domingo, 11 de setembro de 2011

O homem segundo o coração de Deus


A história pré-reinado de Davi nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.

No domingo passado percebemos o quanto Davi causou mal a si mesmo e a muitas pessoas por querer resolver seus problemas à sua maneira, sem se deixar ser orientado por Deus. Encerramos falando sobre o momento em que voltando para casa, depois de ter sido rejeitado pelos filisteus, Davi encontra sua cidade totalmente destruída e sua família e as famílias de todos seus soldados haviam sidos levados cativos pelos amalequitas.

Ao perceber sua tragédia, Davi chorou. Finalmente, a fortaleza da autoconfiança rui e Davi chora até não ter mais forças para chorar. (1 Samuel 30.4). Fico imaginando Davi olhando para aquele cenário desolador, vendo marcas da destruição por todos os lados. Casas destruídas, ruas desertas, focos de fogo e fumaça por todos os lados. Quase é possível ouvir o choro desesperado em soluços intermináveis de todos aqueles homens, chefes de família, companheiros de Davi. (1 Samuel 30.1-3)

Para Davi o jogo estava acabado. Não havia mais como esconder as terríveis conseqüências de suas escolhas. Abandonar o seu povo, sua família e Deus foi uma atitude que trouxe grande sofrimento. Encontrava-se, sem dúvida, cara a cara com a verdade, e esta era esmagadora.

Nem sempre somos capazes de evitar que as catástrofes nos atinjam, e na maioria dos casos nada podemos fazer. Entretanto, sempre poderemos escolher a atitude com a qual continuaremos a viver, se aceitação ou revolta, gratidão ou mágoa, perdão ou amargura, ação ou omissão. Mais importante que o acontecimento em si é a atitude que tomamos em resposta a ele. As dificuldades nem sempre mudam as pessoas, mas certamente revelam quem elas realmente são.




Diante de tal calamidade, os homens se revoltam contra Davi. É sempre assim, quando as situações adversas nos assolam, buscamos alguém para culpar. Todavia, aqui Davi dá sinais do que significa ser um homem segundo o coração de Deus. Além de chorar, Davi não culpa ninguém, mas olha para si mesmo.

Certamente ele se lembrou que diante do perigo intimidador de Golias, ele se encheu de fé e coragem e venceu aquele desafio. Em contrapartida, diante das ameaças de Saul, Davi abriu mão da fé e fugiu e tudo deu errado. Isso porque ele não buscou a orientação de Deus para fugir de Israel, para mentir ao povo de Nobe, para fazer seu ridículo teatro em Gate, para se enfiar na caverna de Adulão, para atacar, matar e roubar os povos vizinhos dos filisteus e muito menos para lutar contra seu próprio povo de Israel. Então, agora ao ver a cidade arrasada, Davi não culpa ninguém, diz a Bíblia que ele fez outra escolha, uma escolha digna de um homem segundo o coração de Deus, escolheu se reanimar no Senhor. (1 Samuel 30.6)




Apesar do momento, de saber que cada minuto parado favorecia o inimigo, da necessidade de socorrer as famílias e reaver os bens, Davi preocupou-se em atender, primeiramente, ao fato de que nada era mais urgente do que ouvir a voz de Deus. Então Davi, como não fazia a muito tempo buscou ao Senhor. “Davi perguntou ao Senhor: "Devo perseguir este bando de invasores? Irei alcançá-los? " E o Senhor respondeu: "Persiga-os; é certo que você os alcançará e conseguirá libertar os prisioneiros". (1 Samuel 30.8)

Apesar do cansaço físico, depois de haver caminhado cerca de três dias até Ziclague, e do desgaste emocional, Davi partiu para ação. Encontrava-se de alma lavada pelo choro, sentia-se reanimado, buscou o Senhor, e este o ouviu quando clamou por socorro. Recebeu e apropriou-se da promessa de vitória. Ainda que sob vários aspectos era uma missão impossível, Davi sabia que poderia confiar em Deus. Era finalmente hora de tomar posse de tudo novamente. Diferente do que muitos afirmam, Davi sabia que querer não é poder, fazer sim, é poder.

Ao receber a ordem de Deus de ir em busca de seu povo e bens, Davi não o faz sozinho. Agora ele anima seus seiscentos soldados que estavam consigo a recuperar o que haviam perdido. Motivados pela promessa de Deus, aqueles homens vencem a dor sufocante da realidade que os cercavam e se dispuseram a agir. Mudaram o foco da visão, deixaram de olhar para sua miséria e olharam para Deus.

