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domingo, 19 de abril de 2009

Missão


O tema “Você nasceu para brilhar” tem por base o texto de Mateus 6.14-16 que afirma que nós somos a luz do mundo, que brilhando levaremos outros a glorificar a Deus.

Num primeiro momento definimos a nossa identidade de filhos de Deus, como algo indispensável para brilhar nesse mundo, junto aos nossos amigos, parentes e conhecidos. O exemplo dado foi o de Jesus que por ter sua identidade bem definida, o capacitou a enfrentar todas as dificuldades que alguém possa passar nessa vida.

Depois entendemos que fomos chamados pelo Mestre Jesus para segui-lo. Tal chamado se deve ao fato de que ele acredita que podemos ser como ele. Mas qual é a minha parte específica nesta missão? É o que veremos hoje.



Desde o seu nascimento, Jesus foi conhecido como o filho de José e Maria. Todavia, por trás deste rótulo, escondia-se a natureza mais profunda do seu ser, bem como a sua missão, ou seja, ele sabia que era Filho de Deus bem como a missão para a qual fora chamado. Jesus Sabia exatamente qual era o plano de Deus para sua vida. Certa vez ele mesmo disse: “o Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” Mc 10.45. Também em João 6.38 podemos conferir a convicção de Jesus quanto ao sentido de sua vida: “Desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”.

Quem diz “vivo para fazer a vontade de Deus” não poderá mais tomar decisões por conta própria, mas vive na dependência de Deus. Coisas como a escolha da profissão, do parceiro, do modo de vida e de como gastar o dinheiro, tornam-se assuntos a considerar junto ao Senhor. A decisão de comprar uma casa não pode ser tomada antes de tê-la apresentado a Deus.

Por causa de sua missão, Jesus abandona a casa e a oficina de seu pai com cerca de 30 anos de idade para levar uma vida itinerante e não aceita fazer nada que o atrapalhe a cumprir o plano de Deus para sua vida. Os anos que passou em casa com seus pais, aprendendo o ofício de carpinteiro, são anos de preparo para o que, finalmente, se reduziu a apenas três anos de intenso ministério, que terminaram em sua prisão, morte e ressurreição.

Em Lucas 9.51 testemunhamos um momento extremamente importante, diz-nos o texto: “Aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”. É um momento significativo e marcante no evangelho de Lucas, no qual Jesus aperta os cintos e parte para a última etapa do caminho, que trará grande sofrimento. Não muito tempo depois, em sua oração no Getsêmani ele diz: “Pai, se possível, passa de mim este cálice!” É um momento de profunda dor e horror por aquilo que virá. Mas mesmo aí, Jesus permanece fiel a sua missão dizendo: “Todavia, não faça a minha vontade, mas a sua.” Lc 22.42-43. Estava disposto a qualquer coisa para realizar a vontade de Deus para sua vida.


Você sabe dizer qual é o plano de Deus para sua vida? Até onde o plano de Deus determina o que você faz ou deixa de fazer? É verdade que muitos cristãos sofrem de uma cegueira quanto àquilo que Deus deseja com suas vidas. Por esta razão não são poucas as vezes que nos vemos atarefados com uma porção de atividades que sequer sabemos se elas contribuem ou não para o cumprimento da missão de Deus em resgatar a humanidade, e conseqüentemente, ficamos a desejar considerando o que poderíamos contribuir com o reino de Deus na terra.

Mas será que Deus tem um plano específico e pessoal para cada cristão? Existe de fato uma missão que somente você poderá realizá-la para a glória de Deus? É certo que sim! Jesus deixou claro que devemos “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” Mc 16.15. E foi exatamente isso que ele fez, e mais, nos convidou a ser seus discípulos porque acredita que podemos ser e fazer assim como ele.

Deus de fato tem um plano maravilhoso para o mundo, todavia, ele convida cada um de nós, para participar deste plano de maneira especial, única e por inteiro. Você e eu temos algo específico a realizar nessa missão. Cabe-nos submeter a Deus e cumprir nossa parte na história com os dons e habilidades dados por Deus. Afinal, para o desempenho de nossa parte no plano de Deus, ele mesmo nos capacita para servi-lo.

