jesus o impediu de gritar “Não conheço tal homem” e em seguida pronunciar palavrões que nem a Bíblia, que não esconde o desvio de caráter de ninguém, fez questão de mencionar.
Quantas vezes vimos ao templo, levantamos nossas mãos, declaramos amar ao Senhor e derramamos lágrimas verdadeiras diante dele, para depois, numa segunda-feira qualquer negarmos o nosso relacionamento com Jesus?! E aí pensamos: “Acho que eu não amo a Deus. Se o amasse, não teria feito isso. Como pude falhar com Ele dessa maneira?” Essa é uma mentira ensinada pela nossa cultura. O amor é importante, é essencial, mas ele não tem o poder de nos impedir de fracassar.

A conversa que Jesus teve com Pedro depois de ressurreto revela que ele não estava preocupado em humilhar seu velho amigo por causa de seu fracasso em negá-lo por três vezes. Jesus promoveu uma virada na vida de Pedro através da pergunta “Tu me amas?” exatamente na quantidade de vezes em que Pedro o negara. Perguntar três vezes se o amava, fez com que Pedro se arrependesse de ter confiado em si mesmo. Com o fracasso Pedro aprendeu da maneira mais difícil que ele não poderia depender apenas de sua experiência ou amor. Era necessário admitir a sua total dependência de Jesus.
Após ter feito por três vezes a pergunta se Pedro o amava, uma conversa revela o segredo para não fracassar. Eles estão já voltando para o meio dos demais discípulos quando Pedro olha ao lado e vê João. Diz-nos o texto: “Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava os seguia. (Este era o que se inclinara para Jesus durante a ceia e perguntara: "Senhor, quem te irá trair?") Quando Pedro o viu, perguntou: "Senhor, e quanto a ele?" Respondeu Jesus: "Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa? Siga-me você".” (João 21.20-22)
Aqui está. Se João iria ou não ser um sucesso como discípulo, isso não deveria preocupar Pedro. Se João iria se tornar um grande líder, isso também estava nas mãos de Deus. Pedro deveria se ocupar com uma única coisa – seguir a Jesus, depender totalmente dele e nada mais. Aqui está o segredo para evitar o fracasso. Devemos nos preocupar única e exclusivamente em seguir a Jesus. Quanto ao mais, deixe Deus fazer o que ele quiser, não temos que nos preocupar. Jesus sabia que o fracasso amargo de Pedro não era o fim, mas o começo de um relacionamento mais forte.
O Senhor gosta de desenterrar pessoas que foram sepultadas pelo fracasso. Todavia, muitos de nossos fracassos poderão ser evitados se dermos atenção à sua Palavra e confiarmos somente nela.
sábado, 9 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Limitações

Segundo o dicionário Aurélio, virada é “a última etapa de uma competição quando o perdedor reage e passa a vencedor”. Todavia há uma virada muito mais importante que a virada de um competidor em uma competição esportiva. É uma virada de ânimo, uma virada de situação, uma virada de atitude.
Essa feliz mudança, de perdedor a vencedor, quase impossível, existe. E quero encorajá-lo a acreditar nela e a desejá-la ardentemente. Essa série de mensagens tem o propósito de abastecer a sua alma de confiança em Deus porque acredito que a pessoa que serve a Deus é indestrutível até que Deus tenha concluído sua obra nele, por isso, exponha-se ao toque de Deus e deixe de ser um perdedor e torne-se um vencedor.