Davi e o seu bando iniciaram o confronto ao entardecer. A noite caiu, e a batalha se estendeu até o entardecer do dia seguinte. Não foi uma luta fácil, não foi uma batalha rápida. Foi necessário muita coragem, determinação e perseverança. Foi necessário combater o desânimo, o pessimismo, a tristeza, o cansaço e a incredulidade, para poder por fim ver os inimigos totalmente vencidos e batendo em retirada. Não nos iludamos, toda glória tem sua cruz.

Finalmente, o inimigo foi derrotado! Os gritos de desespero, o choro compulsivo diante de Ziclague transformada em cinzas, dá lugar aos gritos de alegria incontida. As esposas são novamente abraçadas, os filhos novamente encontrados, os bens readquiridos, a vida volta a florescer. (1 Samuel 30.18-20)




Davi teve que mudar o conceito de felicidade durante sua caminhada com Deus. No início, ainda quando pastor de ovelhas, Davi se contentava estar com o Senhor e servi-lo. No palácio, Davi substituiu seu relacionamento com Deus por honra, prestígio, poder, bens. Todavia o que ele colheu foi tragédia, dor e sofrimento. No entanto, ao voltar para Deus e colocar nele sua satisfação, conquistou tudo quanto desejou, sua família, amigos, bens e o trono de Israel.

Davi, o homem segundo o coração de Deus, não recebeu esse título por ser uma pessoa perfeita, que nunca erra. Basta conferir sua história e perceberemos como ele cometeu erros tão graves quanto Saul. A diferença é que enquanto os erros de Saul mais o afastavam de Deus, Davi aprendeu que seu maior tesouro é se relacionar com Deus. Esse é o segredo da felicidade.

Segundo Davi, veja em que se baseia a felicidade:
“Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro.” Salmos 16:5
“Tu és a minha herança, Senhor; prometi obedecer às tuas palavras.” Salmos 119:57
“Clamo a ti, Senhor, e digo: "Tu és o meu refúgio; és tudo o que tenho que na terra dos viventes.” Salmos 142:5

Com Davi aprendemos que se mantivermos o canal de comunicação com Deus desbloqueado, coração aberto para ouvir sua orientação e disposição de agir segundo sua Palavra, a vitória virá. Isso geralmente trará muita lágrima, suor e sangue.

Deus não espera que você nunca erre. Mas que você confie nele para a sua Felicidade. Por vezes pensamos que nós temos a fórmula certa para a felicidade, mas entenda, somente Deus tem essa fórmula. E separado dele, jamais alcançaremos o que tanto desejamos. Alguém já disse que a felicidade está onde a colocamos, mas nunca a colocamos onde estamos. Em Deus a felicidade se torna real, e cada coisa toma o seu lugar em nossas vidas. Separados dele, jamais colocaremos a felicidade onde estamos.

Pr. Ronaldo Araújo

domingo, 4 de setembro de 2011

Perdendo o brilho


 A história pré-reinado de Davi nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.

Após vencer Golias e contabilizar várias vitórias à frente do exército de Israel, Davi se tornou muito famoso em Israel. Todavia, após grandes conquistas, precisamos ficar muito alertas para não tropeçarmos logo em seguida. Nesse ponto, Davi se descuidou, se tornou auto suficiente, sem necessidade de Deus.

Não havia mais tempo para falar com Deus e desenvolver seu relacionamento com ele em meio a tantas responsabilidades. O relacionamento que antes o alimentava junto ao rebanho de ovelhas, agora deu lugar ao glamour do palácio.

Sua fama também lhe renderam alguns inimigos, dentre eles o rei Saul que se tornou seu perseguidor. Após o seu último encontro com o profeta Samuel, Davi decidiu  fugir de tudo e de todos por acreditar que essa fosse a melhor solução para seus problemas. Todavia, não consultou a Deus sobre essa decisão. E isso lhe custou muito caro.


 A falta de comunhão com Deus o fez abandonar princípios e valores. Deus não era mais a sua proteção e por isso ele vai até ao vilarejo de Nobe atrás de alimentos e principalmente em busca da espada de Golias, para fazer dela a sua proteção. Quando a comunhão com Deus é perdida, criamos em contrapartida, muitas necessidades, e para justificá-las gastamos muitos argumentos inúteis e mentirosos.