Como o nosso alvo é alcançar as pessoas não comprometidas com Cristo, nossa vida cristã não poderá limitar-se a reuniões aos domingos em nosso templo, mas deverá influenciar tudo aquilo que somos e fazemos no dia a dia. Em casa, na escola, no trabalho e mesmo nos momentos de lazer é preciso nos ver como pessoas em missão. É preciso assumir responsabilidades que Deus nos confiou e procurar viver de tal modo que ele seja honrado. Esta grande missão de levar os homens a glorificar a Deus, molda toda a nossa vida e tudo o que fazemos ou deixamos de fazer.

Paulo entendeu bem esse ensino. Ele tinha consciência de que tudo em que se ocupava nessa vida só teria razão e sentido se isso de alguma maneira contribuísse para que vidas fossem transformadas pelo poder do evangelho. É da boca dele que ouvimos “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.” Atos 20:24, e em outra ocasião Paulo deixa claro que tudo quanto ele se ocupava tinha uma segunda boa intenção: “Fiz-me de tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns” 1 Coríntios 9.22.

PARA PENSAR E AGIR

Assim como Jesus, José do Egito e tantos outros, os cristãos devem ocupar seus lugares na sociedade como luz que brilham. Não devemos nos isolar das pessoas que não temem a Deus, devemos influenciá-las e despertar nelas o desejo de conhecer nosso Deus e Pai. A vida do cristão não é assunto particular, que só diz respeito a si mesmo. Tudo o que fazemos ou omitimos, todas as nossas decisões tem conseqüências cujo alcance é maior do que percebemos, ou seja, o resgate de pessoas queridas ao coração do Pai.

Se trabalho como vendedor, preciso entender que não vendo apenas para ter lucro, mas através da minha honestidade, postura e educação em lidar com os clientes tenho como objetivo despertar o interesse deles no Deus que amo e sirvo. Se trabalho em uma pequena ou grande empresa, meu zelo, pontualidade e fidelidade devem apontar para o fato de quem é o meu Pai. Na escola devo buscar fazer o meu melhor não só me dedicando aos estudos, mas no trato com os demais demonstrando consideração e sendo cordial com todos, para que vendo minhas boas obras, os demais alunos e professores reconheçam que sou filho do Pai celeste.

Como filhos de Deus temos algo a contribuir com a grande missão de Deus de resgatar o mundo perdido. A parte de Jesus foi morrer e ressuscitar na cruz para que esse plano pudesse ser viável. A nossa parte é brilhar onde estamos para que Deus seja glorificado em nós e através de nós.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Chamado


Na semana passada demos início a série “Você nasceu para brilhar” tendo por base o texto de Mateus 6.14-16 que afirma que nós somos a luz do mundo, que brilhando leva outros a glorificar a Deus.

Num primeiro momento definimos a nossa identidade de filhos de Deus como algo indispensável para brilhar nesse mundo, junto aos nossos amigos, parentes e conhecidos. O exemplo dado foi o de Jesus que por ter sua identidade consolidada, foi capaz de enfrentar todas as dificuldades que alguém possa enfrentar nessa vida.

Hoje meditaremos sobre a razão pela qual o Senhor nos chamou para brilhar. Para tanto, leiamos Mateus 14.22 a 33. Em meio a uma forte tempestade, os discípulos estão fazendo todo esforço para manter suas vidas, quando Jesus aparece andando sobre as águas. Eles ficam apavorados até que Jesus se identifica. Um deles, Pedro, sai do barco e começa a andar sobre as águas em direção a Jesus. O que Pedro estava pensando naquele momento? O que o leva a acreditar que ele poderia andar sobre as águas? A atitude de Pedro só faz sentido quando entendemos o pano de fundo dessa passagem.