Uma das causas de fracasso na vida de muitas pessoas são as limitações. Quer um exemplo disso? Então acompanhe comigo a leitura de João 2.1-11.
Diz-nos o texto:
"No terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali;Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento.
Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: "Eles não têm mais vinho".
Respondeu Jesus: "Que temos nós em comum, mulher? A minha hora ainda não chegou".
Sua mãe disse aos serviçais: "Façam tudo o que ele lhes mandar".
Ali perto havia seis potes de pedra, do tipo usado pelos judeus para as purificações cerimoniais; em cada pote cabia entre oitenta a cento e vinte litros.
Disse Jesus aos serviçais: "Encham os potes com água". E os encheram até à borda.
Então lhes disse: "Agora, levem um pouco do vinho ao encarregado da festa". Eles assim o fizeram,
e o encarregado da festa provou a água que fora transformada em vinho, sem saber de onde este viera, embora o soubessem os serviçais que haviam tirado a água. Então chamou o noivo
e disse: "Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora".
Este sinal miraculoso, em Caná da Galiléia, foi o primeiro que Jesus realizou. Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele."
Os pastores tratam com limitações quase diariamente. Passei um número suficiente de casos com pessoas sofrendo, para saber que há ocasiões para as quais não existem respostas! Há ocasiões em que não há esperança. Há ocasiões em que chegamos a um beco sem saída. É disso que trata o texto de João 2.1-11.
Maria estava participando com grande alegria naquela festa de casamento. Tratava-se de uma família chegada. Ela tinha conhecimento do que estava acontecendo nos bastidores da festa. Ela foi uma das primeiras a tomar conhecimento de que o vinho iria acabar antes do tempo. Na cultura judaica isso seria uma mancha na honra dos noivo e uma prova de que o casamento seria um fracasso. Além de tudo era impossível prever quantas pessoas viriam ao casamento, uma vez que todos que tomassem conhecimento da festa eram bem vindos para sete dias de muita comida e bebida de graça por conta do noivo.
Certamente diante de outras pequenas necessidades, Maria poderia ter ajudado. Mas agora, a falta de vinho, nem com muito dinheiro seria suficiente para resolver a situação. Como encontrar uma quantidade grande de vinho, naquela altura do casamento, para suprir a necessidade da festa? Não daria tempo de produzir nem mais um pequeno barril. Nesse instante, Maria sente na pele o que nós detestamos, limitação. Quando diante de uma necessidade tão urgente não podemos fazer nada, questionamos até mesmo nossa fé.
Seria fácil perder a fé em situações que nos afligem. Mais fácil ainda culpar a Deus pelas desgraças que nos assaltam e nos deixam em estado de impotência e desespero. Mas, por que Deus permite que passemos por situações onde não podemos fazer mais nada, além de chorar? Há anos venho buscando respostas, e a única que encontrei foi essa: Deus usa nossas limitações para nos ensinar o quanto nos ama. Ele gosta de ajudar as pessoas em necessidade, principalmente quando elas tem que encarar suas limitações.

Maria ao perceber o fracasso a que estavam sujeitos seus amigos e sentindo sua limitação à flor da pele, foi até Jesus e disse: “O vinho acabou”, em outras palavras, “eu não posso fazer mais nada, você pode. Faça alguma coisa Jesus!”. Com Maria eu aprendo que a ajuda e a força que precisamos está à distância de uma oração. Quanto mais reconheço minha fraqueza diante do Senhor, tanto mais ele me fortalece e me usa.
Nunca esquecerei da minha tia. Para mim ela era uma das melhores mãe do mundo. Quando de férias escolares passava alguns dias na casa dela. Depois de nos servir um belo café da manhã, ela empilhava os talheres sobre a pia e desaparecia por cerca de trinta a quarenta minutos. Depois aparecia com os olhos lagrimejados. Um dia, eu e meu primo acompanhamos de longe para ver o que acontecia. Ela entrava em sua sala onde fazia suas costuras para sustentar a família, ajoelhava-se em um velho sofá e ali falava com Deus. Naquele dia o que mais me chamou a atenção foi a sua oração. Dizia ela: “Senhor, ainda que eu viva um milhão de anos, jamais serei o tipo de mãe que o Senhor quer que eu seja... a não ser que o Senhor me ajude!
Muitos anos depois, vim a me tornar pastor. E acabei por abraçar aquele hábito estranho da minha tia. Quase todas as manhãs, um pouco antes de tomar o meu café, me apresento diante de Deus e oro: “Senhor, não há meios de, em um milhão de anos, eu vir a ser o tipo de marido, pai e pastor que o Senhor quer que eu seja. Não posso nem começar a fazer isso... a não ser que o Senhor faça por mim e através de mim.
Percebi muito cedo que quando tento fazer as coisas que agradam a Deus por mim mesmo, fracasso. Mas quando o chamo, ele é sempre capaz de resolver a situação. A razão do chamado de Deus nas nossas vidas parecer maior do que somos é porque é realmente maior. A responsabilidade sobre nossos filhos, família, trabalho, ministério e vidas espirituais parece ser maior do que somos porque na verdade é. Não fomos feitos para viver sem a ajuda de Deus, nenhum de nós. Todavia, quando eu não posso, eu sei que ele pode! Aleluia!