Em Nobe, Davi desanda em mentiras. “Estou a serviço do rei em missão. Meus homens estão escondidos nas proximidades. Dê me os pães consagrados pois eu e meus homens estamos puros diante de Deus”. Mentiras e mais mentiras. Os sacerdotes enganados por Davi entregaram tudo que ele pediu, inclusive a espada de Golias.

Ao saber que Davi estava em Nobe, Saul o persegue. Davi foge e deixa o povo que o acolheu em situação difícil diante do rei que sem considerar o engano de Davi, mata todos os homens, mulheres e crianças de Nobe e abandona o vilarejo em ruínas. O solo daquela vila ficou coberto de sangue inocente, resultado da mentira de Davi e da brutalidade de Saul. (1 Samuel 22.17-19).



De Nobe, Davi foge para Gate, capital da Filístia, povo de Golias. Depois de ter alcançado a fama de ser o maior inimigo dos filisteus, Davi num ato de pura insanidade busca refúgio entre seus próprios inimigos. E para não ser morto por eles, finge estar louco.

Quando o príncipe Aquis se aproximou dele, Davi se superou na nova arte e deu um show. Arranhava as portas, andava nu, tinha um olhar feroz e olhos esbugalhados, sua saliva escorrendo pela barba. Havia trocado a harpa pelo teatro, a proteção de Deus pelo desesperado improviso.

Aquis olhou para aquela figura patética e disse: “Aquis disse a seus conselheiros: "Vejam este homem! Ele está louco! Por que trazê-lo aqui? Será que me faltam loucos para que vocês o tragam para agir como doido na minha frente? O que ele veio fazer no meu palácio?” (1 Samuel 21.14-15)

Após um papel tão vergonhoso, com medo de Aquis e não podendo voltar a Israel, Davi procura um buraco para se enfiar, e literalmente o faz.




De Gate Davi foge para a caverna de Adulão, um lugar escuro e solitário. Ali parecia que Davi chegara ao fundo do poço. Depois de ter abandonado a todos, Davi recebe a visita de Abiatar, que vinha de Nobe, carregando alguns objetos sagrados respingados de sangue. Essa notícia levou Davi a uma depressão profunda por perceber que todo aquele sangue era conseqüência de seu afastamento de Deus.

Em meio ao desespero, Davi volta a falar com Deus (Salmo 142). Fala de sua solidão e pede ajuda. A Bíblia diz que depois disso “Quando os seus irmãos e o resto da família souberam que ele estava lá, foram ficar com ele. E todos os homens que estavam em dificuldades, ou com dívidas, ou insatisfeitos também foram, e Davi se tornou o chefe deles”. Com toda essa gente, Davi formou um bando de aproximadamente 400 homens. (1 Samuel 22.1-2)

O restabelecimento da comunicação com Deus arrancou Davi da caverna de Adulão, mas não foi o suficiente para mudar o seu coração.




Após deixar a caverna de Adulão, Davi mudou-se para Ziclague, uma cidade da Filístia, povo de Golias. Com um exército pessoal e não tendo que se submeter a ninguém, Davi esquece de Deus e deixa o poder subir à cabeça. Davi não volta para Israel, “afinal de contas quem precisa de Deus e de seu povo? Há muitas incoerências no povo de Deus”, certamente argumentava consigo mesmo, “estou melhor assim”.

Davi permaneceu em Ziclague por 1 ano e 4 meses e durante esse período ele, secretamente, começou a lutar contra os povos vizinhos e aliados dos filisteus, dentre eles os amalequitas. A cada retorno de suas batalhas sanguinárias, trazia grande quantidade de cavalos, camelos e de gado (1 Samuel 27.7-12), e dividia com os filisteus dizendo que tinha atacado o povo de Israel. Agora, Davi matava gente inocente para roubar.  Dessa forma, Davi tornou-se além de mentiroso, assassino e ladrão. Com a espada de Golias, e de tanto andar com os filisteus, Davi tornou-se um filisteu.



Não demorou muito e os filisteus se posicionaram para enfrentar Israel. Por incrível que pareça, Davi se une a eles nessa empreitada. (1 Samuel 29.1-10). Davi que antes dizia que lutar contra Israel era lutar contra Deus, agora muda de discurso. Decide combater o próprio povo que antes defendeu e dessa vez assume o lugar de Golias. O curioso é que, pelo fato de ter rejeitado o seu povo, os conselheiros do rei filisteu não se sentiram seguros tendo Davi como aliado e por isso Davi teve que voltar à sua cidade. Agora Davi teve de lidar com uma nova situação, não servia nem para Deus e nem para o diabo. Estava totalmente perdido.