Jesus é um Mestre judeu, com discípulos judeus, vivendo no mundo judeu do primeiro século. Cresceu numa região chamada Galiléia, e aprendeu a Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia, como todo judeu. Torá significa ensino, instrução, ou simplesmente “o caminho”. A Torá era o centro de suas vidas e a base da educação em suas escolas.

A maioria das crianças entrava na escola, a sinagoga local, com seis anos de idade e eram instruídas na Torá por um Mestre judeu. Esse primeiro nível de ensino ia até os dez anos de idade, quando cada criança sabia recitar todos os livros da Torá. Elas tinham cada palavra gravada em seus corações. Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, decorados. Após os dez anos, muitas crianças deixavam a escola e voltavam para casa para aprender o ofício da família. Seja a pesca, a plantação ou mesmo confecção com a qual a família levantava seu sustento. Mas, os melhores alunos continuavam estudando. A educação deles prosseguia ao segundo nível.

No segundo nível, os melhores alunos, memorizavam todo o Antigo Testamento, desde Gênesis a Malaquias. Esse nível ia até os 15 anos, no fim do qual voltavam para casa, também para aprender o ofício da família. Mas, os melhores dos melhores podiam prosseguir para o último nível, o nível do discipulado. Eles iam até o Mestre e pediam a ele que os permitissem tornar um de seus discípulos. Discípulo é muito mais do que um aluno. O discípulo além de saber o que o seu Mestre sabe, ele quer SER como seu Mestre. Sendo assim, se desejasse ser um discípulo de seu Mestre você chegaria a ele e diria: “Mestre, quero me tornar um de seus discípulos, quero ser igual a você.” E ele então passaria por uma série de testes.

O Mestre faria perguntas sobre a Torá, sobre os profetas, sobre suas aptidões, perguntas das mais diversas, pois o Mestre queria saber “Este rapaz pode sentar-se a minha frente? Ele pode fazer o que eu faço? Ele pode vir a ser como eu?”. Uma vez que o Mestre acreditasse que você ama a Deus e conhece a Bíblia, mas não o reconhecesse como sendo o melhor dos melhores, ele diria: “vejo que amas a Deus e a Bíblia Sagrada, mas você não tem as qualidades necessárias para ser meu discípulo.” E o Mestre continuaria: “Volte para casa, aprenda o ofício de sua família”. Mas se o Mestre pensasse: “Este rapaz tem as qualidades necessárias. Acho que ele pode fazer o que eu faço”. Então ele diria à você: “Venha. Siga-me”. Então, você com seus 15 anos, deixaria pai, mãe, família, amigos, cidade para acompanhar aquele Mestre por mais 15 anos e dedicaria a sua vida inteira a ser como aquele Mestre até ficar coberto pela poeira de seu Mestre.

Se você é um discípulo seguindo o seu Mestre, após andar por estradas quentes e empoeiradas, a poeira do Mestre que vai a sua frente acaba sujando a frente de sua roupa que o segue de perto. É por isso que surgiu um ditado na Judéia “que você fique coberto pela poeira de seu Mestre”. Os discípulos sabiam exatamente o que significava ficar coberto com a poeira de seu Mestre.


Tudo isso tem grande importância para compreender o ministério de Jesus com seus discípulos. A maioria dos Mestres começavam a ensinar aos 30 anos de idade. A Bíblia diz que aos 30 anos, Jesus estava caminhando no Mar da Galiléia quando encontrou Pedro e André, que eram pescadores. Jesus se aproxima e lhes diz: “Venham. Sigam-me”. Se eles são pescadores e Jesus os chama para serem seus discípulos e eles estão pescando, então eles não são os melhores dos melhores? Eles não tinham passado no teste. E o texto continua dizendo que eles imediatamente largaram suas redes e o seguiram. O que eu sempre achei estranho. Esquisito, não é? Eles largaram tudo e foram. Se você colocar isso no contexto original, tudo faz sentido.