Ao ouvir de Jesus que deveria esperar a sua hora, Maria procura os servente e orienta-os: “Façam tudo o que ele mandar”. Maria sabia que ele faria algo maravilhoso. Minutos depois o Senhor pede para as seis jarras que estavam na entrada da casa fossem cheias de água. Parecia um absurdo, pois tais jarras serviam para lavar os pés dos convidados. Numa situação em que o vinho era pouco, mais convidados seria aumentar ainda mais a desonra da família. Mas, eles atenderam a voz de Jesus e testemunharam o primeiro milagre do Mestre – a água transformou-se em um excelente vinho e salvou a honra da família.
Não é incomum o Senhor fazer uso de nossos recursos limitados para realizar coisas ilimitadas. Ele fez uso de um cajado para confundir Faraó no Egito. Ele usou uma queixada de um asno para derrubar um exército. Usou uma pedrinha lisa de riacho para derrubar um gigante. Ele usou cinco pães e três peixinho para alimentar uma multidão na encosta da montanha. Ele é Deus. E como Deus, seu poder não tem limites.
Em Caná, tudo o que Jesus pediu foram seis jarras de água pura. Só isso. Não pediu mais nada. Apenas H2O. Quando ele decide derramar suas bênçãos sobre alguém qualquer vasilha velha serve. Com os serventes aprendo a obediência sem limites ao que Jesus ordena. É muito raro Deus fazer qualquer coisa sem a nossa participação. No casamento de Caná, os serventes tiveram que encher os jarros de água e depois ficar observando o que iria acontecer. Por isso, diante de suas limitações, opte sempre por seguir as orientações segura de sua Palavra. Sempre dá certo!
Qual foi o resultado final do milagre de Caná? Jesus encontrou uma falha humana embaraçosa e se mostrou tanto capaz como disposto a satisfazer a necessidade mediante o seu poder. Não importa o que você precise, ele tem provavelmente tem isso em seus depósitos nos céu. Caso não tenha, não há problemas, vai criá-lo para você.
CONCLUSÃO
Graças a Deus, não é o tamanho, a experiência, os dons ou os talentos que fazem diferença em nossa vida. É reconhecer as nossas limitações humanas. Não queremos admitir isso, mas é verdade. Somos limitados em poder, Deus não é. Sabemos algumas coisas, Deus sabe todas. Podemos fazer algumas coisas, Deus pode fazer tudo.
A sociedade diz que nossas limitações são um sinal de fraqueza, mas para Deus isso é bem diferente. Compreender as nossas limitações é a base para o nosso avanço. Somos limitados nos relacionamentos, na vida financeira, no desenvolvimento do nosso caráter cristão, na sabedoria, amor e perdão. E é exatamente nesse ponto que o Senhor entra. É então que a água pura se transforma em vinho debaixo do seu toque criativo, compassivo. Você está pronto para assumir diante dele a sua limitação? Então, Deus o abençoe.
Pr. Ronaldo Araújo
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