Ao voltar para Ziclague, Davi é surpreendido. A cidade estava totalmente destruída pelos povos vizinhos que ele tanto atacou. Tudo tinha sido destruído, as mulheres e crianças levadas como escravas e a perda fora total. Ele e seus soldados entram em desespero e choram amargamente. Enquanto ele se posicionava contra o povo de Deus, deixou sem proteção sua família e seu bando.



Davi pensou que poderia cuidar de sua vida com a força de seu próprio braço, e descobriu que estava errado em meio a muita dor. Enquanto se submeteu ao Senhor, ele venceu ursos, leões, gigantes e as perseguições de Saul. Quando ele confiou em si mesmo e deu as costas para Deus, o que se viu foi só tragédia, dor e muito sofrimento.

Histórias como estas, infelizmente, não são poucas. Homens e mulheres que abandonam a comunhão com Deus e a família, usando as mais variadas desculpas, geralmente acabam experimentando grandes perdas, sofrimentos e desilusões. Como anda seu relacionamento com Deus?

Pr. Ronaldo Araújo

domingo, 14 de agosto de 2011

Presente do Dia dos Pais


Nesse Dia dos Pais ganhei a foto acima num lindo quadro. Esse certamente foi um dos melhores presentes que já ganhei. Amo muito meu filho e filhas. É uma honra ser pai de vocês.

Do anonimato à fama


É natural pensarmos em Davi como o menino pastor que derrubou o gigante Golias ou como o rei que foi derrubado pelo adultério com a mulher de Urias. Todavia, seus atos heróicos vão muito além da vitória sobre Golias, bem como seus atos vergonhosos, infelizmente, não se esgotam no adultério de Bate-Seba.

Sua história pré-reinado nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Ele se tornou o homem segundo o coração de Deus porque aprendeu a enxergar o agir de Deus nos bastidores de sua vida.

Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.


Após  a unção, Davi voltou para cuidar de seu rebanho. Não é difícil imaginá-lo considerando o que tinha acontecido, dando asas à fértil imaginação, sonhando em ser rei. Davi sabia que nem só de sonho vive o homem. Por essa causa, ele não mudou a forma responsável com que  encarava os desafios de cada dia. Não se consumiu pela ansiedade nem se entregou à ociosidade. Boas oportunidades nas mais variadas áreas da vida surgem com relativa freqüência, mas só os preparados as desfrutam. Davi também vivenciou esse processo até o dia em que foi confrontado com uma grande oportunidade.

A Bíblia diz que o Espírito do Senhor se afastou de Saul e este era atormentado por um espírito maligno. Diante disso um de seus oficiais propõe que se chame alguém que toque bem harpa para aliviar o sofrimento do rei. Ao buscar alguém no reino, Davi foi o escolhido.

Mas por que o rei optou por Davi? A descrição oferecida por parte de alguém que o conhecia, estando ele ainda no início de sua juventude, é impressionante: "Conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar harpa. É um guerreiro valente, sabe falar bem, tem boa aparência e o Senhor está com ele". (1 Sm 16.18). A impressão que Davi causava era fascinante. Ele desenvolvera dons, hábitos e atitudes os mais nobres. É praticamente impossível não percebê-los. Esse belo e talentoso jovem é trazido à casa do rei Saul.

Durante um bom tempo, Davi viveu entre o palácio e o campo, ora envolvido em sua atividade de músico do rei, ora cuidando do rebanho de seu pai. Nesse meio tempo, seus irmãos foram convocados para se juntar ao exército e ir para a guerra sob o comando de Saul. Davi não estava entre os soldados por ser ainda muito jovem, pois em Israel os homens de guerra tinham mais de 20 anos.

Outra característica de Davi é que ele não tinha má vontade em fazer qualquer tipo de serviço. Tão logo recebeu de seu pai a tarefa de levar alimentos para seus irmãos, o jovem imediatamente tratou de executar o pedido, não sem antes incumbir alguém de cuidar de suas ovelhas.