Os Mestres eram os homens mais honrados e reverenciados por todos. Apenas os melhores dos melhores chegavam a ser Mestres! De repente um Mestre está caminhando na praia e diz a você, siga-me, o que ele está dizendo é “Eu acredito que você pode fazer o que eu faço. Você pode ser como eu”. Se um Mestre chegasse até você e o convidasse a segui-lo, naquele contexto, é claro que você deixaria as redes e o seguiria. E o texto continua. Jesus encontra outros dois irmãos, Tiago e João, que estão pescando para seu pai Zabedeu. Se estavam pescando para o pai, o que eram? Eram aprendizes do ofício! Então, se eles não estavam seguindo a nenhum outro mestre, é porque eles não eram bons o bastante. Também não tinham passado no teste. Não eram os melhores dos melhores. E o que os judeus falam deles tempos mais tarde? “Estes homens eram pescadores, iletrados”. Jesus chamou homens reprovados, para fazer deles homens que mudaram o mundo. Homens simples, sem capacidade intelectual admirável, para mostrar as grandezas de seu amor.


Voltando a tempestade no mar, você tem um bando de homens reprovados, a água está agitada e o vento forte, e eles estão apavorados. Tanto que ao verem Jesus pensam ser ele um fantasma. Então Pedro reconhecendo o Mestre diz: “Se é mesmo você, deixe-me ir até aí”. Por que essa é a reação de Pedro? Por que ele quer andar sobre as águas? Porque ele é um discípulo. Ele orientou toda a sua vida para ser como seu Mestre, para fazer tudo o que seu Mestre faz. Então ele vê o seu Mestre caminhar sobre as águas, e o que ele faz? Ele pensa “meu Mestre está andando sobre as águas, vou andar também.” Então Pedro sai do barco e caminha sobre as águas, mas ele começa a afundar e grita: “Senhor, salva-me!” O texto diz que Jesus imediatamente o segura pelo braço e diz: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?”

Eu sempre presumi que Pedro duvidara de Jesus. Mas Jesus não está afundando! Então porque Pedro duvida? Ele duvida de si mesmo. Ele tira os olhos de Jesus e passa a observar a força do vento. Nesse instante, sua luz apaga, e a escuridão da dúvida toma conta de todo seu corpo. Ele duvida de que seria capaz de continuar andando rumo a Jesus. Ele duvida de que pode ser como seu Mestre. Pedro esquece que Jesus não o teria chamado se não acreditasse nele. Jesus até o adverte em outro momento dizendo: “Ei! Não foram vocês que me escolheram. Eu os escolhi”. Um Mestre não escolheria ninguém, a não ser que acreditasse que aquele discípulo poderia ser como ele.


Toda a minha vida ouvi pessoas falando de crer em Deus. Mas neste texto aprendo também que Deus acredita em nós, acredita em você, acredita em mim. Afinal, a fé em Jesus é importante, tanto quanto a fé de Jesus em nós. Ele tem fé em nós. A prova disso é que ele deixou tudo nas mãos dos discípulos. Qual é a última coisa que ele diz aos seus discípulos? Ele diz: “Agora vão, e façam mais discípulos”. Ele deixa tudo nas mãos destes homens reprovados, e eles conseguem!

E nós? Já imaginou! Podemos ser o tipo de pessoa que Deus planejou. Podemos brilhar! Ele acredita nisso! Não é maravilhoso? Ele acredita que podemos ser o tipo de pessoa que vive como Jesus vivia. O tipo de pessoa que age com a consciência de ser um discípulo de Cristo em todas as situações em sua vida. Age para o bem, para verdade. Afinal, Jesus acredita que você pode segui-lo, que você pode ser como ele. Ele acredita nisso.

Que você creia em Deus. Mas possa ver que Deus também crê em você. Que você tenha fé em Jesus. Mas que possa ver que Jesus tem fé que você pode ser como ele. Uma pessoa cheia de amor, compaixão e verdade. Uma pessoa cheia de perdão, paz, alegria e esperança. E que você fique coberto pela poeira de seu querido Mestre Jesus, e assim brilhe.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Identidade


O tema dessa mensagem foi inspirado no texto de Mateus 5. 14-16 que diz que nós somos a luz do mundo e que por isso devemos brilhar diante dos homens para que eles glorifiquem a Deus. Pensando nessa passagem, tenho me perguntado se de fato nós, como filhos de Deus, temos iluminado com intensidade neste mundo escuro. Porque isso é o que Deus deseja, pessoas comprometidas com ele, que iluminem nesta terra escura, que andem na luz e sejam suas testemunhas.

Tendo isso em mente, olharemos para Jesus, que de maneira perfeita, nos mostrou através de sua identidade, ministério e vida o que significa ser uma luz a brilhar em meio a uma sociedade corrompida. Buscaremos nele respostas para perguntas do tipo: Como devemos viver em um mundo tão atolado no pecado? Como podemos nos destacar positivamente na sociedade em que vivemos? Como brilhar em meio a tanta gente que já não sabe sequer quem é Deus?

Nossos amigos precisam de pessoas que brilhem assim. Gente que se destaca porque é Deus o Senhor de suas vidas. Homens e mulheres atraentes com uma vida plena que despertem a curiosidade e o desejo de seus amigos a conhecerem a Deus. Gente que não se satisfaz em construir seu próprio mundinho, mas que valoriza mais o relacionamento íntimo com Deus do que a corrida desenfreada pelo dinheiro e o prazer. Pessoas que influenciadas pelo Espírito de Deus estão se tornando a cada dia, mais parecidas com Jesus. Gente que nasceu para brilhar.



Olhando para Jesus existe algo que nos salta aos olhos que certamente o capacitou a brilhar intensamente, trata-se de sua identidade. Mesmo antes de nascer como homem, somos informados a respeito da identidade de Jesus. Ao ser comunicada por um anjo que seria a mãe de Jesus, Maria ouviu que o menino “será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Mais tarde, no batismo de Jesus ouve-se a voz de Deus dizendo “Tu és o meu Filho amado, em quem tenho prazer”. (Lc 3.22)

Todavia, se os psicólogos de nossa época fizessem uma análise dos primeiros anos de vida de Jesus, certamente eles afirmariam que Jesus seria uma pessoa com sérios problemas. Posso até ouvi-los dizendo: “O início de vida do paciente foi complicado. A gravidez foi inesperada para os pais, o parto ocorreu sob circunstâncias adversas. Logo em seguida os pais tiveram de fugir por estarem sob ameaça de morte. Nos primeiros anos viveram como fugitivos no Egito. Todas essas evidências revelam que ele terá uma personalidade insegura e violenta”.

Mas então, o que aconteceu com ele? Exatamente o contrário! Quando Jesus viveu neste mundo, ele foi um homem como os outros do seu tempo. Ele nasceu judeu, falou a língua de seu povo, se vestiu, comeu como eles e conheceu seus sentimentos. Entre os seus contemporâneos, o homem Jesus viveu uma vida que apontava para a sua origem real. Era santo e ao mesmo tempo simpático, sincero e confiável, verdadeiro e misericordioso. Era uma pessoa atraente que refletia a glória de Deus e irradiava sua verdade e seu amor surpreendendo as pessoas por onde passava.

Jesus certamente não era uma unanimidade entre os seus contemporâneos. Em um determinado momento ele foi recebido como um verdadeiro rei, montando um jumentinho e sendo aclamado “Hosanas, bendito o que vem em nome do Senhor”. Mas, uma semana depois a mesma multidão gritava a seu respeito “crucifica-o, crucifica-o”. Como pode alguém assim ter uma saúde emocional, física ou mesmo espiritual admirável? Simples! Jesus não se deixou abalar com tais experiências porque ele descansava naquilo que ele é diante de Deus, ou seja, sua identidade. Sua convicção de ser ele, o verdadeiro Filho de Deus, o tornou inabalável.