Quando Davi chegou ao campo de batalha, procurou inteirar-se do bem-estar dos irmãos e, estando ainda a falar com eles, viu e ouviu a afronta de Golias e percebeu o efeito destruidor que as palavras do lutador causavam. Percebeu, no entanto, que o maior adversário do exército de Saul não era Golias e, sim, o medo.

Lá estava Golias, com seus quase 3 metros de altura, com armadura pesando sessenta quilos, equilibrando-se, da melhor forma possível, sobre a avantajada soberba. Por quarenta dias seguidos Golias afrontou Israel. Para o rei Saul e todo o seu exército, Golias era grande demais, impossível de vencê-lo. Diante de Golias, Saul reconheceu os limites de seu próprio poder. Davi, entretanto, sabia que o poder de Deus não conhece limites e com essa confiança disse à Saul: "Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele". (1 Sm 17.32).

Não é incomum tomarmos conhecimento de atos heróicos praticados por algumas pessoas. O que nem sempre verificamos é o processo que precede esses grandes feitos. Ninguém nasce assim, um herói pronto. Davi não é exceção. Na verdade, Davi ainda criança começou a vencer Golias. Suas experiências de vida lhe trouxeram auto confiança e aprofundaram sua dependência de Deus. Era alguém que sabia aproveitar o tempo livre para aprender coisas novas. Quando o rei precisou de um músico, lá estava ele! Quando Israel precisou de um valente guerreiro, ele estava pronto!

Antes de Golias, Davi já vivenciara lutas desiguais, enfrentara desafios violentos, vencera obstáculos de arrepiar. Para defender o rebanho que pastoreava matou urso e leão usando as próprias mãos. Isso é impressionante, mas impressiona ainda mais observar que o tributo da vitória é dado a Deus: “O Senhor que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará das mãos desse filisteu” (1 Sm 17.37).

O que tornava Davi diferente dos demais soldados de Israel era o conhecimento que tinha de Deus. Da perspectiva de Davi, a pergunta não era: “Quem somos nós para enfrentar esse Golias?”, mas sim: “Quem é esse Golias para afrontar nosso Deus?”. Seus olhos não se detinham no tamanho do desafio, mas na grandiosidade do poder de Deus. Saul olhava para o gigante e esse se agigantava. Davi por sua vez, olhava para Deus e o gigante ficava insignificante. O que focamos expande-se. Os olhos de Davi eram treinados para ver a grandeza de Deus, ao mesmo tempo em que desenvolvia com responsabilidade os talentos recebidos.


A notícia sobre Davi chegou até aos ouvidos de Saul. Imediatamente o rei mandou chamar o menino. Saul então ofereceu sua própria armadura a Davi, que depois de vesti-la desistiu da mesma. Mas o que levou Saul a oferecer sua armadura ao jovem músico? Se sua armadura era eficiente, por que ele mesmo não a usava? Se havia alguém em condições físicas para enfrentar Golias, de igual para igual, era Saul. O profeta Samuel o descreve como sendo o mais alto israelita de sua época.

Davi, após abrir mão da armadura de Saul, caminhou até o riacho, pegou cinco pedras lisas e foi ao encontro de Golias, enquanto o exército de Israel tinha a respiração sufocada pelo suspense. Ao vê-lo Golias zombou de Davi dizendo: “Por acaso sou um cão para que você venha contra mim com pedaços de pau? " E o filisteu amaldiçoou Davi invocando seus deuses, e disse: "Venha aqui, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo!” 1 Sm 17.43-44




Mas Davi estava consciente de que a batalha não era entre ele e Golias, mas entre Deus e Golias. Por essa razão ele respondeu: “Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo, mas eu vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou. Hoje mesmo o Senhor o entregará nas minhas mãos, e eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Todos que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o Senhor concede vitória; pois a batalha é do Senhor, e ele entregará todos vocês em nossas mãos”. 1 Sm 17.15-17

Confiante, levantou-se e colocou uma pedra na funda. Girou a funda até ficar invisível. Em seguida a pedra voou até a testa de Golias derrubando-o desmaiado no chão. Davi corre até ele, toma a espada de Golias e cortou seu pescoço separando a cabeça do corpo. O exército de Israel explodiu em alegria.

A coragem e a vitória de Davi produziram gigantescas ondas de motivação no exército de Israel, arrasando por completo a arrogante resistência das fileiras inimigas. Tendo restaurada a confiança, os soldados ficaram valentes e, motivados, cada um queria também matar um gigante. O medo mudou de lado. Esqueceram que suas armas eram bem mais primitivas do que as dos filisteus, esqueceram que eram sempre derrotados. Agora, tomados de motivação, perseguiam e destruíam os inimigos. Na proporção que a confiança crescia os gigantes encolhiam. Foi um dia que marcou definitivamente a história de Davi.

Pr. Ronaldo

domingo, 7 de agosto de 2011

Desprezado por homens, escolhido por Deus


É natural pensarmos em Davi como o menino pastor que derrubou o gigante Golias ou como o rei que foi derrubado pelo adultério com a mulher de Urias. Todavia, seus atos heróicos vão muito além da vitória sobre Golias, bem como seus atos vergonhosos, infelizmente, não se esgotam no adultério de Bate-Seba.

Para retratar esse grande personagem bíblico, mais de 65 capítulos do Antigo Testamento e não menos de 50 citações no Novo Testamento foram escritos mapeando sua vida e só Deus sabe quantas poesias foram produzidas e registradas de forma anônima no livro de Salmos. É impressionante perceber como a história de Davi conquistou o mundo. A estátua de Davi em Florença na Itália, por exemplo, esculpida em mármore por Michelangelo, com 5,16 metros de altura e pesando mais de cinco toneladas, atrai milhares de pessoas que pagam para admirar tão monumental escultura. Ainda hoje, crianças nascem em todo o mundo e são registradas com o seu significativo nome.

Antes de se tornar rei de Israel, Davi passou por momentos de descrédito e desconfiança até mesmo por sua família. Sua história pré-reinado nos apresenta um menino que se fez homem através dos sucessos e adversidades que a vida apresenta a qualquer mortal. Ele se tornou o homem segundo o coração de Deus porque aprendeu a enxergar o agir de Deus nos bastidores de sua vida.

Nessa série de mensagens, convido você a uma viagem no tempo, até aos tempos de Davi, o pastor de Belém, e caminharmos lado a lado desse grande herói da fé e aprender com ele que a vida pode ser melhor, se conseguirmos perceber o cuidado de Deus para conosco em todo tempo e em todo lugar.


No ano 1020 a.C., um bebê, como muitos outros, nasceu. Poucas pessoas deram atenção ao menino de cabelo ruivo nascido na casa de um pastor chamado Jessé, que morava perto do humilde vilarejo de Belém. Este oitavo filho (1 Sm 17.12), nascido no anonimato, torna-se-ia uma das mais atraentes e visíveis figuras da história. Seus pais deram-lhe o nome de Davi, que significa “amado de Deus”.

Cerca de 16 anos depois, num dia comum em que nada indicasse, para a maioria dos contemporâneos do jovem pastor, qualquer sinal de singularidade, Davi como de costume, estava no campo com sua harpa e cajado. Enquanto cuidava das ovelhas de seu pai, escrevia, tocava e cantava louvores a Deus a quem a cada dia aprendia a admirar e confiar.

Então, naquele dia comum, o profeta Samuel visita a casa dos pais de Davi. O velho profeta chegou àquele lugar em obediência à voz de Deus para realizar um ato que marcaria profundamente a história do povo de Israel. A ordem divina recebida foi de encher um chifre de azeite, ir à casa de Jessé e consagrar um de seus filhos como rei de Israel.

A viagem de Ramá a Belém deu a Samuel tempo suficiente para pensar sobre o reinado do primeiro rei de Israel, Saul. Os israelitas haviam exigido um rei que os governasse. O rei Saul, por falta de submissão a Deus, havia sido rejeitado por ele, ainda que, por vários anos, continuasse a reinar sobre Israel. Samuel lembrava-se das Palavras de Deus que teve de dizer ao infiel rei: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor seu Deus lhe deu; se você tivesse obedecido, ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel. Mas agora seu reinado não permanecerá; o Senhor procurou um homem segundo o seu coração e o designou líder de seu povo, pois você não obedeceu ao mandamento do Senhor”. 1 Sm 13.13-14

Podemos imaginar que, mergulhado em tão penosas considerações, Samuel não conseguia disfarçar a tristeza, a dor no coração, o nó na garganta. Com tais pensamentos, as lágrimas correram pelo rosto do velho profeta. Dessa forma, Samuel chega ao vilarejo de Belém e convida Jessé para oferecer sacrifícios ao Senhor. A família, relativamente numerosa, estava reunida e em suspense. O jantar feito às presas para a recepção do amado profeta já estava pronto. Finalmente estavam todos à mesa, ou melhor, nem todos. 