Na cruz alguns zombavam dele dizendo: “Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.” (Mt 27.43) e diante disso ele não se deixou esmorecer. O que é que aconteceu em seguida? Bem, o chefe da guarda romana que testemunhou a afronta, ao ver as evidências por si mesmo afirmou: “Verdadeiramente este era Filho de Deus”. Aqui está um homem que não depende de elogios humanos ou homenagens para reafirmar a sua importância. Sua consciência de ser o Filho de Deus é o suficiente para se sentir aceito e amado pelo Pai. Suas raízes vão muito além de sua vida humana, atravessa a eternidade e alcança o próprio Deus.



Quem edifica sua identidade e segurança sobre o fato de ter um cargo na igreja, empresa ou sociedade que lhe dá destaque, ou por ser pai ou mãe, ou de ter subido na escala social, perde a si próprio no momento em que esse papel mudar ou quando alguém assumir seu papel. Quem edifica sua identidade sobre o sucesso nos negócios, será pobre quando esse sucesso terminar a certa altura. Quem pensa ser alguém por causa da aparência pessoal, terá sérias dificuldades quando a velhice chegar. Todas essas coisas são relativas e instáveis. Nossa identidade encontra-se no mais íntimo do nosso ser, bem mais profundo do que nossos títulos, funções, carreiras e bens possam alcançar.

Talvez você tenha sido rejeitado no ventre de sua mãe, ou exposto a vexame, ou ainda sua auto-estima esteja constantemente atacada por sentimento de inferioridade. Tem a sensação de estar sobrando. No entanto, o Salmo 139 esclarece que devemos nossa existência ao Senhor, que somos criaturas dele. Nosso Pai celeste tinha conhecimento de nós mesmo antes que nossa mãe se desse conta da sua gravidez, ele acompanhou nosso desenvolvimento no seio materno e estava presente quando nascemos. O Deus do céu e da terra nos desejou e ansiava pelo nosso nascimento. Este fato é suficiente para a nossa existência!

Mas há mais! Desde que nasceu, o Criador ansiava pelo dia em que você depositaria sua vida em suas mãos. Quem faz pessoalmente uma aliança com Jesus, torna-se filho de Deus e recebe o direito a uma vida plena (Jo 1.12). Na verdade, nosso Pai celeste introduziu e acompanhou nosso nascimento para esta nova vida. Ele quer que conheçamos seu coração de Pai profundamente. É preciso que nossa identidade como filhos seu fique profundamente ancorada em nossa consciência, tal como a convicção de sermos amados por ele em toda e qualquer situação.

Ao falar sobre isso em outra ocasião, fui procurado por uma mulher. Ela chorava enquanto dizia: “Pastor, essa mensagem mexeu muito comigo. Quando minha mãe se engravidou de mim, meu pai ficou muito revoltado. Ele não queria ter filhos. Daquele dia em diante ele violentava minha mãe diariamente. Num certo dia, quando ela estava com 7 meses de gestação, ele chegou em casa transtornado. Bateu nela e chutou violentamente sua barriga. Os vizinhos a socorreram e naquele dia eu nasci com hematomas por todo o corpo, mas minha mãe não teve a mesma sorte, ela morreu na sala de cirurgia. Assim que recebi alta, meu pai colocou-me em um cestinho e deixou sobre o asfalto quente de uma rodovia, na esperança de que um carro passasse e me matasse.” E entre soluços concluiu: “Hoje eu entendi que o pai humano que tive, por não conhecer a Deus, não conseguiu transmitir o amor que o meu Pai Celeste sentia por mim mesmo antes do meu nascimento. Por isso, eu o perdôo”.

CONCLUSÃO

Jesus tinha sua identidade fundamentada no fato de ser ele o Filho de Deus, não somente Filho, mas Filho amado! Deus diz isso também aos seus filhos na terra. Somos preciosos aos seus olhos. Além dessa identidade, nossa condição de filhos nos proporciona a mais profunda oportunidade que alguém possa desejar. A oportunidade de sermos canais deste amor na vida de todos aqueles que nos cercam. Por isso, uma vez que sua identidade está solidificada em Deus, você é convidado por ele a deixar sua luz brilhar na vida de muita gente, afinal de contas, você nasceu para brilhar.