Os olhos de Samuel observava cada filho de Jessé. Ficou impressionado com Eliabe. Afinal, além de ser o filho mais velho, era o mais alto, mais forte e confiante, como um rei deve ser. Já estava se levantando para ungir o rapaz quando o Senhor o interrompeu dizendo: “Samuel, não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração". (1 Sm 16.7)

Samuel teve que engolir seco essa verdade e imediatamente passou a considerar os demais filhos de Jessé. Olhou para Abinadabe, e depois para Samá, e tendo olhado para todos, Deus ainda permanecia calado. Samuel sabia que estava na casa certa, mas algo estava errado. Então perguntou a Jessé: “Estes são todos os filhos que você tem?”. Então, Jessé coça a cabeça e diz: “Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas”. Samuel disse: “Traga-o aqui; não nos sentaremos para comer até que ele chegue”. 1 Sm 16.11b

Para os hebreus, o filho mais jovem, diferente de nossa cultura, era considerado o menos importante na hierarquia familiar e por isso se ocupava com o pior serviço da família. E cuidar de ovelhas era algo indesejável. Mas isso não era motivo para impedir a participação do caçula nas comemorações da família. Então, por que Jessé não trouxe seu filho caçula para aquele jantar visto que a ordem de Samuel, desde o início, era para que ele reunisse todos os seus filhos? Teria sido um filho não-planejado, não-desejado? Era um incômodo e mesmo vergonhoso tê-lo por perto? O fato dele ser um poeta e músico contrariava seu pai por desejar que ele fosse outra coisa? O que Davi quis dizer quando declarou: “Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá.” Salmo 27.10. Sentia-se rejeitado?



Ao dar a ordem para que buscassem Davi, fico imaginando o clima que ficou na casa de Jessé até a chegada do caçula indesejado. Apesar da demora do banquete, a fome de todos, principalmente dos rapazes,  tinha diminuído consideravelmente. Ninguém podia comer antes da chegada do menino de 16 anos. Algum tempo depois, entra Davi ainda cheirando a ovelha. O obediente profeta então ouve a voz de Deus: “É este! Levante-se e unja-o” 1 Sm 16.12. Sem entender e sem questionar, abriu o recipiente de óleo e despejou a fragrância com cheiro suave na cabeça de Davi diante de semblantes surpresos de todos os presentes.

Os textos bíblicos, geralmente, são ricos em detalhes quando focalizam as reações dos que são chamados por Deus para uma atividade especial. Entre muitos chamados, há reações evasivas: “Não posso! Não sei falar! Não sou importante!”, e por aí afora. No entanto, a Bíblia não relata nenhuma atitude por parte de Davi. O jovem não fez nenhuma declaração. Ele apenas se ajoelhou e recebeu a unção de Deus a quem ele já servia. Não houve qualquer discurso. Até nesse aspecto, Davi foi diferente.

O período compreendido entre sua unção e o momento em que se tornou efetivamente rei sobre todo o Israel foram de mais ou menos 30 anos. Esse período foi marcado por momentos alegres, de vitórias, mas também de algumas dificuldades e derrotas. À semelhança de tantos outros, Davi também teve o seu longo e difícil tempo de espera, aprendizagem e amadurecimento.

Os vencedores não nascem prontos. Deus os molda no forno da vida com imenso amor. Eles são libertos por sonharem os sonhos de Deus e prisioneiros do mesmo sonho até que Deus o realiza através deles. Não foi diferente com Davi. Ele também conheceu o árduo caminho marcado por pedras e espinhos.

Após a unção, o jantar finalmente foi servido. Enquanto todos engoliam a comida, Davi, mais preocupado com as ovelhas, logo voltou ao campo para encarar seus leões de cada dia. Em nenhum momento vemos Davi exigir tratamento diferente de sua família. Ele sequer questiona ao profeta sobre quando deverá começar a reinar. Simplesmente confia que todas as coisas está nas mãos de Deus e que a seu tempo ele cumprirá os seus propósitos. Afinal de contas não foi ele que disse: “tu és a minha esperança, ó Soberano Senhor, em ti está a minha confiança desde a juventude.” Salmo 71.5

Eu, eu mesmo, falei; sim, eu o chamei. Eu o trarei, e ele será bem sucedido em sua missão.” Isaías 48:15

Pr. Ronaldo